Como não podia deixar de ser, vou mandar um bitaite sobre o WikiLeaks. Há vários comentadores de prestígio que criticam o WikiLeaks, pois as informações reveladas põem em causa a segurança do Ocidente.
Em primeiro lugar, devo dizer que, se há país que está a ser prejudicado, são os Estados Unidos, e não todo o Ocidente. Que eu saiba, a Europa (ainda) não é uma colónia dos americanos.
Há quem diga que a lista de locais estratégicos dos EUA disponibilizada pelo polémico site é um mapa para terroristas, o que eu acho um disparate, na medida em que os locais indicados são alvos óbvios que qualquer terrorista idiota conhece - não era preciso esperar por esta lista para se saber que, por exemplo, o Canal do Panamá é um ponto fulcral do comércio mundial. Aliás, sem ver a lista, posso afirmar que o Canal de Suez é também um ponto estratégico, bem como os oleodutos e gaseodutos espalhados por esse mundo fora.
É também falso que a WikiLeaks só revela informações que visam os EUA. Muito pelo contrário; apesar dos jornais darem maior destaque aos telegramas com conversa de café sobre líderes europeus, a verdade é que este site já publicou revelações sobre crimes contra a humanidade realizados por autoridades africanas, casos de abuso de poder em países da América Latina, e até experiências nas centrais nucleares do Irão.
Não deixa de ser interessante que a WikiLeaks lança informações que confirmam coisas que já desconfiávamos há muito: os voos da CIA em Portugal, as provas incriminatórias contra o casal McCann... e ainda dizem que este site é perigoso para a democracia!
É também muito triste que os EUA, que se gabam de ser os bastiões das virtudes democráticas, estejam a mexer os cordelinhos todos para calar Assange, chegando ao ponto de mandar a Suécia inventar um crime sexual para prender o homem.
E o mais triste é ver a Europa que, apesar de ter descoberto que os embaixadores americanos gozam dos seus líderes, continua a servir obedientemente os desejos dos EUA, fazendo tudo a seu alcance para apanhar a cabeça do WikiLeaks.
Pena é o WikiLeaks não existir há mais tempo. Certamente que não teriam sido precisas tantas comissões para discutir o caso Camarate, e todos saberíamos que um primeiro-ministro português foi morto porque uns certos norte-americanos queriam à fina força que vendêssemos armas ao Irão, apesar de terem feito um embargo contra esse país...
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Sobre o Código do Trabalho...
A UE tem feito pressão junto do governo português para liberalizar o mercado de trabalho nacional, facilitando tanto os despedimentos como as contratações.
A primeira reacção face a estas propostas é a de oposição. "Facilitar os despedimentos? Nem pensar!". Porém, é preciso ter em conta que, hoje em dia, se um patrão quiser mesmo despedir alguém, ainda que sem justa causa, ele consegue. Já ouviram falar do "mobbing"? Pois bem, é uma forma de bullying realizada pelos patrões sobre os empregados - que acabam por se fartar e despedem-se. Isto quando os patrões não inventam uma "justa causa" para despedir trabalhadores.
Além disso, em teoria, isto iria também facilitar as contratações, já que os patrões não teriam medo de não conseguirem despedir os funcionários mais tarde. É também preciso ver que hoje em dia já não há empregos para a vida. O que não é mau, desde que se tenha sempre um trabalho motivante e bem-pago.
Contudo, isto é na teoria. Porque na prática, em Portugal, as coisas não vão funcionar assim. Infelizmente, os economistas esquecem-se sempre disso. Para começar, não há empregos motivantes e/ou bem-pagos - pois não há empresas que criem esse tipo de postos de trabalho. Precisamos de empresas empreendedoras, que cresçam para o estrangeiro e que precisem de funcionários que pensem, e não de funcionários que façam trabalho pesado.
José Sócrates - um verdadeiro cadáver político à espera que a Morte lhe ceife a vida - nunca compreendeu, como aliás os seus sucessores, que o problema do desemprego era (e é) a falta de empresas inovadoras, falta esta que é causada pela falta de financiamento e de incentivos para empreendedores das classes média e baixa (pois não é a classe alta que irá inovar).
Passos Coelho - o já intitulado futuro primeiro-ministro - afirma que o Estado não deve colocar as mãos na Economia. Sim senhor, estamos bem-servidos!
A primeira reacção face a estas propostas é a de oposição. "Facilitar os despedimentos? Nem pensar!". Porém, é preciso ter em conta que, hoje em dia, se um patrão quiser mesmo despedir alguém, ainda que sem justa causa, ele consegue. Já ouviram falar do "mobbing"? Pois bem, é uma forma de bullying realizada pelos patrões sobre os empregados - que acabam por se fartar e despedem-se. Isto quando os patrões não inventam uma "justa causa" para despedir trabalhadores.
Além disso, em teoria, isto iria também facilitar as contratações, já que os patrões não teriam medo de não conseguirem despedir os funcionários mais tarde. É também preciso ver que hoje em dia já não há empregos para a vida. O que não é mau, desde que se tenha sempre um trabalho motivante e bem-pago.
Contudo, isto é na teoria. Porque na prática, em Portugal, as coisas não vão funcionar assim. Infelizmente, os economistas esquecem-se sempre disso. Para começar, não há empregos motivantes e/ou bem-pagos - pois não há empresas que criem esse tipo de postos de trabalho. Precisamos de empresas empreendedoras, que cresçam para o estrangeiro e que precisem de funcionários que pensem, e não de funcionários que façam trabalho pesado.
José Sócrates - um verdadeiro cadáver político à espera que a Morte lhe ceife a vida - nunca compreendeu, como aliás os seus sucessores, que o problema do desemprego era (e é) a falta de empresas inovadoras, falta esta que é causada pela falta de financiamento e de incentivos para empreendedores das classes média e baixa (pois não é a classe alta que irá inovar).
Passos Coelho - o já intitulado futuro primeiro-ministro - afirma que o Estado não deve colocar as mãos na Economia. Sim senhor, estamos bem-servidos!
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
Morreu um Incompetente (Ernâni Lopes)
Foi hoje enterrado um velho ministro das finanças português, Ernâni Lopes.
Como não podia deixar de ser, toda a gente gabou o defunto, exaltando as suas supostas qualidades. A sua morte é uma grande perda para o país, disseram vários sujeitos.
Bom, na minha opinião, a morte deste incompetente não me mete nenhuma pena, muito pelo contrário. Este velho manhoso fazia parte daquele grupo de economistas que já foram ministros e que agora andam por aí a atirar postas de pescada e bitaites sem fundamento. Gajos tipo o Medina Carreira ou o Eduardo Catroga.
Não é irónico ouvi-los dizer, com um ar indignado, que somos mal governados, que os políticos deveriam fazer X ou Y, quando eles próprios já desempenharam altos-cargos públicos e nada fizeram para desenvolver o país?
"Ah, e tal, isto é tudo uma pouca vergonha, o governo devia era de aumentar as exportações e acabar com o desemprego!", grita o Medina, o Catroga, e este palhaço que morreu agora, o Ernâni. Curiosamente, quando eram ministros das finanças ou da economia, não fizeram nada disso! Aliás, foi graças à incompetência destes velhos babosos que a nossa economia chegou a esta lamentável situação.
Também acho engraçadas as propostas destes senhores: "temos de diminuir a depesa pública, aumentar as exportações e acabar com o desemprego". Uau, a sério? E foi preciso tirar uma licenciatura em Economia para chegar a essas conclusões? Fantástico! Bom, já agora, vou mais longe e digo que temos de desenvolver o país e fazer as pessoas felizes!
Pois é, a verdade é que estes Ernânis, Medinas e Catrogas sabem as metas que qualquer idiota sabe que têm de ser atingidas - mais exportações, menos importações, menos défice, menos desemprego - mas não fazem a menor ideia de quais são as medidas que devem ser tomadas para atingir esses objectivos. Não o sabem hoje, nem o sabiam quando eram ministros, e foi graças a essa incompetência que hoje a nossa economia é baseada em construtoras civis, supermercados e infra-estruturas privatizadas pelo Estado.
PS: Bom, ao menos o gajo morreu antes de se reformar. É menos uma pensão milionária que o Estado terá de pagar.
Como não podia deixar de ser, toda a gente gabou o defunto, exaltando as suas supostas qualidades. A sua morte é uma grande perda para o país, disseram vários sujeitos.
Bom, na minha opinião, a morte deste incompetente não me mete nenhuma pena, muito pelo contrário. Este velho manhoso fazia parte daquele grupo de economistas que já foram ministros e que agora andam por aí a atirar postas de pescada e bitaites sem fundamento. Gajos tipo o Medina Carreira ou o Eduardo Catroga.
Não é irónico ouvi-los dizer, com um ar indignado, que somos mal governados, que os políticos deveriam fazer X ou Y, quando eles próprios já desempenharam altos-cargos públicos e nada fizeram para desenvolver o país?
"Ah, e tal, isto é tudo uma pouca vergonha, o governo devia era de aumentar as exportações e acabar com o desemprego!", grita o Medina, o Catroga, e este palhaço que morreu agora, o Ernâni. Curiosamente, quando eram ministros das finanças ou da economia, não fizeram nada disso! Aliás, foi graças à incompetência destes velhos babosos que a nossa economia chegou a esta lamentável situação.
Também acho engraçadas as propostas destes senhores: "temos de diminuir a depesa pública, aumentar as exportações e acabar com o desemprego". Uau, a sério? E foi preciso tirar uma licenciatura em Economia para chegar a essas conclusões? Fantástico! Bom, já agora, vou mais longe e digo que temos de desenvolver o país e fazer as pessoas felizes!
Pois é, a verdade é que estes Ernânis, Medinas e Catrogas sabem as metas que qualquer idiota sabe que têm de ser atingidas - mais exportações, menos importações, menos défice, menos desemprego - mas não fazem a menor ideia de quais são as medidas que devem ser tomadas para atingir esses objectivos. Não o sabem hoje, nem o sabiam quando eram ministros, e foi graças a essa incompetência que hoje a nossa economia é baseada em construtoras civis, supermercados e infra-estruturas privatizadas pelo Estado.
PS: Bom, ao menos o gajo morreu antes de se reformar. É menos uma pensão milionária que o Estado terá de pagar.
sábado, 13 de novembro de 2010
Dez Medidas para Equilibrar as Contas Públicas
1. Renovar o Estado Social
Uma das fatias maiores da despesa pública são os custos com a Educação e a Saúde. É óbvio que o Estado deve continuar a garantir o acesso a estes bens às classes baixa e média. Contudo, o facto do Estado ser o dono dos hospitais e das escolas torna difícil uma gestão eficaz destes serviços. Além disso, o nosso Estado-Providência segue uma premissa errada: é dito que se deve assegurar gratuitamente o acesso à Educação e à Saúde a TODOS os cidadãos. Ora, é evidente que os cidadãos da classe alta não deveriam estar abrangidos. Todavia, há muitas escolas privadas que recbem subsídios públicos. Há também médicos que usam os recursos dos hospitais públicos para servir os clientes do sector privado. Se todos os hospitais, centros de saúde, e escolas preparatórias e secundárias fossem privatizadas (embora não totalmente; o Estado deveria manter algumas acções), o Estado encaixaria milhares de milhões que poderiam ser investidos em aplicações financeiras, gerando assim ainda mais receita. Essa receita iria ajudar a pagar bolsas de estudos e seguros de saúde aos cidadãos das classes baixa e média. Além disso, desde que cada hospital e escola fosse vendido a entidades diferentes, haveria concorrência, o que iria incentivar a diminuição dos preços e o aumento da qualidade. Finalmente, o facto de serem privados iria acabar com a imobilidade e impunidade que alguns dos funcionários possuem actualmente devido ao facto de serem funcionários públicos.
2. Taxar Luxos, Vícios e Futilidades
Aumentar o IVA sobre produtos alimentares, por exemplo, é algo muito negativo. Mas há certos bens e serviços cujo aumento da carga fiscal seria bem aceite pela sociedade e que teriam impactos menos prejudiciais para a economia. Produtos de luxo (automóveis de gama alta, por exemplo), vícios (tabaco, jogo, etc.) e futilidades (cirurgias estéticas ou ourivesaria e joalharia, por exemplo).
3. Regular Actividades Marginais
O consumo de droga foi despenalizado há uma década. A prostituição foi legalizada nos anos 80. A alteração/personalização de certos elementos dos veículos (tunning) não tem ainda um enquadramento jurídico bem organizado. Estas são actividades que, dado que são toleradas pelo Estado, deveriam ser reguladas (especialmente tendo em conta os perigos que lhes estão associadas) e, além disso, taxadas. Seria também interessante permitir a personalização de matrículas, como se faz nos EUA, a troco do pagamento de uma taxa.
4. Alterar o Sistema de Financiamento Público
Actualmente, o financiamento das câmaras, empresas públicas e instituições funciona da seguinte maneira: o governo, através do orçamento de Estado, distribui dinheiro por cada organismo - por exemplo, uma câmara recebe dez milhões. Isto significa que, se desejar fazer um projecto que ultrapasse esses dez milhões, a câmara terá de se endividar junto da banca. Por outro lado, também pode acontecer o oposto: a câmara não precisava de gastar dez milhões naquele ano, mas, como tem o dinheiro, vai acabar por gastá-lo. Isto é uma gestão muito ineficiente. O que deveria acontecer era o seguinte: haveria um orçamento base, que era calculado tendo em conta os custos fixos que cada organização tem de pagar num ano (os salários dos funcionários, rendas, seguros, etc.). Depois, sempre que fosse preciso realizar um gasto extraordinário, essa organização iria comunicar ao minstério responsável o que pretendia fazer e, se o ministério achasse que o gasto seria útil, transferia o dinheiro necessário para o organismo em questão. Da mesma forma, sempre que um organismo tivesse receita, ela deveria ser imediatamente transferida para o Estado central.
5. Taxar as Receitas das Igrejas
As organizações religiosas - incluindo a Igreja Católica - não podem continuar a escapar ao pagamento dos impostos - especialmente quando o Santuário de Fátima gera milhões todos os anos ou quando há seitas como a IURD ou a Igreja Maná que se dedicam a explorar economicamente os seus fiéis. Assim sendo, é de louvar que o actual governo esteja a pensar aplicar esta medida.
6. Vender as Reservas de Ouro
Dado que Portugal possui uma reserva de ouro tão grande para um país tão pequeno, e tendo em conta que o preço do ouro tem atingido recordes históricos, seria obviamente vantajoso vender as algumas das reservas e investir as receitas em aplicações financeiras, de modo a gerar dividendos para o Estado.
7. Cortar os Subsídios à Cultura Erudita
O minstério da cultura sustenta, através de subsídios, uma série de artistas e associações culturais de carácter erudito. Ora, tendo em conta o nosso défice e sabendo que quem aprecia cultura erudita é uma minoria abastada que poderia pagar (e bem) aos artistas, seria proveitoso acabar com essa despesa, devendo este ministério focar-se no financiamento do IGESPAR e do IMC.
8. Re-estruturar os Organismos Públicos
Há dois grandes problemas com os organismo do Estado: em primeiro lugar, há demasiados organismos - e muitos até têm funções repetitivas; em segundo, gasta-se muito dinheiro com os grandes executivos - todas as instituições têm presidentes, conselhos de administração, vários departamentos inúteis com um director cada - e depois há as ajudas de custo, os automóveis e os telemóveis dos organismos, as festas de natal e de páscoa, etc. Para resolver a primeira questão, deveriam ser extintas instuições inúteis (como aliás o actual governo já começou a fazer) e unir alguns organismos - por exemplo, unir o IGESPAR ao IMC, unir as várias Inspecções-Gerais à ASAE, unir as freguesias com poucos habitantes, etc. Depois, seria necessário acabar com as mordomias, vender a frota autmóvel (os altos-cargos têm ordenados bons o suficiente para comprarem a sua própria viatura e para viverem sem recurso às ajudas de custo) e acabar com os cargos executivos que existem a mais (presidentes, directores, adnministradores, etc.). Finalmente, seria fundamental avaliar a utilidade de todas as empresas públicas e ponderar o fecho ou a privatização das mesmas.
9. Rentabilizar as Forças Armadas e as Prisões
Isto é algo que eu já referi várias vezes aqui no blog... primeiro, não abrir novas vagas nas Forças Armadas até ao fim da crise. Segundo, apostar apenas em forças com utilidade prática, como por exemplo a GNR ou os GOE (as quais são de facto úteis para o combate ao crime e ao terrorismo) ou a Força Aérea (essencial para guardar o nosso espaço aéreo), e diminuir gradualmente o número de militares nas forças "antiquadas" (a infantaria, por exemplo). Entretanto, todos os presos deveriam cumprir horas de trabalho comunitário não-remunerado (limpar matas, desimpedir linhas de água, recolher lixo, etc.), guardados e supervisionados por militares. O número de horas de trabalho comunitário seria proporcional à gravidade dos crimes cometidos. Finalmente, todos os estrangeiros condenados em tribunal deveriam cumprir a pena no seu país de origem (para que não tenha de ser o nosso Estado a sustentar a sua estadia na prisão).
10. Criar um Imposto sobre Grandes Empresas de Bens Não-Transaccionáveis
Bens não-transaccionáveis são aqueles que não contribuem para um saldo positivo na balança comercial. Empresas deste género incluem os bancos, as construtoras, os hiper e supermercados, as telecomunicações e a energia. Basicamente, são as infraestruturas dum país. São negócios que dificilmente se expandem para outros mercados, mas que, todavia, geram sempre grandes lucros, pois são serviços essenciais. Infelizmente, em Portugal, a elite (os "muito ricos") aproveita-se do baixo risco deste sector e, em vez de investirem em empresas que pudessem exportar (ou abrir balcões noutros países, ou até atrair turistas estrangeiros), limitam-se a apostar nos bens não-transaccionáveis. Um imposto especial não iria apenas gerar mais receita para o Estado, como iria também dissuadir as nossas elites de continuarem a seguir o "caminho fácil" dos bens não-transaccionáveis.
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Sete Razões Porque Portugal Está no Fundo
1. Ignorância de que a Economia é uma Ciência Social
Durante décadas, Portugal tem sido governado por economistas de má qualidade. Não por serem corruptos ou demagogos, mas porque se esqueceram de algo essencial: a economia é uma ciência social, e não uma ciência exacta. É que, enquanto que as leis das ciências exactas (física, química, etc.) são universais, funcionando da mesma forma em todo o planeta (a água é sempre H2O), já as leis da economia variam conforme o país. Infelizmente, os economistas ignoram este facto. A consequência disto é, por exemplo, termos gasto milhões construindo SCUTs e auto-estradas, achando que tal iria desenvolver a nossa economia, pois em países como a Alemanha ou os Estados Unidos isso levou a um crescimento económico - a questão é que, para o bem e para o mal, Portugal tem uma sociedade, uma cultura e uma estrutura económica que diferem muito das da Alemanha ou dos EUA, pelo que era de prever que os resultados destas medidas económicas corriam o risco de ser diferentes dos de outros países.
2. Importação Cega de Ideologias Políticas Estrangeiras
Todos os grandes partidos nacionais têm uma ideologia que defendem com um orgulho ingénuo. O PS é social-democrata. O PPD/PSD é neoliberal. O CDS-PP é democrata-cristão. O problema é que a social-democracia foi criada na Alemanha, por políticos alemães, tendo em conta as características da sociedade e economia alemãs e com o objectivo de resolver os problemas germânicos. Da mesma forma, o neoliberalismo foi criado no Reino Unido, por políticos britânicos, tendo em conta as características da sociedade e economia britânicas e com o objectivo de resolver os problemas da Grã-Bretanha. Tal como já disse no ponto anterior, Portugal é diferente da Alemanha e do Reino Unido. Os problemas são diferentes, a sociedade e a economia também. É curioso que alguns dos países europeus que, apesar de pequenos, têm maior sucesso, são aqueles que criam modelos políticos próprios - nomeadamente a Holanda, a Suíça e a Dinamarca.
3. Sistema Político que Recompensa Demagogos
Os dois partidos que partilham o poder - o PS e o PPD/PSD - possuem uma estrutura interna que promove e premeia a demagogia e o populismo. Os militantes que sobem na hierarquia partidária não são os que contribuem com ideias criativas para ajudar o país, mas sim os que lançam críticas destrutivas sobre as acções dos partidos rivais e que demonstram uma submissão total aos interesses eleitorais do partido. Isto leva a que os nossos líderes políticos sejam grandes politiqueiros, com grande habilidade oratória, mas que, todavia, quando chegam ao poder, não fazem a menor ideia de como resolver os complexos problemas nacionais, pois simplesmente não têm nem perfil nem qualificações para tal.
4. Partidos Estagnados Intelectualmente
Para além do facto de serem liderados por populistas e de possuírem ideologias copiadas de países com características muito diferentes das do nosso, os partidos têm também um grande defeito: estão presos a um determinado conjunto de medidas. Ou seja, o PPD/PSD só sabe resolver os problemas com privatizações e com diminuição de impostos, enquanto que o PS acha que a solução é sempre aumentar impostos e fazer mais obras públicas. Para além de estas medidas não funcionarem, pois foram plagiadas do estrangeiro sem qualquer preocupação em adaptá-las, a questão é que os partidos estão presos a uma ideologia específica - a social-democracia, o neoliberalismo, a democracia-cristã ou o comunismo - e, como incentivam a lealdade partidária em vez da criatividade, os nossos partidos não evoluem, sendo por isso incapazes de apresentar novas soluções para os nossos problemas.
5. Elite Capitalista Cobarde e Tacanha
A maioria dos nossos milionários não enriqueceu devido ao mérito ou ao talento, mas sim devido à sorte (como é o caso de Belmiro de Azevedo) ou porque herdaram a fortuna (como acontece com os Mello ou os Espírito Santo). Como tal, a nossa elite financeira não conhece o valor da criatividade, pelo que não está interessada em arriscar dinheiro a financiar a criação de empresas inovadoras. Em vez disso, preferem comprar acções de antigas empresas públicas, que têm o lucro garantido (como a EDP ou a Galp) e que, ainda por cima, não contribuem para que a balança comercial tenha um saldo positivo.
6. Tecido Empresarial Dedicado a Bens Não-Transaccionáveis
Quais são as principais empresas portuguesas? São os bancos, as construtoras civis, os super e hipermercados, as empresas de telecomunicações e de energias. Estas empresas são essenciais; contudo, elas não produzem riqueza. Elas não criam nada que possa ser exportado. Elas não atraem turistas. Elas têm dificuldade em se expandir para outros países (as nações desenvolvidas já possuem este tipo de infraestruturas; o terceiro mundo ainda não precisa delas). Ou seja, estas empresas, apesar de serem muito grandes, não ajudam a nossa balança comercial, pois não permitem ir buscar dinheiro do exterior.
7. Exportações Não se Adaptaram ao Euro
As empresas dedicadas à produção de bens transancionáveis - ou seja, produtos que se podem exportar - estiveram sempre numa posição muito frágil em Portugal. Porém, antes do Euro, tínhamos uma vantagem: a nossa moeda estava sempre a desvalorizar, o que significava que as nossas exportações tinham preços competitivos, enquanto que as importações eram demasiado caras. Com o Euro, isso acabou. A nova moeda é das mais valiosas do mundo, e o governo não tomou medidas para assegurar uma transição de sucesso. Deveríamos ter apostado em produtos com mais qualidade, dado que eles se tornaram mais caros devido ao Euro. Deveríamos também ter aproveitado o poder da nova moeda para investirmos em países menos desenvolvidos. E, finalmente, deveríamos saber que países com uma moeda poderosa - como o nosso - não podem ficar à espera do "investimento estrangeiro"; nós é que devemos investir e criar empresas portuguesas que se expandam internacionalmente.
Durante décadas, Portugal tem sido governado por economistas de má qualidade. Não por serem corruptos ou demagogos, mas porque se esqueceram de algo essencial: a economia é uma ciência social, e não uma ciência exacta. É que, enquanto que as leis das ciências exactas (física, química, etc.) são universais, funcionando da mesma forma em todo o planeta (a água é sempre H2O), já as leis da economia variam conforme o país. Infelizmente, os economistas ignoram este facto. A consequência disto é, por exemplo, termos gasto milhões construindo SCUTs e auto-estradas, achando que tal iria desenvolver a nossa economia, pois em países como a Alemanha ou os Estados Unidos isso levou a um crescimento económico - a questão é que, para o bem e para o mal, Portugal tem uma sociedade, uma cultura e uma estrutura económica que diferem muito das da Alemanha ou dos EUA, pelo que era de prever que os resultados destas medidas económicas corriam o risco de ser diferentes dos de outros países.
2. Importação Cega de Ideologias Políticas Estrangeiras
Todos os grandes partidos nacionais têm uma ideologia que defendem com um orgulho ingénuo. O PS é social-democrata. O PPD/PSD é neoliberal. O CDS-PP é democrata-cristão. O problema é que a social-democracia foi criada na Alemanha, por políticos alemães, tendo em conta as características da sociedade e economia alemãs e com o objectivo de resolver os problemas germânicos. Da mesma forma, o neoliberalismo foi criado no Reino Unido, por políticos britânicos, tendo em conta as características da sociedade e economia britânicas e com o objectivo de resolver os problemas da Grã-Bretanha. Tal como já disse no ponto anterior, Portugal é diferente da Alemanha e do Reino Unido. Os problemas são diferentes, a sociedade e a economia também. É curioso que alguns dos países europeus que, apesar de pequenos, têm maior sucesso, são aqueles que criam modelos políticos próprios - nomeadamente a Holanda, a Suíça e a Dinamarca.
3. Sistema Político que Recompensa Demagogos
Os dois partidos que partilham o poder - o PS e o PPD/PSD - possuem uma estrutura interna que promove e premeia a demagogia e o populismo. Os militantes que sobem na hierarquia partidária não são os que contribuem com ideias criativas para ajudar o país, mas sim os que lançam críticas destrutivas sobre as acções dos partidos rivais e que demonstram uma submissão total aos interesses eleitorais do partido. Isto leva a que os nossos líderes políticos sejam grandes politiqueiros, com grande habilidade oratória, mas que, todavia, quando chegam ao poder, não fazem a menor ideia de como resolver os complexos problemas nacionais, pois simplesmente não têm nem perfil nem qualificações para tal.
4. Partidos Estagnados Intelectualmente
Para além do facto de serem liderados por populistas e de possuírem ideologias copiadas de países com características muito diferentes das do nosso, os partidos têm também um grande defeito: estão presos a um determinado conjunto de medidas. Ou seja, o PPD/PSD só sabe resolver os problemas com privatizações e com diminuição de impostos, enquanto que o PS acha que a solução é sempre aumentar impostos e fazer mais obras públicas. Para além de estas medidas não funcionarem, pois foram plagiadas do estrangeiro sem qualquer preocupação em adaptá-las, a questão é que os partidos estão presos a uma ideologia específica - a social-democracia, o neoliberalismo, a democracia-cristã ou o comunismo - e, como incentivam a lealdade partidária em vez da criatividade, os nossos partidos não evoluem, sendo por isso incapazes de apresentar novas soluções para os nossos problemas.
5. Elite Capitalista Cobarde e Tacanha
A maioria dos nossos milionários não enriqueceu devido ao mérito ou ao talento, mas sim devido à sorte (como é o caso de Belmiro de Azevedo) ou porque herdaram a fortuna (como acontece com os Mello ou os Espírito Santo). Como tal, a nossa elite financeira não conhece o valor da criatividade, pelo que não está interessada em arriscar dinheiro a financiar a criação de empresas inovadoras. Em vez disso, preferem comprar acções de antigas empresas públicas, que têm o lucro garantido (como a EDP ou a Galp) e que, ainda por cima, não contribuem para que a balança comercial tenha um saldo positivo.
6. Tecido Empresarial Dedicado a Bens Não-Transaccionáveis
Quais são as principais empresas portuguesas? São os bancos, as construtoras civis, os super e hipermercados, as empresas de telecomunicações e de energias. Estas empresas são essenciais; contudo, elas não produzem riqueza. Elas não criam nada que possa ser exportado. Elas não atraem turistas. Elas têm dificuldade em se expandir para outros países (as nações desenvolvidas já possuem este tipo de infraestruturas; o terceiro mundo ainda não precisa delas). Ou seja, estas empresas, apesar de serem muito grandes, não ajudam a nossa balança comercial, pois não permitem ir buscar dinheiro do exterior.
7. Exportações Não se Adaptaram ao Euro
As empresas dedicadas à produção de bens transancionáveis - ou seja, produtos que se podem exportar - estiveram sempre numa posição muito frágil em Portugal. Porém, antes do Euro, tínhamos uma vantagem: a nossa moeda estava sempre a desvalorizar, o que significava que as nossas exportações tinham preços competitivos, enquanto que as importações eram demasiado caras. Com o Euro, isso acabou. A nova moeda é das mais valiosas do mundo, e o governo não tomou medidas para assegurar uma transição de sucesso. Deveríamos ter apostado em produtos com mais qualidade, dado que eles se tornaram mais caros devido ao Euro. Deveríamos também ter aproveitado o poder da nova moeda para investirmos em países menos desenvolvidos. E, finalmente, deveríamos saber que países com uma moeda poderosa - como o nosso - não podem ficar à espera do "investimento estrangeiro"; nós é que devemos investir e criar empresas portuguesas que se expandam internacionalmente.
domingo, 31 de outubro de 2010
Captain Hindsight
A semana passada estreou um novo episódio de uma série que eu aprecio bastante - South Park. Este foi um episódio bastante interessante, e é por isso que decidi abordá-lo neste texto.
O episódio chama-se "Captain Hindsight". A história é simples, mas muito inteligente: surgiu na cidade de South Park um novo super-herói, conhecido como Captain Hindsight (capitão retrospectiva), que possui um método muito curioso para "ajudar" a resolver catástrofes... em vez de salvar as vítimas, ele limita-se a apontar aquilo que deveria ter sido feito para evitar a desgraça. É óbvio que é tarde demais para que aqueles conselhos sejam úteis; todavia, toda a gente aplaude e venera o Captain Hindsight.
Este "capitão retrospectiva" foi criado para criticar os comentadores políticos que criticam aquilo que não foi feito (o que é bastante fácil de se fazer, o difícil é prever as coisas) e que são incapazes de apontar caminhos para resolver os problemas.
É muito fácil apontar as razões que levaram Portugal a este triste estado. Mais complicado - mas mais útil - é dizer aquilo que se pode fazer para sairmos da crise.
PS: Parece que a oposição aprovou uma medida que acho muito positiva e que merece os meus parabéns: o orçamento de estado de 2012 (que será discutido daqui a um ano) será um Orçamento de Base Zero - provavelmente o primeiro deste género desde há várias décadas. Se o processo for bem conduzido, será possível acabar com muito desperdício.
O episódio chama-se "Captain Hindsight". A história é simples, mas muito inteligente: surgiu na cidade de South Park um novo super-herói, conhecido como Captain Hindsight (capitão retrospectiva), que possui um método muito curioso para "ajudar" a resolver catástrofes... em vez de salvar as vítimas, ele limita-se a apontar aquilo que deveria ter sido feito para evitar a desgraça. É óbvio que é tarde demais para que aqueles conselhos sejam úteis; todavia, toda a gente aplaude e venera o Captain Hindsight.
Este "capitão retrospectiva" foi criado para criticar os comentadores políticos que criticam aquilo que não foi feito (o que é bastante fácil de se fazer, o difícil é prever as coisas) e que são incapazes de apontar caminhos para resolver os problemas.
É muito fácil apontar as razões que levaram Portugal a este triste estado. Mais complicado - mas mais útil - é dizer aquilo que se pode fazer para sairmos da crise.
PS: Parece que a oposição aprovou uma medida que acho muito positiva e que merece os meus parabéns: o orçamento de estado de 2012 (que será discutido daqui a um ano) será um Orçamento de Base Zero - provavelmente o primeiro deste género desde há várias décadas. Se o processo for bem conduzido, será possível acabar com muito desperdício.
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
À Beira do Abismo
Os politiqueiros do PS e do PSD continuam a brincar com o fogo, colocando os interesses partidários à frente do interesse nacional, de uma forma que é verdadeiramente obscena.
Como é possível que, sabendo que os mercados têm Portugal debaixo de olho, os dois principais partidos se possam dar ao luxo de não chegarem a acordo. Sinceramente, eu gostaria de saber que raio andaram eles a fazer durante as horas que gastaram em negociações durante esta semana.
Mais curioso é o facto de muitos economistas da treta e ricalhaços se juntarem ao labrego comum, afirmando que "é melhor que o FMI cá venha endireitar as coisas". Quanta idiotice. Com riquinhos destes, não é de admirar que o país nunca tenha ido para a frente e se encontre actualmente nesta lamentável situação.
Neste momento, está o incompetente do Sócrates na cimeira da União Europeia, sem acordo para o orçamento, deixando Portugal envergonhado frente à Alemanha e à França. Isto para não falar da imprensa internacional, cujas notícias embaraçam o nosso país. Será que nem Passos Coelho nem Sócrates têm vergonha na cara? Para eles, é mais importante o resultado das sondagens do que a queda do prestígio do país.
E os outros partidos da oposição? Bom, esses provam que não servem para nada, senão para fazer isso mesmo: oposição. Sejam os ignorantes dos comunas, os intelectualóides da esquerda caviar, os demagogos da democracia-cristã ou os dois paspalhos ecologistas, ninguém está disponível para fazer um sacríficio em nome do país.
Vocês perguntarão: então e tu, também só mandas bitaites? Não, o Blog Jibóias, apesar do conteúdo adulto, sempre se preocupou em apresentar propostas - é certo que estas não chegarão aos políticos, mas servem para demonstrar que, se os nossos governantes utilizassem a criatividade em vez de plagiarem as políticas da Alemanha e de França, poderíamos estar bem melhor: regular e taxar a prostituição (que aliás já se encontra despenalizada há mais de 25 anos), regular e taxar a venda de drogas leves (cujo consumo é legal há dez anos), vender algumas reservas de ouro e privatizar merda inútil (ANA, CP, TAP, empresas municipais) investindo as receitas em acções das grandes empresas da bolsa portuguesa, pôr os estrangeiros condenados a cumprir pena no seu país de origem (assim não teríamos de sustentar 20% da população das prisões), taxar as receitas das seitas e instituições religiosas (incluindo a Igreja Católica, a IURD e a Igreja Maná), permitir a personalização de partes dos automóveis (por exemplo, a matrícula) mediante o pagamento de uma taxa, controlar com punho de ferro os gastos das Câmaras Municipais, começar a cortar o máximo possível nas Forças Armadas, obrigar os presos a realizar serviço comunitário não-remunerado (número de horas de trabalho proporcional à gravidade dos crimes cometidos), fechar a torneira do rendimento mínimo, cortar nas mordomias dos políticos e dos gestores públicos, acabar com os subsídios para "artistas" eruditos...
Enfim, é tanta coisa que poderia ser feita para se conseguir receita para o Estado... mas, é claro, na Alemanha e na França nunca se lembraram de fazer isto (nem têm necessidade de o fazer), e como os nossos políticos nem têm criatividade nem estão empenhados, temos de nos contentar em ver o barco a naufragar porque o PSD acha que perde votos se viabilizar um orçamento medíocre e o PS acha que ganha votos se se fizer passar por coitadinho.
Como é possível que, sabendo que os mercados têm Portugal debaixo de olho, os dois principais partidos se possam dar ao luxo de não chegarem a acordo. Sinceramente, eu gostaria de saber que raio andaram eles a fazer durante as horas que gastaram em negociações durante esta semana.
Mais curioso é o facto de muitos economistas da treta e ricalhaços se juntarem ao labrego comum, afirmando que "é melhor que o FMI cá venha endireitar as coisas". Quanta idiotice. Com riquinhos destes, não é de admirar que o país nunca tenha ido para a frente e se encontre actualmente nesta lamentável situação.
Neste momento, está o incompetente do Sócrates na cimeira da União Europeia, sem acordo para o orçamento, deixando Portugal envergonhado frente à Alemanha e à França. Isto para não falar da imprensa internacional, cujas notícias embaraçam o nosso país. Será que nem Passos Coelho nem Sócrates têm vergonha na cara? Para eles, é mais importante o resultado das sondagens do que a queda do prestígio do país.
E os outros partidos da oposição? Bom, esses provam que não servem para nada, senão para fazer isso mesmo: oposição. Sejam os ignorantes dos comunas, os intelectualóides da esquerda caviar, os demagogos da democracia-cristã ou os dois paspalhos ecologistas, ninguém está disponível para fazer um sacríficio em nome do país.
Vocês perguntarão: então e tu, também só mandas bitaites? Não, o Blog Jibóias, apesar do conteúdo adulto, sempre se preocupou em apresentar propostas - é certo que estas não chegarão aos políticos, mas servem para demonstrar que, se os nossos governantes utilizassem a criatividade em vez de plagiarem as políticas da Alemanha e de França, poderíamos estar bem melhor: regular e taxar a prostituição (que aliás já se encontra despenalizada há mais de 25 anos), regular e taxar a venda de drogas leves (cujo consumo é legal há dez anos), vender algumas reservas de ouro e privatizar merda inútil (ANA, CP, TAP, empresas municipais) investindo as receitas em acções das grandes empresas da bolsa portuguesa, pôr os estrangeiros condenados a cumprir pena no seu país de origem (assim não teríamos de sustentar 20% da população das prisões), taxar as receitas das seitas e instituições religiosas (incluindo a Igreja Católica, a IURD e a Igreja Maná), permitir a personalização de partes dos automóveis (por exemplo, a matrícula) mediante o pagamento de uma taxa, controlar com punho de ferro os gastos das Câmaras Municipais, começar a cortar o máximo possível nas Forças Armadas, obrigar os presos a realizar serviço comunitário não-remunerado (número de horas de trabalho proporcional à gravidade dos crimes cometidos), fechar a torneira do rendimento mínimo, cortar nas mordomias dos políticos e dos gestores públicos, acabar com os subsídios para "artistas" eruditos...
Enfim, é tanta coisa que poderia ser feita para se conseguir receita para o Estado... mas, é claro, na Alemanha e na França nunca se lembraram de fazer isto (nem têm necessidade de o fazer), e como os nossos políticos nem têm criatividade nem estão empenhados, temos de nos contentar em ver o barco a naufragar porque o PSD acha que perde votos se viabilizar um orçamento medíocre e o PS acha que ganha votos se se fizer passar por coitadinho.
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Hannah Minx
Hoje, para variar, em vez de mandar mais bitaites sobre o Orçamento de Estado (o qual espero ser aprovado por Passos Coelho, dado ser evidente que é preferível termos um "mau" orçamento a termos uma queda do governo, uma descida de rating, um país sem orçamento e uma visita do FMI), acerca do qual eu já discuti aqui, vou mostrar-vos uma bela jibóia que produz uns vídeos muito interessantes no Youtube...
O nome desta jeitosa é Hannah Minx. Supostamente, os seus vídeos servem para ensinar japonês e para difundir a cultura nipónica. Todavia, é óbvio que o que atrai os espectadores é o belo par de activos da rapariga.
Apesar de parecer uma miúda inocente, o facto de ela surgir sempre com um enorme decote prova que este canal - que tem bastantes visualizações - não foi pensado ao acaso. Hannah Minx decidiu juntar alguns dos elementos mais populares da Internet - vlogs, cultura japonesa e gajas - e conseguiu uma receita destinada ao sucesso.
Nós aqui no Blog Jibóias também tentamos fazer uma mistura semelhante. Esperemos alcançar o mesmo sucesso desta astuta gazela (que actualmente já ganha algum dinheiro com o seu canal do Youtube)!
O nome desta jeitosa é Hannah Minx. Supostamente, os seus vídeos servem para ensinar japonês e para difundir a cultura nipónica. Todavia, é óbvio que o que atrai os espectadores é o belo par de activos da rapariga.
Apesar de parecer uma miúda inocente, o facto de ela surgir sempre com um enorme decote prova que este canal - que tem bastantes visualizações - não foi pensado ao acaso. Hannah Minx decidiu juntar alguns dos elementos mais populares da Internet - vlogs, cultura japonesa e gajas - e conseguiu uma receita destinada ao sucesso.
Nós aqui no Blog Jibóias também tentamos fazer uma mistura semelhante. Esperemos alcançar o mesmo sucesso desta astuta gazela (que actualmente já ganha algum dinheiro com o seu canal do Youtube)!
sábado, 25 de setembro de 2010
A República: Cem Anos de Incompetência
Hoje comemoram-se, com grande pompa e circunstância, os cem anos da república. Fala-se tanto neste centenário, que o cidadão comum fica até com a sensação que a primeira república foi um marco que revolucionou a nossa história.
Todavia, a verdade é que, se há alguma coisa que a primeira república nos deixou, foi o exemplo daquilo que a classe política não deve nunca fazer se pretende ser respeitada e se deseja realmente desenvolver o país.
Em primeiro lugar, aquilo que se comemora hoje não foi uma revolução, mas sim um golpe de estado realizado por aquilo a que hoje se chamariam terroristas - os carbonários - e encabeçado por uma elite intelectual, totalmente desligada das reais dificuldades do povo português - os republicanos.
Quem eram, afinal, os republicanos? Heróis da história da democracia portuguesa? Longe disso. Os líderes do partido republicano português, eram, na melhor das hipóteses, idealistas incapazes de acordar para a realidade do país. Todavia, muitos eram apenas populistas e demagogos sedentos de poder, não hesitavando em usar a violência para alcançarem os seus objectivos pessoais.
Aquilo que muitos portugueses não sabem é que Portgugal já era uma democracia há mais de meio século. O rei português não tinha muito mais poder do que a actual rainha de Inglaterra. Haviam eleições livres e haviam vários partidos. A ideia de que foi a primeira república que trouxe a democracia é um disparate.
Ironicamente, os últimos anos da república podem ser comparados com a última década do nosso país. Havia crise, havia instabilidade política, havia um monstruoso défice orçamental. Haviam também dois grandes partidos que se alternavam no poder - o Partido Progressista e o Partido Regenerador (um pouco como os actuais PS e PSD). Já o famoso partido republicano conseguia eleger apenas dois ou três gatos-pingados pelo círculo de Lisboa. As únicas eleições que os republicanos ganharam foram as autárquicas de Lisboa.
Neste contexto, o partido republicano português era um partido radical, com pouca visibilidade fora das elites intelectuais de Lisboa. Podemos comparar a importância e o comportamento deste partido com o do actual PNR. Apesar de terem uma ideologia diferente, os republicanos tinham grandes semelhanças com o PNR: era um partido pequeno, era populista, tinha ideiais radicais e era apoiado por movimentos violentos.
Tal como o actual PNR, que culpa os imigrantes por todos os nossos males, também o partido republicano tinha um bode expiatório para a crise - a monarquia. Contudo, da mesma maneira que o PNR não deixa de estar certo em relação a algumas das críticas que faz à imigração, também é preciso dizer que os republicanos tinham várias boas razões para criticar o rei. Contudo, isso não lhes dava o direito de acabar com a monarquia, da mesma forma que o PNR também não tem o direito de acabar com a imigração.
A crença republicana de que, ao substituir o rei por um presidente, a crise ia milagrosamente acabar - certamente julgavam que passaria a chover ouro e que do chão cresceriam diamantes - é uma ideia estúpida, especialmente se tivermos em conta que quem realmente governa - quer na monarquia, quer na república - é o primeiro-ministro, que já era escolhido através de eleições legislativas.
Assim, a pressa repúblicana em mudar de chefe de estado - uma medida básicamente simbólica, já que nem rei nem presidente possuem grande poder político -, em plena crise financeira, é apenas comparável à pressa do bloco de esquerda em alterar as leis que regulam os transexuais, quando devia era de estar preocupado com o orçamento de estado.
Os republicanos, além de possuírem uma ideologia demasiado idealista, eram também desavergonhadamente demagógicos. Antes de chegarem ao poder, prometeram a melhoria das condições de vida aos operários, apesar de saberem que a crise que o país atravessava iria tornar isso impossível. Prometeram dar mais direitos às mulheres, mas acabaram por negar-lhes o direito ao voto. Prometeram maior liberdade religiosa, mas acabaram perseguindo clérigos e reprimindo manifestações cristãs. Prometeram tornar Portugal num país mais democrático, mas censuraram a imprensa e prenderam opositores políticos (isto quando não os matavam).
Para chegarem ao poder, os republicanos alimentaram o monstro do terrorismo. A carbonária fez todo o trabalho sujo: mataram o rei e o príncipe herdeiro e organizaram o golpe de estado de 5 de Outubro. Tudo em troca da melhoria das condições de vida dos operários. Claro que, quando chegaram ao poder, os republicanos nem se preocuparam com os direitos dos trabalhadores, nem tinham a capacidade de colocar em prática medidas para desenvolver a economia, dado que a sua "ideologia" se resumia ao ódio à monarquia e à Igreja e não tinha soluções para os reais problemas do país: o défice, o analfabetismo, a debilidade da economia.
Os republicanos faziam parte da elite - eram meninos mimados, que viviam bem e que nunca trabalharam na vida. Estavam-se a marimbar para o povo. O problema é que o feitiço virou-se contra o feiticeiro e, quando os terroristas se aperceberam que tinham sido manipulados pelos republicanos, decidiram colocar o país a ferro e fogo - algo que só terminaria em 1926.
A situação piorou com a entrada de Portugal na Primeira Grande Guerra. Não deixa de ser irónico que os republicanos, que haviam criticado duramente a monarquia por ceder ao ultimato inglês, tivessem acabado eles próprios por se rebaixar perante as exigências das potências estrangeiras.
Apesar da suposta democracia da primeira república, o facto é que só havia um partido - o partido repúblicano português. Que raio de democracia esta em que só existe um único partido! E pensar que na monarquia havia multipartidarismo! Foi preciso fazer um golpe de estado - o 5 de Outubro - e acabar com os partidos concorrentes para que os republicanos conseguissem ganhas as eleições legislativas. Apesar disso, e devido principalmente à sede de poder, o partido republicano dividiu-se. É como se, hoje em dia, só houvesse o PSD, mas este se dividisse em partido Passos-Coelhista, partido Santanista, e partido Ferreira-Leitista.
Em suma, para que o cidadão comum perceba o que aconteceu há cem anos:
Imaginem que um bando de terroristas se infiltravam nos quartéis militares da capital e faziam um golpe de estado, dando o poder a um partido pequeno, o PRP.
Imaginem que o povo, estando farto da crise e do PS e PSD, e apesar de não gostar muito do PRP (a maior parte nem sabe que este partido existe), ficava indiferente e deixava o golpe de estado vencer.
Imaginem que o PRP proibía todos os outros partidos, criava uma milícia para perseguir opositores, censurava os meios de comunicação e, cúmulo dos cúmulos, alterava os símbolos nacionais: o hino actual era substituído por uma hino do PRP, o euro era substituído por uma nova moeda, e até as cores da bandeira eram substituídos pelas cores do PRP.
Imaginem que o PRP não fazia nada para acabar com a crise e, ainda por cima, envolvia Portugal em guerras estrangeiras.
Imaginem que haviam eleições, mas os únicos partidos existentes eram o PRP e algumas cópias deste.
Imaginem que o PRP deixava de conseguir controlar as suas milícias e os seus grupos terroristas, e que estes começavam a semear a anarquia nas grandes cidades.
Imaginem que este suplício durava 16 anos e que, durante todo este tempo, nenhum governo do PRP tinha conseguido cumprir o seu mandato até ao fim, devido a querelas internas.
Isto foi o que aconteceu. Se merece ser comemorado? Talvez, mas nesse caso, porque não comemorar também o Vintismo, a Carta Constituicional ou até o Estado Novo?
Todavia, a verdade é que, se há alguma coisa que a primeira república nos deixou, foi o exemplo daquilo que a classe política não deve nunca fazer se pretende ser respeitada e se deseja realmente desenvolver o país.
Em primeiro lugar, aquilo que se comemora hoje não foi uma revolução, mas sim um golpe de estado realizado por aquilo a que hoje se chamariam terroristas - os carbonários - e encabeçado por uma elite intelectual, totalmente desligada das reais dificuldades do povo português - os republicanos.
Quem eram, afinal, os republicanos? Heróis da história da democracia portuguesa? Longe disso. Os líderes do partido republicano português, eram, na melhor das hipóteses, idealistas incapazes de acordar para a realidade do país. Todavia, muitos eram apenas populistas e demagogos sedentos de poder, não hesitavando em usar a violência para alcançarem os seus objectivos pessoais.
Aquilo que muitos portugueses não sabem é que Portgugal já era uma democracia há mais de meio século. O rei português não tinha muito mais poder do que a actual rainha de Inglaterra. Haviam eleições livres e haviam vários partidos. A ideia de que foi a primeira república que trouxe a democracia é um disparate.
Ironicamente, os últimos anos da república podem ser comparados com a última década do nosso país. Havia crise, havia instabilidade política, havia um monstruoso défice orçamental. Haviam também dois grandes partidos que se alternavam no poder - o Partido Progressista e o Partido Regenerador (um pouco como os actuais PS e PSD). Já o famoso partido republicano conseguia eleger apenas dois ou três gatos-pingados pelo círculo de Lisboa. As únicas eleições que os republicanos ganharam foram as autárquicas de Lisboa.
Neste contexto, o partido republicano português era um partido radical, com pouca visibilidade fora das elites intelectuais de Lisboa. Podemos comparar a importância e o comportamento deste partido com o do actual PNR. Apesar de terem uma ideologia diferente, os republicanos tinham grandes semelhanças com o PNR: era um partido pequeno, era populista, tinha ideiais radicais e era apoiado por movimentos violentos.
Tal como o actual PNR, que culpa os imigrantes por todos os nossos males, também o partido republicano tinha um bode expiatório para a crise - a monarquia. Contudo, da mesma maneira que o PNR não deixa de estar certo em relação a algumas das críticas que faz à imigração, também é preciso dizer que os republicanos tinham várias boas razões para criticar o rei. Contudo, isso não lhes dava o direito de acabar com a monarquia, da mesma forma que o PNR também não tem o direito de acabar com a imigração.
A crença republicana de que, ao substituir o rei por um presidente, a crise ia milagrosamente acabar - certamente julgavam que passaria a chover ouro e que do chão cresceriam diamantes - é uma ideia estúpida, especialmente se tivermos em conta que quem realmente governa - quer na monarquia, quer na república - é o primeiro-ministro, que já era escolhido através de eleições legislativas.
Assim, a pressa repúblicana em mudar de chefe de estado - uma medida básicamente simbólica, já que nem rei nem presidente possuem grande poder político -, em plena crise financeira, é apenas comparável à pressa do bloco de esquerda em alterar as leis que regulam os transexuais, quando devia era de estar preocupado com o orçamento de estado.
Os republicanos, além de possuírem uma ideologia demasiado idealista, eram também desavergonhadamente demagógicos. Antes de chegarem ao poder, prometeram a melhoria das condições de vida aos operários, apesar de saberem que a crise que o país atravessava iria tornar isso impossível. Prometeram dar mais direitos às mulheres, mas acabaram por negar-lhes o direito ao voto. Prometeram maior liberdade religiosa, mas acabaram perseguindo clérigos e reprimindo manifestações cristãs. Prometeram tornar Portugal num país mais democrático, mas censuraram a imprensa e prenderam opositores políticos (isto quando não os matavam).
Para chegarem ao poder, os republicanos alimentaram o monstro do terrorismo. A carbonária fez todo o trabalho sujo: mataram o rei e o príncipe herdeiro e organizaram o golpe de estado de 5 de Outubro. Tudo em troca da melhoria das condições de vida dos operários. Claro que, quando chegaram ao poder, os republicanos nem se preocuparam com os direitos dos trabalhadores, nem tinham a capacidade de colocar em prática medidas para desenvolver a economia, dado que a sua "ideologia" se resumia ao ódio à monarquia e à Igreja e não tinha soluções para os reais problemas do país: o défice, o analfabetismo, a debilidade da economia.
Os republicanos faziam parte da elite - eram meninos mimados, que viviam bem e que nunca trabalharam na vida. Estavam-se a marimbar para o povo. O problema é que o feitiço virou-se contra o feiticeiro e, quando os terroristas se aperceberam que tinham sido manipulados pelos republicanos, decidiram colocar o país a ferro e fogo - algo que só terminaria em 1926.
A situação piorou com a entrada de Portugal na Primeira Grande Guerra. Não deixa de ser irónico que os republicanos, que haviam criticado duramente a monarquia por ceder ao ultimato inglês, tivessem acabado eles próprios por se rebaixar perante as exigências das potências estrangeiras.
Apesar da suposta democracia da primeira república, o facto é que só havia um partido - o partido repúblicano português. Que raio de democracia esta em que só existe um único partido! E pensar que na monarquia havia multipartidarismo! Foi preciso fazer um golpe de estado - o 5 de Outubro - e acabar com os partidos concorrentes para que os republicanos conseguissem ganhas as eleições legislativas. Apesar disso, e devido principalmente à sede de poder, o partido republicano dividiu-se. É como se, hoje em dia, só houvesse o PSD, mas este se dividisse em partido Passos-Coelhista, partido Santanista, e partido Ferreira-Leitista.
Em suma, para que o cidadão comum perceba o que aconteceu há cem anos:
Imaginem que um bando de terroristas se infiltravam nos quartéis militares da capital e faziam um golpe de estado, dando o poder a um partido pequeno, o PRP.
Imaginem que o povo, estando farto da crise e do PS e PSD, e apesar de não gostar muito do PRP (a maior parte nem sabe que este partido existe), ficava indiferente e deixava o golpe de estado vencer.
Imaginem que o PRP proibía todos os outros partidos, criava uma milícia para perseguir opositores, censurava os meios de comunicação e, cúmulo dos cúmulos, alterava os símbolos nacionais: o hino actual era substituído por uma hino do PRP, o euro era substituído por uma nova moeda, e até as cores da bandeira eram substituídos pelas cores do PRP.
Imaginem que o PRP não fazia nada para acabar com a crise e, ainda por cima, envolvia Portugal em guerras estrangeiras.
Imaginem que haviam eleições, mas os únicos partidos existentes eram o PRP e algumas cópias deste.
Imaginem que o PRP deixava de conseguir controlar as suas milícias e os seus grupos terroristas, e que estes começavam a semear a anarquia nas grandes cidades.
Imaginem que este suplício durava 16 anos e que, durante todo este tempo, nenhum governo do PRP tinha conseguido cumprir o seu mandato até ao fim, devido a querelas internas.
Isto foi o que aconteceu. Se merece ser comemorado? Talvez, mas nesse caso, porque não comemorar também o Vintismo, a Carta Constituicional ou até o Estado Novo?
Depois das Vacas Magras, as Vacas Mortas?
O governo decidiu acordar e mexer-se, apresentando finalmente o seu plano de medidas de austeridade. Apesar da impopularidade destas medidas, é preciso lembrar aos portugueses que, tendo em conta o actual contexto do nosso país, estas medidas são essenciais e, na minha opinião, até são bastante brandas.
A medida que mais discórdia gera é o aumento do IVA de 21% para 23%. Contudo, é preciso ter em conta dois pontos: primeiro, esta medida permite um enorme aumento da receita do Estado. Em segundo lugar, esta medida quase que não se irá notar no dia-a-dia do cidadão comum (classes baixa e média). Os bens que normalmente consumimos com maior frequência custam apenas alguns euros, e um aumento de dois pontos percentuais, na pior das hipóteses, irá reflectir-se num aumento de poucos cêntimos no preço dos produtos. Certo é que mais uns cêntimos aqui, mais uns cêntimos ali, e "grão a grão enche a galinha o papo". Todavia esta medida não é para durar muito tempo - se tudo correr bem, em 2012 o IVA diminui. Quanto aos impactos do aumento do IVA nas empresas... bom, o valor do IVA é sempre reembolsado, isto é, as empresas não o pagam - aliás, esse é um dos objectivos dos mapas dos contabilistas.
Depois temos uma série de medidas que já deveriam ter sido postas em prática há muitos anos, relativas à diminuição de transferências para empresas públicas, institutos públicos, câmaras municipais, governos regionais e afins. Mesmo em tempo de vacas gordas, o Estado deveria exigir maior rigor orçamental a estas instituições, que, como se sabe, desperdiçam rios de dinheiro. Também de aplaudir é a diminuição das ajudas de custo e dos gastos com a frota automóvel.
É também de aplaudir a decisão de congelar todos os investimentos públicos. É que, ainda que houvesse dinheiro, muitos destes investimentos são de utilidade e rentabilidade altamente duvidosas. Diz-se que iriam criar emprego, mas estes investimentos são obras públicas - auto-estradas, pontes, o TGV, etc. - cuja única mão-de-obra que iriam empregar seriam trolhas e pedreiros, muitos deles imigrantes ilegais escravizados pelos pato-bravos da construção civil. Além disso, o emprego gerado seria temporário - era até se acabar a obra. E o pior é que estas obras não iriam gerar grande receita - no máximo, poderia-se colocar portagens nas auto-estradas.
O fim dos abonos de família para alguns escalões parece ser algo grave, mas a verdade é esta: esses abonos tinham um valor miserável, quase simbólico. Recebê-los ou não, é quase a mesma coisa. Já para o Estado, pagar essas quantias pequenas a milhares e milhares de famílias era um custo insuportável em tempos de crise.
Porém, a questão que mais luta irá dar ao governo são os cortes na função pública. Todavia, não nos podemos esquecer de duas coisas: em primeiro lugar, a diminuição do salário é progressiva e apenas a partir dos ordenados acima dos 1500 euros (tomaram muitos desempregados e a maior parte dos trabalhadores do privado receberem tal quantia!). Em segundo lugar, os funcionários públicos esquecem-se que, pelo menos, não perdem o emprego, que é aquilo que aconteceu (e acontece) à maior parte da população activa portuguesa. Mais vale um pássaro na mão do que dois a voar!
Infelizmente, já apareceram os agoirentos do costume a dizer que estas medidas vão levar a uma nova recessão. Todavia, como expliquei ao longo deste texto, os impactos reais para o cidadão comum não são tão graves como pode parecer à primeira vista. É certo que alguns de nós vão ficar com menos alguns euros na carteira, mas a verdade é que a diferença vai ser pouca. A nova recessão, se houver, não será causada por estas medidas de austeridade, mas sim pela reacção das pessoas, que, em vez de continuarem a consumir normalmente, vão "apertar o cinto", isto apesar de, na realidade, as alterações ao seu orçamento terem sido mínimas. E aí sim, sem consumo, as empresas fecham e o desemprego aumenta - não pelas medidas, mas pelos impactos psicológicos nas pessoas.
PS: Há outra medida que, apesar de não fazer parte deste pacote, merece os meus parabéns, até porque é algo que eu já tinha defendido neste blogue várias vezes: colocarem os presos e os militares a limpar as matas, de modo a evitar os incêndios do próximo Verão. A única coisa com a qual não concordo é o facto de porem no mesmo saco militares e presos: os presos deveriam limpar as matas, mas os militares deveriam guardá-los e dirigir os trabalhos - e não participar directamente na limpeza. Espero também que não caíam na asneira de pagar o trabalho aos presos - o Estado já lhes paga ao dar-lhes cama, comida, roupa lavada e tv cabo.
A medida que mais discórdia gera é o aumento do IVA de 21% para 23%. Contudo, é preciso ter em conta dois pontos: primeiro, esta medida permite um enorme aumento da receita do Estado. Em segundo lugar, esta medida quase que não se irá notar no dia-a-dia do cidadão comum (classes baixa e média). Os bens que normalmente consumimos com maior frequência custam apenas alguns euros, e um aumento de dois pontos percentuais, na pior das hipóteses, irá reflectir-se num aumento de poucos cêntimos no preço dos produtos. Certo é que mais uns cêntimos aqui, mais uns cêntimos ali, e "grão a grão enche a galinha o papo". Todavia esta medida não é para durar muito tempo - se tudo correr bem, em 2012 o IVA diminui. Quanto aos impactos do aumento do IVA nas empresas... bom, o valor do IVA é sempre reembolsado, isto é, as empresas não o pagam - aliás, esse é um dos objectivos dos mapas dos contabilistas.
Depois temos uma série de medidas que já deveriam ter sido postas em prática há muitos anos, relativas à diminuição de transferências para empresas públicas, institutos públicos, câmaras municipais, governos regionais e afins. Mesmo em tempo de vacas gordas, o Estado deveria exigir maior rigor orçamental a estas instituições, que, como se sabe, desperdiçam rios de dinheiro. Também de aplaudir é a diminuição das ajudas de custo e dos gastos com a frota automóvel.
É também de aplaudir a decisão de congelar todos os investimentos públicos. É que, ainda que houvesse dinheiro, muitos destes investimentos são de utilidade e rentabilidade altamente duvidosas. Diz-se que iriam criar emprego, mas estes investimentos são obras públicas - auto-estradas, pontes, o TGV, etc. - cuja única mão-de-obra que iriam empregar seriam trolhas e pedreiros, muitos deles imigrantes ilegais escravizados pelos pato-bravos da construção civil. Além disso, o emprego gerado seria temporário - era até se acabar a obra. E o pior é que estas obras não iriam gerar grande receita - no máximo, poderia-se colocar portagens nas auto-estradas.
O fim dos abonos de família para alguns escalões parece ser algo grave, mas a verdade é esta: esses abonos tinham um valor miserável, quase simbólico. Recebê-los ou não, é quase a mesma coisa. Já para o Estado, pagar essas quantias pequenas a milhares e milhares de famílias era um custo insuportável em tempos de crise.
Porém, a questão que mais luta irá dar ao governo são os cortes na função pública. Todavia, não nos podemos esquecer de duas coisas: em primeiro lugar, a diminuição do salário é progressiva e apenas a partir dos ordenados acima dos 1500 euros (tomaram muitos desempregados e a maior parte dos trabalhadores do privado receberem tal quantia!). Em segundo lugar, os funcionários públicos esquecem-se que, pelo menos, não perdem o emprego, que é aquilo que aconteceu (e acontece) à maior parte da população activa portuguesa. Mais vale um pássaro na mão do que dois a voar!
Infelizmente, já apareceram os agoirentos do costume a dizer que estas medidas vão levar a uma nova recessão. Todavia, como expliquei ao longo deste texto, os impactos reais para o cidadão comum não são tão graves como pode parecer à primeira vista. É certo que alguns de nós vão ficar com menos alguns euros na carteira, mas a verdade é que a diferença vai ser pouca. A nova recessão, se houver, não será causada por estas medidas de austeridade, mas sim pela reacção das pessoas, que, em vez de continuarem a consumir normalmente, vão "apertar o cinto", isto apesar de, na realidade, as alterações ao seu orçamento terem sido mínimas. E aí sim, sem consumo, as empresas fecham e o desemprego aumenta - não pelas medidas, mas pelos impactos psicológicos nas pessoas.
PS: Há outra medida que, apesar de não fazer parte deste pacote, merece os meus parabéns, até porque é algo que eu já tinha defendido neste blogue várias vezes: colocarem os presos e os militares a limpar as matas, de modo a evitar os incêndios do próximo Verão. A única coisa com a qual não concordo é o facto de porem no mesmo saco militares e presos: os presos deveriam limpar as matas, mas os militares deveriam guardá-los e dirigir os trabalhos - e não participar directamente na limpeza. Espero também que não caíam na asneira de pagar o trabalho aos presos - o Estado já lhes paga ao dar-lhes cama, comida, roupa lavada e tv cabo.
domingo, 19 de setembro de 2010
A Revisão Constitucional
Pedro Passos Coelho quer mesmo avançar com a revisão constitucional, apesar das acusações de neoliberalismo que, independentemente de serem verdadeiras ou não, vão manchar a imagem do líder "social-democrata".
Talvez Passos Coelho espere negociar com Sócrates: o PS aprova a revisão constitucional e o PSD aprova o Orçamento de Estado. Um bom negócio para ambas as partes (só não sei se também será bom para o país).
Contudo, quais são, afinal, as alterações que tanta polémica têm causado? Bom, em primeiro lugar, há aquela história de substituir "despedimento com justa causa" por "despedimento com razão atendível". A verdade é que, na prática, uma frase é sinónima da outra. Uma razão só é atendível se se tratar de uma causa justa, e, se uma causa é justa, então é também uma razão a que se deve atender.
Assim sendo, não vale a pena fazer esta alteração, pois, no fim de contas, não muda nada. O importante é a interpretação que os governantes fazem deste artigo; ou seja, aquilo que cada um considera ser uma justa causa (ou uma razão atendível) para desepdir alguém.
O mesmo não se passa com a questão da saúde e da educação, artigos nos quais o PSD pretende tirar a parte que diz que tais serviços devem ser "tendencialmente gratuitos". Bom, convém dizer que o "tendencialmente" já dá para muita coisa, mas aquilo que Passos Coelho planeia fazer é algo que vai mais longe do que aquilo que a actual Constituição permite.
Pedro Passos Coelho quer que a saúde e a educação, quer sejam públicas ou privadas (e provavelmente ele irá tentar privatizar aquilo que é do Estado), passem a ser pagas por quem as utiliza. Todavia, é óbvio que ele irá arranjar maneira de financiar as classes mais desfavorecidas para que estas possam continuar a usufruir destes serviços.
Até aqui tudo bem. Aliás, até é mais justo, já que assim os ricos têm sempre de pagar, enquanto que os pobres continuam a ter educação e saúde de graça, através de coisas tipo cheques-escola e cheques-hospital.
Porém, a grande questão é a seguinte: e a classe média? Já vimos que a classe alta pagaria e que a classe baixa estaria isenta. Mas e a classe média, como é? Se também estiver isenta, ou se pagar um valor simbólico, tudo bem. Mas se tiver de pagar valores superiores, aí a coisa vai complicar-se para a maioria das famílias portuguesas...
Pois é, se esta ideia for bem aplicada, o Estado até é capaz de poupar dinheiro (e até ganha algum, se decidir privatizar as escolas e os hospitais). Contudo, se for mal aplicada, a classe média será castigada e Portugal poderá tornar-se num país onde só há classe alta e classe baixa.
Talvez Passos Coelho espere negociar com Sócrates: o PS aprova a revisão constitucional e o PSD aprova o Orçamento de Estado. Um bom negócio para ambas as partes (só não sei se também será bom para o país).
Contudo, quais são, afinal, as alterações que tanta polémica têm causado? Bom, em primeiro lugar, há aquela história de substituir "despedimento com justa causa" por "despedimento com razão atendível". A verdade é que, na prática, uma frase é sinónima da outra. Uma razão só é atendível se se tratar de uma causa justa, e, se uma causa é justa, então é também uma razão a que se deve atender.
Assim sendo, não vale a pena fazer esta alteração, pois, no fim de contas, não muda nada. O importante é a interpretação que os governantes fazem deste artigo; ou seja, aquilo que cada um considera ser uma justa causa (ou uma razão atendível) para desepdir alguém.
O mesmo não se passa com a questão da saúde e da educação, artigos nos quais o PSD pretende tirar a parte que diz que tais serviços devem ser "tendencialmente gratuitos". Bom, convém dizer que o "tendencialmente" já dá para muita coisa, mas aquilo que Passos Coelho planeia fazer é algo que vai mais longe do que aquilo que a actual Constituição permite.
Pedro Passos Coelho quer que a saúde e a educação, quer sejam públicas ou privadas (e provavelmente ele irá tentar privatizar aquilo que é do Estado), passem a ser pagas por quem as utiliza. Todavia, é óbvio que ele irá arranjar maneira de financiar as classes mais desfavorecidas para que estas possam continuar a usufruir destes serviços.
Até aqui tudo bem. Aliás, até é mais justo, já que assim os ricos têm sempre de pagar, enquanto que os pobres continuam a ter educação e saúde de graça, através de coisas tipo cheques-escola e cheques-hospital.
Porém, a grande questão é a seguinte: e a classe média? Já vimos que a classe alta pagaria e que a classe baixa estaria isenta. Mas e a classe média, como é? Se também estiver isenta, ou se pagar um valor simbólico, tudo bem. Mas se tiver de pagar valores superiores, aí a coisa vai complicar-se para a maioria das famílias portuguesas...
Pois é, se esta ideia for bem aplicada, o Estado até é capaz de poupar dinheiro (e até ganha algum, se decidir privatizar as escolas e os hospitais). Contudo, se for mal aplicada, a classe média será castigada e Portugal poderá tornar-se num país onde só há classe alta e classe baixa.
sábado, 28 de agosto de 2010
Previsões para as Presidenciais
Bom, as presidenciais aproximam-se e, como não poderia deixar de ser, vou mandar uns bitaites acerca deste assunto.
Antes de mais, é certo e sabido que Cavaco Silva irá vencer as eleições, e logo à primeira volta, tal como nas últimas presidenciais. E isto irá acontecer por vários motivos.
Em primeiro lugar, de todos os candidatos, Cavaco é, de longe, quem tem mais carisma. Só existe outro candidato que teria potencial para o derrotar: Fernando Nobre.
Fernando Nobre nunca foi político (o que é bom), é o fundador da AMI e continua a realizar trabalho humanitário nos quatro cantos do mundo. Se o PS, o BE e o PCP tivessem juízo, teriam-no apoiado e talvez assim houvesse uma possibilidade real de derrotar Cavaco.
Curiosamente, os políticos da esquerda, que acusam os apoiantes de Cavaco de terem memória curta, parecem também eles sofrer de amnésia, já que se esqueceram das condições que levaram à vitória de Cavaco nas últimas presidenciais. Nomeadamente, o facto da esquerda se ter dividido em demasiados candidatos.
Nestas eleições, isso vai acontecer de novo, demonstrando mais uma vez a falta de inteligência dos nossos políticos. À direita, temos Cavaco; à esquerda, temos o pateta Alegre, um idiota do PCP, um palerma do PS e Fernando Nobre, que merecia ser presidente, e que até poderia ganhar, não fosse a falta de apoio por parte dos partidos e da comunicação social.
A comunicação social, como é hábito, tem feito um péssimo trabalho, dando a impressão que os únicos candidatos são Cavaco e Alegre. Isto também demonstra a falta de inteligência dos nossos jornalistas, já que só um tolo pode achar que Alegre tem hipóteses de derrotar Cavaco.
Vamos então analisar esse pateta que é o Alegre. Manuel Alegre é um gajo que nunca fez nada de útil na vida e que só sobrevive graças ao PS. Além disso, antes do 25 de Abril, Alegre fez parte da "Voz da Liberdade", uma rádio sediada na Argélia que servia para deitar abaixo o já fraco moral das nossas tropas, e, segundo se diz, para ajudar os movimentos independentistas africanos a descobrir o que andavam as nossas forças a fazer. Uma coisa é fazer oposição ao regime, outra é traição.
Ou seja, embora Alegre pareça ser alguém com valores, chegando ao ponto de desafiar a disciplina de voto dos deputados do PS (ui, que coragem!), a verdade é que é um oportunista (como qualquer político que tenha conseguido permanecer tanto tempo no parlamento) e, ainda por cima, um traidor. E seria muito injusto que o antigo líder da "Voz da Liberdade" se tornasse no presidente da república, que é o chefe máximo das forças armadas.
Além disso, o que todos se esquecem é que Manuel Alegre já foi derrotado por Cavaco Silva. E ainda que, dentro do PS, ele seja um tipo com muita influência e muito respeitado, isso não quer dizer que os portugueses pensem da mesma maneira.
Cavaco será reeleito, como aliás todos os presidentes da república desde Ramalho Eanes têm sido reeleitos. Se Fernando Nobre fosse o único candidato da esquerda, talvez as coisas fossem diferentes. Ou até se, em vez do pateta Alegre, o candidato do PS fosse o Guterres, aí sim haveria competição a altura.
Antes de mais, é certo e sabido que Cavaco Silva irá vencer as eleições, e logo à primeira volta, tal como nas últimas presidenciais. E isto irá acontecer por vários motivos.
Em primeiro lugar, de todos os candidatos, Cavaco é, de longe, quem tem mais carisma. Só existe outro candidato que teria potencial para o derrotar: Fernando Nobre.
Fernando Nobre nunca foi político (o que é bom), é o fundador da AMI e continua a realizar trabalho humanitário nos quatro cantos do mundo. Se o PS, o BE e o PCP tivessem juízo, teriam-no apoiado e talvez assim houvesse uma possibilidade real de derrotar Cavaco.
Curiosamente, os políticos da esquerda, que acusam os apoiantes de Cavaco de terem memória curta, parecem também eles sofrer de amnésia, já que se esqueceram das condições que levaram à vitória de Cavaco nas últimas presidenciais. Nomeadamente, o facto da esquerda se ter dividido em demasiados candidatos.
Nestas eleições, isso vai acontecer de novo, demonstrando mais uma vez a falta de inteligência dos nossos políticos. À direita, temos Cavaco; à esquerda, temos o pateta Alegre, um idiota do PCP, um palerma do PS e Fernando Nobre, que merecia ser presidente, e que até poderia ganhar, não fosse a falta de apoio por parte dos partidos e da comunicação social.
A comunicação social, como é hábito, tem feito um péssimo trabalho, dando a impressão que os únicos candidatos são Cavaco e Alegre. Isto também demonstra a falta de inteligência dos nossos jornalistas, já que só um tolo pode achar que Alegre tem hipóteses de derrotar Cavaco.
Vamos então analisar esse pateta que é o Alegre. Manuel Alegre é um gajo que nunca fez nada de útil na vida e que só sobrevive graças ao PS. Além disso, antes do 25 de Abril, Alegre fez parte da "Voz da Liberdade", uma rádio sediada na Argélia que servia para deitar abaixo o já fraco moral das nossas tropas, e, segundo se diz, para ajudar os movimentos independentistas africanos a descobrir o que andavam as nossas forças a fazer. Uma coisa é fazer oposição ao regime, outra é traição.
Ou seja, embora Alegre pareça ser alguém com valores, chegando ao ponto de desafiar a disciplina de voto dos deputados do PS (ui, que coragem!), a verdade é que é um oportunista (como qualquer político que tenha conseguido permanecer tanto tempo no parlamento) e, ainda por cima, um traidor. E seria muito injusto que o antigo líder da "Voz da Liberdade" se tornasse no presidente da república, que é o chefe máximo das forças armadas.
Além disso, o que todos se esquecem é que Manuel Alegre já foi derrotado por Cavaco Silva. E ainda que, dentro do PS, ele seja um tipo com muita influência e muito respeitado, isso não quer dizer que os portugueses pensem da mesma maneira.
Cavaco será reeleito, como aliás todos os presidentes da república desde Ramalho Eanes têm sido reeleitos. Se Fernando Nobre fosse o único candidato da esquerda, talvez as coisas fossem diferentes. Ou até se, em vez do pateta Alegre, o candidato do PS fosse o Guterres, aí sim haveria competição a altura.
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
O Culpado do Acidente
Toda a gente, em especial o típico português, gosta de arranjar um bode expiatório. Alguém que possa arcar com todas as culpas de uma determinada situação em que, na verdade, várias pessoas e/ou instituições tiveram a sua quota-parte de responsabilidade.
Por exemplo, no caso do terrível acidente que ocorreu há uns dias, os meios de comunicação não hesitaram em dar tempo de antena a "comentadores", profissionais ou amadores, que procuram descobrir quem há-de ser o bode expiatório desta infeliz calamidade.
Não foi preciso esperar muito para que se atirassem as culpas ao Estado, porque "o trajecto da A25 não é suficientemente bom", ou à GNR, porque "se estivesse lá uma patrulha, os condutores teriam tido mais cuidado".
Ou seja, mais uma vez, temos o cenário do "a culpa é dos políticos". Claro que os políticos que temos são de facto descaradamente incompetentes, o que leva a que seja considerado aceitável culpá-los de tudo. Todavia, desta vez, a culpa não foi dos políticos, nem da Estradas de Portugal, nem da GNR.
"A culpa foi do tempo", disseram alguns dos lançadores de bitaites. Mas todos os condutores devem ser capazes de conduzir em condições atmosféricas adversas, como é o caso da chuva ou do nevoeiro. É por isso que os carros têm faróis e limpa-pára-brisas, e é por isso que o código da estrada proíbe ultrapassagens quando não há visibilidade e aconselha a circular com moderação nestas situações.
Portanto, a culpa não foi do Estado, nem do tempo. Foi dos condutores que, apesar do nevoeiro e chuva cerrados, circulavam sem os faróis ligados e a ultrapassar em grande velocidade os carros de quem teve a sensatez de andar mais devagar. Ou dos curiosos que, após o primeiro acidente, e apesar de já haver gente a socorrer as vítimas, decidiram parar o carro para ver a desgraça, formando assim um engarrafamento que levou ao segundo acidente. E isto que estou aqui a escrever não é um bitaite, mas um relato de um condutor que circulava na A25 naquela altura e que, graças à sua prudência, não foi atingido pelo acidente.
É verdade que a maior parte dos condutores que, infelizmente, foram vítimas desta tragédia, estavam a respeitar as regras e a conduzir de forma sensata. Contudo, se há alguma lição que podemos tirar deste triste acontecimento é o seguinte: os portugueses têm de aprender a conduzir de forma civilizada. Esta é a mensagem que deve ser passada, e não o típico "a culpa foi do Estado" que, embora muitas vezes seja aplicável, desta vez é uma desculpa sem fundamento.
Os meus pêsames aos familiares das vítimas e espero que os condutores portugueses comecem a abrir os olhos e deixem de pensar que estas tragédias só acontecem aos outros. De relembrar que já houve outras acidentes e outras mortes nas estradas portuguesas neste ano para além das desta calamidade.
Por exemplo, no caso do terrível acidente que ocorreu há uns dias, os meios de comunicação não hesitaram em dar tempo de antena a "comentadores", profissionais ou amadores, que procuram descobrir quem há-de ser o bode expiatório desta infeliz calamidade.
Não foi preciso esperar muito para que se atirassem as culpas ao Estado, porque "o trajecto da A25 não é suficientemente bom", ou à GNR, porque "se estivesse lá uma patrulha, os condutores teriam tido mais cuidado".
Ou seja, mais uma vez, temos o cenário do "a culpa é dos políticos". Claro que os políticos que temos são de facto descaradamente incompetentes, o que leva a que seja considerado aceitável culpá-los de tudo. Todavia, desta vez, a culpa não foi dos políticos, nem da Estradas de Portugal, nem da GNR.
"A culpa foi do tempo", disseram alguns dos lançadores de bitaites. Mas todos os condutores devem ser capazes de conduzir em condições atmosféricas adversas, como é o caso da chuva ou do nevoeiro. É por isso que os carros têm faróis e limpa-pára-brisas, e é por isso que o código da estrada proíbe ultrapassagens quando não há visibilidade e aconselha a circular com moderação nestas situações.
Portanto, a culpa não foi do Estado, nem do tempo. Foi dos condutores que, apesar do nevoeiro e chuva cerrados, circulavam sem os faróis ligados e a ultrapassar em grande velocidade os carros de quem teve a sensatez de andar mais devagar. Ou dos curiosos que, após o primeiro acidente, e apesar de já haver gente a socorrer as vítimas, decidiram parar o carro para ver a desgraça, formando assim um engarrafamento que levou ao segundo acidente. E isto que estou aqui a escrever não é um bitaite, mas um relato de um condutor que circulava na A25 naquela altura e que, graças à sua prudência, não foi atingido pelo acidente.
É verdade que a maior parte dos condutores que, infelizmente, foram vítimas desta tragédia, estavam a respeitar as regras e a conduzir de forma sensata. Contudo, se há alguma lição que podemos tirar deste triste acontecimento é o seguinte: os portugueses têm de aprender a conduzir de forma civilizada. Esta é a mensagem que deve ser passada, e não o típico "a culpa foi do Estado" que, embora muitas vezes seja aplicável, desta vez é uma desculpa sem fundamento.
Os meus pêsames aos familiares das vítimas e espero que os condutores portugueses comecem a abrir os olhos e deixem de pensar que estas tragédias só acontecem aos outros. De relembrar que já houve outras acidentes e outras mortes nas estradas portuguesas neste ano para além das desta calamidade.
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Os Incêndios
Mais uma vez, Portugal é devastado pelos incêndios. Sinceramente, já era tempo de alguém fazer alguma coisa. E, quando digo "alguém", refiro-me ao Estado.
É verdade que, tendo em conta as temperaturas que temos no nosso país durante o Verão, é impossível impedir que ocorram incêndios. Até porque alguns serão provocados por mão criminosa.
Todavia, é igualmente verdade que se poderiam reforçar a prevenção e o combate aos fogos. A prevenção deveria ser reforçada através duma coisa que é muito falada mas que ninguém faz, que é a limpeza das matas.
Nem os cidadãos que moram em zonas rurais nem o Estado limpam as matas. A minha proposta era a seguinte: colocar os presos, guardados por membros das forças armadas, a limpar as matas, sejam elas propriedade pública ou privada, durante o Outono, o Inverno e a Primavera.
Assim conseguiam-se três coisas: diminuir o perigo dos incêndios a custo zero, rentabilizar os presos e as forças armadas e, finalmente, arranjar maneira de castigar de forma exemplar os condenados (ao contrário do que hoje ocorre, em que os presos têm comidinha, roupa lavada, playstation e tv cabo com sport tv).
Entretanto, e já que estamos a falar disto, poderia-se também usar os presos (sempre guardados por membros das forças armadas) para re-arborizar o país e, já agora, limpar os sistemas de escoamento de águas e desimpedir as linhas de água, evitando assim as cheias durante o Inverno.
Todavia, além de apostar na prevenção, seria também necessário reforçar o combate aos incêndios. E aqui bastaria equipar melhor os bombeiros (em vez de se gastar em carros topo de gama para os políticos e os gestores públicos, comprava-se melhor equipamento) e, durante o tempo dos incêndios (Verão) e das cheias (Inverno), enviar membros das forças armadas para ajudarem os bombeiros.
É verdade que, tendo em conta as temperaturas que temos no nosso país durante o Verão, é impossível impedir que ocorram incêndios. Até porque alguns serão provocados por mão criminosa.
Todavia, é igualmente verdade que se poderiam reforçar a prevenção e o combate aos fogos. A prevenção deveria ser reforçada através duma coisa que é muito falada mas que ninguém faz, que é a limpeza das matas.
Nem os cidadãos que moram em zonas rurais nem o Estado limpam as matas. A minha proposta era a seguinte: colocar os presos, guardados por membros das forças armadas, a limpar as matas, sejam elas propriedade pública ou privada, durante o Outono, o Inverno e a Primavera.
Assim conseguiam-se três coisas: diminuir o perigo dos incêndios a custo zero, rentabilizar os presos e as forças armadas e, finalmente, arranjar maneira de castigar de forma exemplar os condenados (ao contrário do que hoje ocorre, em que os presos têm comidinha, roupa lavada, playstation e tv cabo com sport tv).
Entretanto, e já que estamos a falar disto, poderia-se também usar os presos (sempre guardados por membros das forças armadas) para re-arborizar o país e, já agora, limpar os sistemas de escoamento de águas e desimpedir as linhas de água, evitando assim as cheias durante o Inverno.
Todavia, além de apostar na prevenção, seria também necessário reforçar o combate aos incêndios. E aqui bastaria equipar melhor os bombeiros (em vez de se gastar em carros topo de gama para os políticos e os gestores públicos, comprava-se melhor equipamento) e, durante o tempo dos incêndios (Verão) e das cheias (Inverno), enviar membros das forças armadas para ajudarem os bombeiros.
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
O Futuro Próximo de Portugal
Hoje decidi fazer um exercício de futurologia. Vou tentar prever aquilo que irá acontecer em Portugal, a nível político, durante os próximos anos.
Para começar, é óbvio que o vencedor das eleições presidenciais do próximo ano será Cavaco Silva. O único candidato que o poderia derrotar seria Fernando Nobre, que, além de não ser um político "profissional", é o criador da AMI e um cidadão exemplar. Contudo, como os idiotas do PS e do Bloco decidiram apoiar Manuel Alegre, e como os meios de comunicação social prestam mais atenção a Cavaco e Alegre, Nobre não terá a visibilidade necessária para vencer. Entretanto, entre o poeta Alegre e estóico Cavaco, é óbvio que o povo português irá reeleger o actual presidente da república.
Agora vamos à queda de Sócrates. Como é evidente, este governo minoritário estava condenado desde o início. Por um lado, um país em crise precisa de um governo forte; por outro, o nome de Sócrates não pára de se ver envolvido em casos como o Freeport ou o Face Oculta. Com Cavaco reeleito e estando a situação financeira um pouco mais estável, bastará uma moção de censura para fazer cair o governo.
Como é fácil de prever, o novo primeiro-ministro será Passos Coelho. Todavia, o facto de ele se ter mostrado um neoliberal descarado irá impedi-lo de conseguir uma maioria absoluta nas eleições legislativas. Porém, irá conseguir uma votação superior àquela que Sócrates obteve em 2009. Ainda assim, será um governo minoritário - um pouco como os governos do Guterres, que tinham sempre quase maioria absoluta (faltava o quase).
Como o PSD irá roubar votos ao eleitorado do CDS, isso significa que os populares não terão peso suficiente no parlamento para que valha a pena fazer uma coligação com os sociais-democratas. Assim, Passos Coelho irá liderar um governo minoritário, apostando na aparente abertura ao diálogo e sentido de Estado que tem demonstrado desde que chegou à liderança do PSD.
Durante o governo de Passos Coelho, as leis laborais vão ser flexibilizadas. Várias empresas públicas serão privatizadas. Os apoios sociais vão diminuir. Muitos funcionários públicos serão despedidos. Através destas medidas, o défice será controlado. O problema será o aumento da precariedade. Entretanto, Passos Coelho irá começar a privatizar as escolas e os hospitais. E é aí que as coisas se vão complicar para ele.
Com a popularidade do governo em queda e o Estado-Providência ameaçado, a oposição irá unir-se numa moção de censura que vai derrubar Passos Coelho. Nas eleições, o PSD será castigado pelo seu neoliberalismo. Contudo, o povo não terá memória curta e vai lembrar-se que a "alternativa", o PS, também não fez grande coisa da última vez que esteve no poder (além disso, é pouco provável que os socialistas arranjem um líder forte em tão pouco tempo).
O resultado é que o PS vencerá, mas sem maioria absoluta. Ora, para evitar que este governo tenha o mesmo fim que os dois anteriores, o PS vai fazer uma coligação que lhe dará a maioria absoluta no parlamento. E o único partido possível para tal será o Bloco de Esquerda, que terá ganho bastantes votos ao defender o Estado Social contra o neoliberalismo do PSD.
Entretanto, irá acabar o segundo e último mandato presidencial de Cavaco. Os candidatos para novo presidente da república serão Marcelo Rebelo de Sousa e, provavelmente, António Guterres. Será uma eleição disputada; porém, o vencedor será o professor Marcelo.
Enquanto se desenrolam as eleições presidenciais, o governo PS+BE irá fazer o oposto que Passos Coelho fez: vai aumentar as protecções sociais e o dirigismo do Estado. Consequentemente, o défice irá aumentar. Entretanto,o Bloco irá convencer o PS a legalizar a venda de drogas leves (contando também com o apoio da CDU). Questões como a adopção por casais homossexuais, a regulação da prostituição ou a eutanásia serão também discutidas, o que não irá agradar ao novo presidente (Marcelo).
Todavia, as relações entre o PS e o Bloco irão deteriorar-se rapidamente, pelo que a coligação poderá não aguentar até ao fim do mandato. Além disso, o novo presidente - Marcelo - não irá ver com bons olhos os debates lançados pelo BE. Finalmente, a coligação do governo irá mostrar-se incapaz de responder com mão firme à imigração ilegal e à criminalidade ligada aos bairros problemáticos - o que, consequentemente, levará a um crescimento do CDS.
Para começar, é óbvio que o vencedor das eleições presidenciais do próximo ano será Cavaco Silva. O único candidato que o poderia derrotar seria Fernando Nobre, que, além de não ser um político "profissional", é o criador da AMI e um cidadão exemplar. Contudo, como os idiotas do PS e do Bloco decidiram apoiar Manuel Alegre, e como os meios de comunicação social prestam mais atenção a Cavaco e Alegre, Nobre não terá a visibilidade necessária para vencer. Entretanto, entre o poeta Alegre e estóico Cavaco, é óbvio que o povo português irá reeleger o actual presidente da república.
Agora vamos à queda de Sócrates. Como é evidente, este governo minoritário estava condenado desde o início. Por um lado, um país em crise precisa de um governo forte; por outro, o nome de Sócrates não pára de se ver envolvido em casos como o Freeport ou o Face Oculta. Com Cavaco reeleito e estando a situação financeira um pouco mais estável, bastará uma moção de censura para fazer cair o governo.
Como é fácil de prever, o novo primeiro-ministro será Passos Coelho. Todavia, o facto de ele se ter mostrado um neoliberal descarado irá impedi-lo de conseguir uma maioria absoluta nas eleições legislativas. Porém, irá conseguir uma votação superior àquela que Sócrates obteve em 2009. Ainda assim, será um governo minoritário - um pouco como os governos do Guterres, que tinham sempre quase maioria absoluta (faltava o quase).
Como o PSD irá roubar votos ao eleitorado do CDS, isso significa que os populares não terão peso suficiente no parlamento para que valha a pena fazer uma coligação com os sociais-democratas. Assim, Passos Coelho irá liderar um governo minoritário, apostando na aparente abertura ao diálogo e sentido de Estado que tem demonstrado desde que chegou à liderança do PSD.
Durante o governo de Passos Coelho, as leis laborais vão ser flexibilizadas. Várias empresas públicas serão privatizadas. Os apoios sociais vão diminuir. Muitos funcionários públicos serão despedidos. Através destas medidas, o défice será controlado. O problema será o aumento da precariedade. Entretanto, Passos Coelho irá começar a privatizar as escolas e os hospitais. E é aí que as coisas se vão complicar para ele.
Com a popularidade do governo em queda e o Estado-Providência ameaçado, a oposição irá unir-se numa moção de censura que vai derrubar Passos Coelho. Nas eleições, o PSD será castigado pelo seu neoliberalismo. Contudo, o povo não terá memória curta e vai lembrar-se que a "alternativa", o PS, também não fez grande coisa da última vez que esteve no poder (além disso, é pouco provável que os socialistas arranjem um líder forte em tão pouco tempo).
O resultado é que o PS vencerá, mas sem maioria absoluta. Ora, para evitar que este governo tenha o mesmo fim que os dois anteriores, o PS vai fazer uma coligação que lhe dará a maioria absoluta no parlamento. E o único partido possível para tal será o Bloco de Esquerda, que terá ganho bastantes votos ao defender o Estado Social contra o neoliberalismo do PSD.
Entretanto, irá acabar o segundo e último mandato presidencial de Cavaco. Os candidatos para novo presidente da república serão Marcelo Rebelo de Sousa e, provavelmente, António Guterres. Será uma eleição disputada; porém, o vencedor será o professor Marcelo.
Enquanto se desenrolam as eleições presidenciais, o governo PS+BE irá fazer o oposto que Passos Coelho fez: vai aumentar as protecções sociais e o dirigismo do Estado. Consequentemente, o défice irá aumentar. Entretanto,o Bloco irá convencer o PS a legalizar a venda de drogas leves (contando também com o apoio da CDU). Questões como a adopção por casais homossexuais, a regulação da prostituição ou a eutanásia serão também discutidas, o que não irá agradar ao novo presidente (Marcelo).
Todavia, as relações entre o PS e o Bloco irão deteriorar-se rapidamente, pelo que a coligação poderá não aguentar até ao fim do mandato. Além disso, o novo presidente - Marcelo - não irá ver com bons olhos os debates lançados pelo BE. Finalmente, a coligação do governo irá mostrar-se incapaz de responder com mão firme à imigração ilegal e à criminalidade ligada aos bairros problemáticos - o que, consequentemente, levará a um crescimento do CDS.
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Dinamizar o Tesouro de Salazar
Recentemente, uma agência estrangeira (a Bloomberg) declarou Salazar o maior investidor que Portugal já teve, devido às famosas reservas de ouro do Banco de Portugal.
Apesar de frequentemente nos esquecermos disto, o facto é que Portugal é um dos países com maiores reservas de ouro relativamente ao valor do PIB. Infelizmente, este ouro não tem sido aproveitado, o que aliás me parece uma grande idiotice por parte dos nossos políticos, tendo em conta a situação de défice crónico que nos aflige desde... enfim, desde sempre.
Claro que não se pode simplesmente vender o ouro todo e gastar o dinheiro. Até porque o regulamento do Banco de Portugal o proíbe, de modo a evitar que aquele ouro que tanto trabalho nos deu a adquirir seja mal gasto pelos incompetentes dos nossos políticos (que é o que normalmente acontece com o dinheiro das privatizações).
Além disso, nunca se poderia vender uma grande quantidade em pouco tempo, pois, pela lei da oferta e da procura, isso levaria a que o valor do ouro descesse, o que evidentemente não nos convém.
Segundo o regulamento do Banco de Portugal, o dinheiro conseguido através da venda de ouro não vai directamente para as mãos rotas dos nossos políticos, mas sim para uma conta. Conta essa que irá, obviamente, gerar juros, e é o valor desses juros que é entregue ao Estado.
A minha proposta para dinamizar o "tesouro" do Salazar seria a seguinte: vendia-se uma parte do ouro (claro que, como referi acima, esta venda não poderia ser realizada toda de uma vez, de forma a não baixar o valor do ouro) e, com os juros da conta mencionada no parágrafo anterior, o Estado iria adquirir acções das empresas mais lucrativas do país - a SONAE, a Jerónimo Martins, o BES, o BCP, o BPI, a Corticeira Amorim, a Teixeira Duarte, a PT, a Galp, a EDP, etc.
O objectivo não seria nacionalizar ou re-nacionalizar estas empresas, nem sequer criar novas "golden shares". O objectivo seria o mesmo que qualquer um dos grandes accionistas destas empresas: ganhar dinheiro.
Desta forma, o Estado iria criar uma nova fonte de receitas (os dividendos destas grandes empresas), o que, tendo em conta a crise que vivemos, seria certamente bastante útil.
Apesar de frequentemente nos esquecermos disto, o facto é que Portugal é um dos países com maiores reservas de ouro relativamente ao valor do PIB. Infelizmente, este ouro não tem sido aproveitado, o que aliás me parece uma grande idiotice por parte dos nossos políticos, tendo em conta a situação de défice crónico que nos aflige desde... enfim, desde sempre.
Claro que não se pode simplesmente vender o ouro todo e gastar o dinheiro. Até porque o regulamento do Banco de Portugal o proíbe, de modo a evitar que aquele ouro que tanto trabalho nos deu a adquirir seja mal gasto pelos incompetentes dos nossos políticos (que é o que normalmente acontece com o dinheiro das privatizações).
Além disso, nunca se poderia vender uma grande quantidade em pouco tempo, pois, pela lei da oferta e da procura, isso levaria a que o valor do ouro descesse, o que evidentemente não nos convém.
Segundo o regulamento do Banco de Portugal, o dinheiro conseguido através da venda de ouro não vai directamente para as mãos rotas dos nossos políticos, mas sim para uma conta. Conta essa que irá, obviamente, gerar juros, e é o valor desses juros que é entregue ao Estado.
A minha proposta para dinamizar o "tesouro" do Salazar seria a seguinte: vendia-se uma parte do ouro (claro que, como referi acima, esta venda não poderia ser realizada toda de uma vez, de forma a não baixar o valor do ouro) e, com os juros da conta mencionada no parágrafo anterior, o Estado iria adquirir acções das empresas mais lucrativas do país - a SONAE, a Jerónimo Martins, o BES, o BCP, o BPI, a Corticeira Amorim, a Teixeira Duarte, a PT, a Galp, a EDP, etc.
O objectivo não seria nacionalizar ou re-nacionalizar estas empresas, nem sequer criar novas "golden shares". O objectivo seria o mesmo que qualquer um dos grandes accionistas destas empresas: ganhar dinheiro.
Desta forma, o Estado iria criar uma nova fonte de receitas (os dividendos destas grandes empresas), o que, tendo em conta a crise que vivemos, seria certamente bastante útil.
quarta-feira, 28 de julho de 2010
Reflexões sobre a Moda
Antes de mais, devo dizer que eu não ligo muito à moda. Visto-me de maneira simples e prática, sem me preocupar muito em ver "o que está na moda". Contudo, e como qualquer bom português, não posso deixar de mandar uns bitaites acerca do assunto. Ou não estivéssemos nós na blogosfera.
Não irei falar sobre o facto das modelos serem uns "paus de virar tripas" e que tal facto pode promover a anorexia e outros distúrbios alimentares. Nem irei opinar sobre o facto de os estilistas estarem convencidos que ditam as tendências da moda, quando, na verdade, quem o faz são os designers das grandes cadeias de lojas de pronto-a-vestir.
Irei reflectir sobre o conceito de "tendência" que guia a moda. Como sabem, as tendências variam consoante a época do ano - agora "está na moda" a cor roxa, no próximo Inverno "estará na moda" a cor azul. Esta estação usam-se as calças largas, na estação seguinte serão usadas calças mais justas. É assim que as coisas funcionam.
Ora, na minha opinião, o facto de as coisas funcionarem dessa maneira é errado. Cada ser humano é único. Cada pessoa tem (ou deveria ter) valor individual. Infelizmente, a nossa sociedade, apesar de teoricamente defender estes princípios, não os plaica na prática.
Onde está a promoção do individualismo quando as tendências da moda não variam de acordo com os tipos de personalidade mas sim com as épocas do ano? A ideia que se promove é que as pessoas pensam todas da mesma maneira, o que muda é o tempo.
Numa época em que se fala de empreendorismo e de inovação, eis aqui uma ideia: e que tal criar uma marca de pronto-a-vestir em que, em vez das tendências se alterarem cronológicamente, houvessem várias tendências diferentes ao mesmo tempo que procurassem valorizar os diversos tipos de personalidade e as diversas mentalidades que existem na sociedade, promovendo assim o individualismo?
Não irei falar sobre o facto das modelos serem uns "paus de virar tripas" e que tal facto pode promover a anorexia e outros distúrbios alimentares. Nem irei opinar sobre o facto de os estilistas estarem convencidos que ditam as tendências da moda, quando, na verdade, quem o faz são os designers das grandes cadeias de lojas de pronto-a-vestir.
Irei reflectir sobre o conceito de "tendência" que guia a moda. Como sabem, as tendências variam consoante a época do ano - agora "está na moda" a cor roxa, no próximo Inverno "estará na moda" a cor azul. Esta estação usam-se as calças largas, na estação seguinte serão usadas calças mais justas. É assim que as coisas funcionam.
Ora, na minha opinião, o facto de as coisas funcionarem dessa maneira é errado. Cada ser humano é único. Cada pessoa tem (ou deveria ter) valor individual. Infelizmente, a nossa sociedade, apesar de teoricamente defender estes princípios, não os plaica na prática.
Onde está a promoção do individualismo quando as tendências da moda não variam de acordo com os tipos de personalidade mas sim com as épocas do ano? A ideia que se promove é que as pessoas pensam todas da mesma maneira, o que muda é o tempo.
Numa época em que se fala de empreendorismo e de inovação, eis aqui uma ideia: e que tal criar uma marca de pronto-a-vestir em que, em vez das tendências se alterarem cronológicamente, houvessem várias tendências diferentes ao mesmo tempo que procurassem valorizar os diversos tipos de personalidade e as diversas mentalidades que existem na sociedade, promovendo assim o individualismo?
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Uma Ideia Tão Estúpida que Até Pode Ser Genial
Como todos vós sabeis, uma das questões que mais preocupa a população a nível mundial (a população dos países desenvolvidos, que os outros, coitados, têm mais que fazer) é o aquecimento global.
Não vou estar aqui a reflectir sobre a veracidade dessa teoria - há quem acredite piamente, há quem ache que é tudo aldrabice, há quem diga que as alterações do clima são naturais e que o homem não muda nada, etc.
Contudo, vou falar numa das possíveis consequências das alterações climáticas: o degelo dos pólos, em especial do pólo norte. Este degelo poderá levar ao aumento do nível médio das águas do mar, o que significa que países costeiros, como o nosso, correm o risco de serem inundados.
Ora, estava eu a reflectir calmamente sobre este assunto quando me veio à cabeça uma ideia tão estúpida que até poderia funcionar. Digo "estúpida" porque, apesar de ser algo tão óbvio, nunca ouvi ninguém defender esta ideia.
A minha ideia estúpida/genial é esta: e que tal se arranjassem uma forma de "desmantelar" os icebergs, "cortando-os" em pedaços, e levar esses pedaços para países com falta de água (África, Ásia), eventualmente criando lagos artificiais que poderiam fornecer água àquelas populações?
Era matar dois coelhos de uma cajadada só. Evitava-se o aumento do nível médio das águas do mar (e, consequentemente, a inundação de países como Portugal) ao mesmo tempo que se combatia a sede e a falta de fertilidade das terras em países sub-desenvolvidos.
Não vou estar aqui a reflectir sobre a veracidade dessa teoria - há quem acredite piamente, há quem ache que é tudo aldrabice, há quem diga que as alterações do clima são naturais e que o homem não muda nada, etc.
Contudo, vou falar numa das possíveis consequências das alterações climáticas: o degelo dos pólos, em especial do pólo norte. Este degelo poderá levar ao aumento do nível médio das águas do mar, o que significa que países costeiros, como o nosso, correm o risco de serem inundados.
Ora, estava eu a reflectir calmamente sobre este assunto quando me veio à cabeça uma ideia tão estúpida que até poderia funcionar. Digo "estúpida" porque, apesar de ser algo tão óbvio, nunca ouvi ninguém defender esta ideia.
A minha ideia estúpida/genial é esta: e que tal se arranjassem uma forma de "desmantelar" os icebergs, "cortando-os" em pedaços, e levar esses pedaços para países com falta de água (África, Ásia), eventualmente criando lagos artificiais que poderiam fornecer água àquelas populações?
Era matar dois coelhos de uma cajadada só. Evitava-se o aumento do nível médio das águas do mar (e, consequentemente, a inundação de países como Portugal) ao mesmo tempo que se combatia a sede e a falta de fertilidade das terras em países sub-desenvolvidos.
sábado, 24 de julho de 2010
O Ensino Preparatório
Há poucas semanas atrás, foi noticiado que o ensino preparatório vai sofrer alterações. Todavia, na prática, fica tudo na mesma, a única coisa que muda é a divisão entre 2.º e 3.º ciclos. De resto, aquilo que é mais importante - o que é ensinado - permanece igual.
Já passaram muitos anos desde o tempo em que andei no ensino preparatório; contudo, pelo que sei, não houve grandes alterações - à excepção da disciplina de informática, que não existia no meu tempo, bem como uma data de outras "disciplinas" de utilidade duvidosa: formação cívica, estudo acompanhado e área de projecto.
Segundo as minhas fontes, o "estudo acompanhado" consiste em obrigar os alunos a estarem numa sala durante duas horas para, supostamente, fazerem os trabalhos de casa, podendo contar com a ajuda do professor. Ora, a ideia é boa, mas o verdadeiro resultado é este: os alunos fazem os trabalhos na primeira meia hora da aula (claro que também há quem tenha feito e também quem prefira fazê-los em casa). O resto da longa aula serve para se colocar a conversa em dia.
A disciplina de "formação cívica", dada normalmente pelo director de turma, é também uma longa aula cuja finalidade é um mistério. Também foi criada com boas intenções, mas, tal como estudo acompanhado, acaba por servir para os alunos conversarem um pouco. Eventualmente, lá farão algum trabalho sobre um tema politicamente correcto, mas acaba por ser sempre tempo perdido.
Área de projecto será, talvez, a mais útil - ou melhor, a menos inútil - destas três curiosas disciplinas. Aqui os alunos aprendem como deve ser estruturado um trabalho e, normalmente, até realizam um pequeno trabalho de pesquisa. Todavia, isto leva-me a perguntar: será que era preciso criar uma disciplina para isto? Não poderia esta matéria ser enquadrada noutra disciplina? Língua portuguesa, por exemplo.
Ora, estas três disciplinas tem pouca utilidade e, ainda por cima, aumentam a já pesada carga horário dos alunos. Não é de admirar que continuem a haver estudantes a ganhar aversão à escola e a questionar a utilidade da matéria leccionada.
Como sabem, e ao contrário da maioria dos outros comentadores, eu gosto de apresentar alternativas. Eis como, na minha modesta opinião, deveria estar organizado o ensino preparatório (ou seja, do 5.º ao 9.º anos de escolaridade):
- Diminuir o peso de teoria inútil na matéria leccionada. Existem dois tipos de teoria: há a teoria útil e essencial para compreender matérias mais avançadas (aqui enquadra-se a teoria de disciplinas como matemática, físico-química, ou ciências naturais); e depois há a teoria inútil, como a que é dada em língua portuguesa e que não tem aplicações práticas.
- Incluir matérias que, por razões misteriosas, não são abordadas na actualidade. Aqui inclui-se matérias ligadas à economia, contabilidade e gestão, que poderiam perfeitamente começar a ser ensinadas no 8.º ano, enquadradas em matemática e em geografia.
- Ensinar o modo de funcionamento do Estado - os impostos, a segurança social, as conservatórias, os tribunais, a polícia, o serviço nacional de saúde, a política, entre outros. E, já agora, quais as burocracias necessárias para criar uma empresa ou quais os direitos e deveres consagrados por um contrato de trabalho, por exemplo.
- Diminuir gradualmente o número de aulas de educação física. Ou seja, um aluno do 9.º teria menos aulas que um do 5.º ano. Isto porque não será no 9.º que se irá incutir o gosto da prática do desporto em quem nunca desenvolveu esse hábito. Mais vale poupar esse tempo e gastá-lo em disciplinas mais úteis.
- Ensinar os alunos a cozinhar. Eu sei, à primeira vista parece um disparate. Mas pensem comigo: se já há uma disciplina onde se ensina a serrar e a lixar (EVT) e a fazer biscates eléctricos (educação tecnológica), porque não uma disciplina para ensinar a cozinhar, aí no 7.º ou no 8.º ano? Até porque nem todos os pais têm tempo e/ou paciência para ensinar isto os filhos.
- Em matemática, apostar mais em problemas práticos do que em exercícios abstractos. Sabem porque só há a disciplina de filosofia para alunos do secundário? Porque, antes dessa idade, as crianças/jovens são incapazes de pensar em coisas abstractas. Por isso é que os problemas em matemática deviam basear em questões práticas, ligadas a, por exemplo, gestão, engenharia ou estatística. Isto iria não apenas melhorar a aprendizagem, como também aumentar a motivação dos alunos, que assim iriam compreender a utilidade desta disciplina.
- Em língua portuguesa, ensinar a redigir cartas, actas, relatórios, currículos, trabalhos científicos, textos argumentativos, artigos jornalísticos, e, se houver tempo, textos de escrita criativa. Isto seria muito mais útil do que decorar quais as funções sintácticas ou o que são palavras homófonas.
- Em história, em vez de pedir que as crianças/jovens decorem datas e acontecimentos históricos que não compreendem, ensinar a "essência" de cada época da história da humanidade - como era o quotidiano da época medieval, por exemplo - quais os costumes, a mentalidade, o estilo arquitectónico, a roupa, as divisões políticas, as questões centrais daquela sociedade, etc.
Já passaram muitos anos desde o tempo em que andei no ensino preparatório; contudo, pelo que sei, não houve grandes alterações - à excepção da disciplina de informática, que não existia no meu tempo, bem como uma data de outras "disciplinas" de utilidade duvidosa: formação cívica, estudo acompanhado e área de projecto.
Segundo as minhas fontes, o "estudo acompanhado" consiste em obrigar os alunos a estarem numa sala durante duas horas para, supostamente, fazerem os trabalhos de casa, podendo contar com a ajuda do professor. Ora, a ideia é boa, mas o verdadeiro resultado é este: os alunos fazem os trabalhos na primeira meia hora da aula (claro que também há quem tenha feito e também quem prefira fazê-los em casa). O resto da longa aula serve para se colocar a conversa em dia.
A disciplina de "formação cívica", dada normalmente pelo director de turma, é também uma longa aula cuja finalidade é um mistério. Também foi criada com boas intenções, mas, tal como estudo acompanhado, acaba por servir para os alunos conversarem um pouco. Eventualmente, lá farão algum trabalho sobre um tema politicamente correcto, mas acaba por ser sempre tempo perdido.
Área de projecto será, talvez, a mais útil - ou melhor, a menos inútil - destas três curiosas disciplinas. Aqui os alunos aprendem como deve ser estruturado um trabalho e, normalmente, até realizam um pequeno trabalho de pesquisa. Todavia, isto leva-me a perguntar: será que era preciso criar uma disciplina para isto? Não poderia esta matéria ser enquadrada noutra disciplina? Língua portuguesa, por exemplo.
Ora, estas três disciplinas tem pouca utilidade e, ainda por cima, aumentam a já pesada carga horário dos alunos. Não é de admirar que continuem a haver estudantes a ganhar aversão à escola e a questionar a utilidade da matéria leccionada.
Como sabem, e ao contrário da maioria dos outros comentadores, eu gosto de apresentar alternativas. Eis como, na minha modesta opinião, deveria estar organizado o ensino preparatório (ou seja, do 5.º ao 9.º anos de escolaridade):
- Diminuir o peso de teoria inútil na matéria leccionada. Existem dois tipos de teoria: há a teoria útil e essencial para compreender matérias mais avançadas (aqui enquadra-se a teoria de disciplinas como matemática, físico-química, ou ciências naturais); e depois há a teoria inútil, como a que é dada em língua portuguesa e que não tem aplicações práticas.
- Incluir matérias que, por razões misteriosas, não são abordadas na actualidade. Aqui inclui-se matérias ligadas à economia, contabilidade e gestão, que poderiam perfeitamente começar a ser ensinadas no 8.º ano, enquadradas em matemática e em geografia.
- Ensinar o modo de funcionamento do Estado - os impostos, a segurança social, as conservatórias, os tribunais, a polícia, o serviço nacional de saúde, a política, entre outros. E, já agora, quais as burocracias necessárias para criar uma empresa ou quais os direitos e deveres consagrados por um contrato de trabalho, por exemplo.
- Diminuir gradualmente o número de aulas de educação física. Ou seja, um aluno do 9.º teria menos aulas que um do 5.º ano. Isto porque não será no 9.º que se irá incutir o gosto da prática do desporto em quem nunca desenvolveu esse hábito. Mais vale poupar esse tempo e gastá-lo em disciplinas mais úteis.
- Ensinar os alunos a cozinhar. Eu sei, à primeira vista parece um disparate. Mas pensem comigo: se já há uma disciplina onde se ensina a serrar e a lixar (EVT) e a fazer biscates eléctricos (educação tecnológica), porque não uma disciplina para ensinar a cozinhar, aí no 7.º ou no 8.º ano? Até porque nem todos os pais têm tempo e/ou paciência para ensinar isto os filhos.
- Em matemática, apostar mais em problemas práticos do que em exercícios abstractos. Sabem porque só há a disciplina de filosofia para alunos do secundário? Porque, antes dessa idade, as crianças/jovens são incapazes de pensar em coisas abstractas. Por isso é que os problemas em matemática deviam basear em questões práticas, ligadas a, por exemplo, gestão, engenharia ou estatística. Isto iria não apenas melhorar a aprendizagem, como também aumentar a motivação dos alunos, que assim iriam compreender a utilidade desta disciplina.
- Em língua portuguesa, ensinar a redigir cartas, actas, relatórios, currículos, trabalhos científicos, textos argumentativos, artigos jornalísticos, e, se houver tempo, textos de escrita criativa. Isto seria muito mais útil do que decorar quais as funções sintácticas ou o que são palavras homófonas.
- Em história, em vez de pedir que as crianças/jovens decorem datas e acontecimentos históricos que não compreendem, ensinar a "essência" de cada época da história da humanidade - como era o quotidiano da época medieval, por exemplo - quais os costumes, a mentalidade, o estilo arquitectónico, a roupa, as divisões políticas, as questões centrais daquela sociedade, etc.
quarta-feira, 21 de julho de 2010
O Rei Ghob, Senhor dos Gnomos
Não, não é o título de um livro de fantasia medieval estilo Senhor dos Anéis. É o pseudónimo de Francisco Leitão, um quarentão alucinado que afirma fazer previsões, mora numa casa "acastelada" mobilada com objectos esótericos, e que terá morto três pessoas.
Aparentemente, houve jovens que foram palermas o suficiente para se juntarem à "seita" do "Rei dos Gnomos". Ou então, talvez tivessem consciência de que era tudo aldrabice mas, ainda assim, tiveram a infeliz ideia de observar de perto as patetices do maluco.
Embora afirme ser filho de Satanás, a verdade é que Francisco Leitão era filho de um sucateiro, de quem herdou o negócio. Depois do Godinho do processo Face Oculta, este já é o segundo criminoso ligado ao sector do ferro-velho... estou a ver que é um ramo especialmente indicado para a gatunagem.
Bom, mas vamos ao mais bizarro deste caso: os vídeos que o alegado assassino colocou no Youtube! (Esta deve ser a primeira vez que é possível termos acesso a tanto vídeo de um homicida)
As "profecias":
Os "poderes":
A patetice:
Aparentemente, houve jovens que foram palermas o suficiente para se juntarem à "seita" do "Rei dos Gnomos". Ou então, talvez tivessem consciência de que era tudo aldrabice mas, ainda assim, tiveram a infeliz ideia de observar de perto as patetices do maluco.
Embora afirme ser filho de Satanás, a verdade é que Francisco Leitão era filho de um sucateiro, de quem herdou o negócio. Depois do Godinho do processo Face Oculta, este já é o segundo criminoso ligado ao sector do ferro-velho... estou a ver que é um ramo especialmente indicado para a gatunagem.
Bom, mas vamos ao mais bizarro deste caso: os vídeos que o alegado assassino colocou no Youtube! (Esta deve ser a primeira vez que é possível termos acesso a tanto vídeo de um homicida)
As "profecias":
Os "poderes":
A patetice:
terça-feira, 20 de julho de 2010
O Fim da Playboy Portuguesa
Como os meus leitores devem saber, a edição portuguesa da revista Playbou vai acabar. Isto deve-se a vários factores, sendo que o último destes foi a ideia peregrina de colocar Jesus Cristo na capa da revista, acompanhado de uma mulher nua, como forma de homenagem a José Saramago.
Que raio de homenagem! Em primeiro lugar, porque diabo é que a Playboy decidiu fazer uma homenagem ao escritor? Porventura fizeram eles uma edição especial aquando das últimas eleições legislativas? Ou aquando da tomada de poder de Passos Coelho como líder do PSD? Ou aquando do caso TVI? Não, claro que não. É uma revista masculina/erótica, não é a VISÃO. Não tem nada que fazer homenagens a figuras recentemente falecidas.
Mas as bizarrias da Playboy portuguesa não são de agora. Basta pensar na escolha de certas mulheres para capa - muitas delas seleccionadas porque são "tias" "famosas" e não por serem mulheres com um bom aspecto físico. E era quando eles não punham homens na capa, como da outra vez que puseram Ricardo Araújo Pereira, ou agora que puseram um gajo vestido de Jesus Cristo.
De qualquer maneira, as revistas masculinas estão passar por um mau bocado. Em Portugal, além da Playboy, a FHM também já acabou (ninguém deu por isso porque não terminou com tanto alarido). Mas não é só em Portugal, é em todo o mundo que estas revistas estão em crise. Isto deve-se à Internet. Para quê gastar dinheiro a comprar uma revista masculina, quando, passados uns dias, se podem ver as fotos num blog? Para quê comprar a Playboy quando se podem ver vídeos de gajas nuas (e até vídeos pornográficos) de graça, na Internet?
Todavia, no caso de países como o Reino Unido (muitos dos vídeos do Blog Jibóias são de sessões fotográficas para revistas masculinas britânicas), algumas das revistas ainda se safam. Basta pensar na Nuts, que, apesar de ser semanal (o que é bastante arriscado, convenhamos), tem conseguido sobreviver. Isto deve-se a dois factores: em primeiro lugar, em Inglaterra, comprar uma "lad's mag" é ainda algo que aumenta o estatuto dos adolescentes. É uma espécie de ritual de passagem, uma forma de mostrar que já não são crianças. O outro factor é este: as miúdas que pousam para as revistas não são nem "tias" quarentonas, nem tábuas-rasas saídas de uma agência de modelos de moda. São jovens voluptuosas entre os 20 e os 27 anos, com seios volumosos, escolhidas por agências especializadas em "glamour models". Não são famosas, é verdade (embora, com o tempo, acabem por ganhar alguma notoriedade), mas são muito sensuais.
Ora, se no estrangeiro, com modelos verdadeiramente deslumbrantes, as coisas não estão a correr bem devido à Internet, então imaginem em Portugal, com pseudo-celebridades enrugadas e cheias de plásticas ou com cachopas dos "Morangos com Açúcar" sem curvas no corpo. Isto para não falar da falta de imaginação e de qualidade dos fotógrafos, ou do facto que, à excepção da Playboy, as revistas masculinas portuguesas nunca mostrarem os seios das modelos (já as "lad's mags" britânicas têm sempre, ou quase sempre, mulheres em topless).
Que raio de homenagem! Em primeiro lugar, porque diabo é que a Playboy decidiu fazer uma homenagem ao escritor? Porventura fizeram eles uma edição especial aquando das últimas eleições legislativas? Ou aquando da tomada de poder de Passos Coelho como líder do PSD? Ou aquando do caso TVI? Não, claro que não. É uma revista masculina/erótica, não é a VISÃO. Não tem nada que fazer homenagens a figuras recentemente falecidas.
Mas as bizarrias da Playboy portuguesa não são de agora. Basta pensar na escolha de certas mulheres para capa - muitas delas seleccionadas porque são "tias" "famosas" e não por serem mulheres com um bom aspecto físico. E era quando eles não punham homens na capa, como da outra vez que puseram Ricardo Araújo Pereira, ou agora que puseram um gajo vestido de Jesus Cristo.
De qualquer maneira, as revistas masculinas estão passar por um mau bocado. Em Portugal, além da Playboy, a FHM também já acabou (ninguém deu por isso porque não terminou com tanto alarido). Mas não é só em Portugal, é em todo o mundo que estas revistas estão em crise. Isto deve-se à Internet. Para quê gastar dinheiro a comprar uma revista masculina, quando, passados uns dias, se podem ver as fotos num blog? Para quê comprar a Playboy quando se podem ver vídeos de gajas nuas (e até vídeos pornográficos) de graça, na Internet?
Todavia, no caso de países como o Reino Unido (muitos dos vídeos do Blog Jibóias são de sessões fotográficas para revistas masculinas britânicas), algumas das revistas ainda se safam. Basta pensar na Nuts, que, apesar de ser semanal (o que é bastante arriscado, convenhamos), tem conseguido sobreviver. Isto deve-se a dois factores: em primeiro lugar, em Inglaterra, comprar uma "lad's mag" é ainda algo que aumenta o estatuto dos adolescentes. É uma espécie de ritual de passagem, uma forma de mostrar que já não são crianças. O outro factor é este: as miúdas que pousam para as revistas não são nem "tias" quarentonas, nem tábuas-rasas saídas de uma agência de modelos de moda. São jovens voluptuosas entre os 20 e os 27 anos, com seios volumosos, escolhidas por agências especializadas em "glamour models". Não são famosas, é verdade (embora, com o tempo, acabem por ganhar alguma notoriedade), mas são muito sensuais.
Ora, se no estrangeiro, com modelos verdadeiramente deslumbrantes, as coisas não estão a correr bem devido à Internet, então imaginem em Portugal, com pseudo-celebridades enrugadas e cheias de plásticas ou com cachopas dos "Morangos com Açúcar" sem curvas no corpo. Isto para não falar da falta de imaginação e de qualidade dos fotógrafos, ou do facto que, à excepção da Playboy, as revistas masculinas portuguesas nunca mostrarem os seios das modelos (já as "lad's mags" britânicas têm sempre, ou quase sempre, mulheres em topless).
segunda-feira, 19 de julho de 2010
Passos Coelho e a Revisão (In)Constitucional
Pedro Passos Coelho continua a achar que o povo português é estúpido. A sorte dele é que a maioria dos portugueses são, de facto, muito estúpidos. Tão estúpidos que lhe hão-de dar uma maioria absoluta, como aliás deram a Sócrates há cinco anos atrás.
O líder do PSD, que pretende ser um reformista arrojado e corajoso, lembrou-se que seria agora o momento ideal para fazer umas alteraçõezitas à nossa Constituição. Isto porque, como qualquer um pode ver, não há nada de mais importante para se debater na actualidade.
Quer o social-democrata neoliberal (paradoxos destes só em Portugal) que os mandatos do presidente da república durem seis anos, em vez de cinco. Bom, em primeiro lugar, não estou a ver qual a utilidade de aumentar o mandato presidencial. Em segundo lugar, parece-me que Passos Coelho não é muito bom a fazer contas: por norma, um presidente tem facilidade em ser reeleito, o que significa que estaria doze anos no poder. Ora, tendo em conta que os candidatos presidenciais tendem a ter, pelo menos, uns sessenta anos...
Para além dos mandatos presidenciais, Passos Coelho deseja também aumentar o mandato do governo por cinco anos. Eu até concordaria, mas apenas se Portugal tivesse bons políticos. Como tal não se verifica, o melhor é ficarmo-nos pelo mandato de quatro anos, que já é tempo mais que suficiente para que o pessoal do PS e do PSD, alternadamente, façam a asneirada medíocre do costume.
Os nossos sociais-democratas de trazer no bolso propõe ainda uma série de alterações que consistem em substituir algumas palavras por sinónimos, embora o façam de maneira a dar um pendor menos esquerdista e mais neoliberal à Constituição. Independentmente de se ser a favor ou não do neoliberalismo, acho que não era preciso alterar a Constituição para o colocar em prática.
Todavia, o facto é que, tendo em conta os problemas do nosso país, duvido que o neoliberalismo seja a solução, muito pelo contrário. Num país onde as classes ricas são incapazes de inovar ou, pelo menos, investir em que inova, cabe ao Estado o papel de financiar e estimular o empreendedorismo. Isto para não falar da necessidade de um Estado-Providência para amparar os mais desfavorecidos - que, com a precariedade e com a miséria que temos em Portugal, bem precisam de ajuda.
Sinceramente, tenho pena que estas propostas idiotas sejam a única demonstração de desejo de mudança que os nossos políticos exibem. Sim, porque se fosse para tentar criar um novo sistema político, pensado especialmente para Portugal, que tivesse objectivos mais ambiciosos e que tentasse melhorar realmente a nossa sociedade, aí ninguém, nem da esquerda nem da direita, estaria interessado.
O líder do PSD, que pretende ser um reformista arrojado e corajoso, lembrou-se que seria agora o momento ideal para fazer umas alteraçõezitas à nossa Constituição. Isto porque, como qualquer um pode ver, não há nada de mais importante para se debater na actualidade.
Quer o social-democrata neoliberal (paradoxos destes só em Portugal) que os mandatos do presidente da república durem seis anos, em vez de cinco. Bom, em primeiro lugar, não estou a ver qual a utilidade de aumentar o mandato presidencial. Em segundo lugar, parece-me que Passos Coelho não é muito bom a fazer contas: por norma, um presidente tem facilidade em ser reeleito, o que significa que estaria doze anos no poder. Ora, tendo em conta que os candidatos presidenciais tendem a ter, pelo menos, uns sessenta anos...
Para além dos mandatos presidenciais, Passos Coelho deseja também aumentar o mandato do governo por cinco anos. Eu até concordaria, mas apenas se Portugal tivesse bons políticos. Como tal não se verifica, o melhor é ficarmo-nos pelo mandato de quatro anos, que já é tempo mais que suficiente para que o pessoal do PS e do PSD, alternadamente, façam a asneirada medíocre do costume.
Os nossos sociais-democratas de trazer no bolso propõe ainda uma série de alterações que consistem em substituir algumas palavras por sinónimos, embora o façam de maneira a dar um pendor menos esquerdista e mais neoliberal à Constituição. Independentmente de se ser a favor ou não do neoliberalismo, acho que não era preciso alterar a Constituição para o colocar em prática.
Todavia, o facto é que, tendo em conta os problemas do nosso país, duvido que o neoliberalismo seja a solução, muito pelo contrário. Num país onde as classes ricas são incapazes de inovar ou, pelo menos, investir em que inova, cabe ao Estado o papel de financiar e estimular o empreendedorismo. Isto para não falar da necessidade de um Estado-Providência para amparar os mais desfavorecidos - que, com a precariedade e com a miséria que temos em Portugal, bem precisam de ajuda.
Sinceramente, tenho pena que estas propostas idiotas sejam a única demonstração de desejo de mudança que os nossos políticos exibem. Sim, porque se fosse para tentar criar um novo sistema político, pensado especialmente para Portugal, que tivesse objectivos mais ambiciosos e que tentasse melhorar realmente a nossa sociedade, aí ninguém, nem da esquerda nem da direita, estaria interessado.
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Um Novo Sistema Político
Ao contrário dos outros comentadores, eu gosto de dar ideias para resolver os problemas.
Ora, um dos temas mais badalados nos últimos tempos é o desejo de Passos Coelho realizar profundas alterações ao Estado português. Tirar o Estado dos negócios, alterar a Consitiuição... muito bem, sendo assim, também eu irei descrever o que, para mim, seria um sistema político melhor. Não digo que fosse perfeito, pois os tugas são capazes de perverter tudo, mas talvez (ênfase no "talvez") funcionasse melhor do que o que temos agora.
Primeiro, vamos arranjar uma maneira de acabar com o "partidarismo", isto é, o facto dos políticos estarem mais interessados em ganhar votos para o seu partido do que em ajudar o país.
Eu proponho que se corte o mal pela raiz: como eu já referi há uns tempos, existem dois eixos que definem a ideologia dum partido: o cima-baixo (dirigismo-liberalismo) e o esquerda-direita (progresso-tradição). Ora, isto significa que há apenas quatro grandes quadrantes políticos: Socialismo (dirigismo,progresso), Nacionalismo (dirigismo,tradição), Capitalismo (liberalismo,tradição) e Liberalismo (liberalismo,progresso).
Assim, existiriam apenas quatro partidos - Capitalista, Socialista, Liberal e Nacionalista. Cada um teria 25 deputados no parlamento - o que significa que haveria 100 deputados no total, bem menos do que os que temos hoje.
Como eu referi, só haveriam estes partidos (pois são estas as ideologias que existem na actualidade) e cada um teria sempre 25 deputados. Logo, não haveria a tentação de fazer populismo, pois ninguém iria perder ou ganhar lugares no parlamento.
Bom, o leitor irá pensar, e com razão, que este sistema não é democrático, pois não se pode alterar o número de deputados através do voto. Todavia, garanto que este sistema promoveria uma democracia mais directa do que actual, como explicarei de seguida.
Outro dos problemas da nossa democracia é o facto dos políticos estarem distantes do povo, apesar de eles serem eleitos por distritos, e, supostamente, deverem representar os interesses dessa região.
Ora, neste meu sistema político, não se votava a distribuição de lugares no parlamento, mas votava-se em quais os deputados que nos iriam representar. Passo a explicar: como referi, cada partido tinha 25 deputados; ora, esses deputados eram divididos pelas regiões do nosso país, de modo a que, por exemplo, cada região tivesse direito a dois deputados de cada partido - ou seja, oito deputados, no total.
Ora, de quatro em quatro anos, os cidadãos iriam eleger quem seriam esses oito deputados. Para cada partido, escolhiam os dois deputados que os iriam representar. Isto significa que, dentro de cada partido, haveriam vários candidatos. Por exemplo, dentro do partido Nacionalista, haveriam os condidatos do CDS-PP, os do PPM e os do PNR.
Os deputados eram obrigados a passar uma semana por mês na região pela qual foram eleitos para ouvirem as queixas e propostas dos cidadãos. Caso falhassem esta obrigação, pagariam multas e, eventualmente, seriam substituídos, para tal realizando-se eleições intercalares na sua região.
Agora vamos ver como seria escolhido o governo. As eleições para o governo funcionariam do mesmo modo que as presidenciais. Para começar, os candidatos, ainda que pudessem simpatizar com uma ideologia, deveriam estar acima dos partidos, ainda que estes pudessem dar o seu apoio/preferência a certos candidatos.
Os candidatos teriam de fazer uma lista com as pessoas que iriam ocupar cada cargo - ministro das finanças, da educação, da justiça, etc. Isto permitira que os cidadãos analisassem bem o currículo dos futuros governantes.
Se nenhuma lista candidata conseguisse maioria absoluta nas eleições, realizar-se-ia uma segunda volta com as duas listas mais votadas. A que tivesse maioria - quer simples, quer absoluta - seria quem formaria governo.
Estas eleições não aconteceriam ao mesmo tempo que as eleições dos deputados; a eleição dos deputados aconteceria a meio do mandato do governo.
No parlamento, não haveriam nem líderes de grupos parlamentares, nem disciplina de voto. Não haveria nenhuma liderança organizada em nenhum partido, e cada deputado deveria pensar pela sua própria cabeça. Obviamente que cada deputado seguiria os ideais do seu quadrante político, mas teria também de zelar pelos interesses da região que representasse.
A quantidade de mandatos que um deputado poderia ter seria limitada a três, e o mesmo aconteceria à quantidade de mandatos dum governo.
Estes quatro partidos poderiam ser financiados pelo estado (tal como acontece um pouco na actualidade), mas, em contrapartida, não haveria quotas, permitindo que qualquer sujeito, independentemente das suas posses, pudesse participar na política.
É certo que este sistema político não seria perfeito, mas talvez funcionasse melhor do que o que temos em Portugal...
Ora, um dos temas mais badalados nos últimos tempos é o desejo de Passos Coelho realizar profundas alterações ao Estado português. Tirar o Estado dos negócios, alterar a Consitiuição... muito bem, sendo assim, também eu irei descrever o que, para mim, seria um sistema político melhor. Não digo que fosse perfeito, pois os tugas são capazes de perverter tudo, mas talvez (ênfase no "talvez") funcionasse melhor do que o que temos agora.
Primeiro, vamos arranjar uma maneira de acabar com o "partidarismo", isto é, o facto dos políticos estarem mais interessados em ganhar votos para o seu partido do que em ajudar o país.
Eu proponho que se corte o mal pela raiz: como eu já referi há uns tempos, existem dois eixos que definem a ideologia dum partido: o cima-baixo (dirigismo-liberalismo) e o esquerda-direita (progresso-tradição). Ora, isto significa que há apenas quatro grandes quadrantes políticos: Socialismo (dirigismo,progresso), Nacionalismo (dirigismo,tradição), Capitalismo (liberalismo,tradição) e Liberalismo (liberalismo,progresso).
Assim, existiriam apenas quatro partidos - Capitalista, Socialista, Liberal e Nacionalista. Cada um teria 25 deputados no parlamento - o que significa que haveria 100 deputados no total, bem menos do que os que temos hoje.
Como eu referi, só haveriam estes partidos (pois são estas as ideologias que existem na actualidade) e cada um teria sempre 25 deputados. Logo, não haveria a tentação de fazer populismo, pois ninguém iria perder ou ganhar lugares no parlamento.
Bom, o leitor irá pensar, e com razão, que este sistema não é democrático, pois não se pode alterar o número de deputados através do voto. Todavia, garanto que este sistema promoveria uma democracia mais directa do que actual, como explicarei de seguida.
Outro dos problemas da nossa democracia é o facto dos políticos estarem distantes do povo, apesar de eles serem eleitos por distritos, e, supostamente, deverem representar os interesses dessa região.
Ora, neste meu sistema político, não se votava a distribuição de lugares no parlamento, mas votava-se em quais os deputados que nos iriam representar. Passo a explicar: como referi, cada partido tinha 25 deputados; ora, esses deputados eram divididos pelas regiões do nosso país, de modo a que, por exemplo, cada região tivesse direito a dois deputados de cada partido - ou seja, oito deputados, no total.
Ora, de quatro em quatro anos, os cidadãos iriam eleger quem seriam esses oito deputados. Para cada partido, escolhiam os dois deputados que os iriam representar. Isto significa que, dentro de cada partido, haveriam vários candidatos. Por exemplo, dentro do partido Nacionalista, haveriam os condidatos do CDS-PP, os do PPM e os do PNR.
Os deputados eram obrigados a passar uma semana por mês na região pela qual foram eleitos para ouvirem as queixas e propostas dos cidadãos. Caso falhassem esta obrigação, pagariam multas e, eventualmente, seriam substituídos, para tal realizando-se eleições intercalares na sua região.
Agora vamos ver como seria escolhido o governo. As eleições para o governo funcionariam do mesmo modo que as presidenciais. Para começar, os candidatos, ainda que pudessem simpatizar com uma ideologia, deveriam estar acima dos partidos, ainda que estes pudessem dar o seu apoio/preferência a certos candidatos.
Os candidatos teriam de fazer uma lista com as pessoas que iriam ocupar cada cargo - ministro das finanças, da educação, da justiça, etc. Isto permitira que os cidadãos analisassem bem o currículo dos futuros governantes.
Se nenhuma lista candidata conseguisse maioria absoluta nas eleições, realizar-se-ia uma segunda volta com as duas listas mais votadas. A que tivesse maioria - quer simples, quer absoluta - seria quem formaria governo.
Estas eleições não aconteceriam ao mesmo tempo que as eleições dos deputados; a eleição dos deputados aconteceria a meio do mandato do governo.
No parlamento, não haveriam nem líderes de grupos parlamentares, nem disciplina de voto. Não haveria nenhuma liderança organizada em nenhum partido, e cada deputado deveria pensar pela sua própria cabeça. Obviamente que cada deputado seguiria os ideais do seu quadrante político, mas teria também de zelar pelos interesses da região que representasse.
A quantidade de mandatos que um deputado poderia ter seria limitada a três, e o mesmo aconteceria à quantidade de mandatos dum governo.
Estes quatro partidos poderiam ser financiados pelo estado (tal como acontece um pouco na actualidade), mas, em contrapartida, não haveria quotas, permitindo que qualquer sujeito, independentemente das suas posses, pudesse participar na política.
É certo que este sistema político não seria perfeito, mas talvez funcionasse melhor do que o que temos em Portugal...
terça-feira, 6 de julho de 2010
Não Votem nos Grandes Partidos
Muito se tem reflectido, debatido, discutido e re-discutido sobre os culpados pela situação catastrófica em que o nosso país se encontra. Facilmente se constata que a crise não é a culpada; ela apenas veio amplificar o atraso de Portugal.
O facto é que este atraso é causado por vários factores culturais e estruturais que apenas poderiam ser corrigidos através de um governo especialmente iluminado e competente, coisa que nenhum dos grandes partidos nos oferece. Assim, é normal culparmos os nossos políticos pela situação em que nos encontramos. E, depois, culpamos os imigrantes, os capitalistas, os funcionários públicos...
Contudo, se quisermos ver a face dos verdadeiros culpados, basta olharmo-nos ao espelho. Porque apesar das culpas dos políticos e afins, o facto é que, de 4 em 4 anos, é-nos dada a possibilidade de, sem esforço e sem perigo, mudar o país. No entanto, nós recusamos essa possibilidade, pois são sempre os mesmos que acabam por chegar ao parlamento.
Ainda nem sabemos se vão haver eleições antecipadas ou não, e já é um dado adquirido que o próximo primeiro-ministro chamar-se-á Pedro Passos Coelho. A maioria nem sabe quais os ideias dele. Muitos votarão nele porque tem um bom aspecto físico, outros porque acreditam mesmo que ele vai "mudar" o país - esquecem-se que a aconteceu exactamente a mesma coisa com o Sócrates. E com o Durão. E com o Guterres.
Depois há aqueles que, por preguiça ou por terem desistido, não votam, e ainda os que votam em branco ou nulo. Mas esquecem-se que os votos brnacos, nulos e a abstenção não conta para a distribuição de lugares no parlamento.
Não estou com isto a dizer que partidos extremistas, como o PNR ou o PCTP MRPP, ou sem ideologia, como o MEP ou o MMS, fossem melhor a governar o país. A questão é que, exactamente por esses partidos não serem, aparantemente, melhores do que os que estão no parlamento, uma eventual eleição de alguns dos seus membros para o parlamento faria com que os partidos do poder se vissem obrigados a mudar verdadeiramente de atitude.
Notem que, por muita mudança que o PS ou PSD ofereçam, a realidade é que eles não querem mudar o país, pois, afinal, este é o país que os elege sempre e onde eles fazem o que bem entendem. Não há, portanto, ne necessidade nem interesse mudar este país. Este é o país de sonho do PS e do PSD, pois é o país em que eles estão no topo da pirâmide.
E é por isso que eu peço a quem vota em branco ou nulo e a quem se abstem que faça o favor de votar nos pequenos partidos, para que os partidos do poder - o PS, o PSD, a CDU, o BE e o CDPS-PP - percebam que a sua hegemonia está em risco e que é imperativo inverter a situação.
O facto é que este atraso é causado por vários factores culturais e estruturais que apenas poderiam ser corrigidos através de um governo especialmente iluminado e competente, coisa que nenhum dos grandes partidos nos oferece. Assim, é normal culparmos os nossos políticos pela situação em que nos encontramos. E, depois, culpamos os imigrantes, os capitalistas, os funcionários públicos...
Contudo, se quisermos ver a face dos verdadeiros culpados, basta olharmo-nos ao espelho. Porque apesar das culpas dos políticos e afins, o facto é que, de 4 em 4 anos, é-nos dada a possibilidade de, sem esforço e sem perigo, mudar o país. No entanto, nós recusamos essa possibilidade, pois são sempre os mesmos que acabam por chegar ao parlamento.
Ainda nem sabemos se vão haver eleições antecipadas ou não, e já é um dado adquirido que o próximo primeiro-ministro chamar-se-á Pedro Passos Coelho. A maioria nem sabe quais os ideias dele. Muitos votarão nele porque tem um bom aspecto físico, outros porque acreditam mesmo que ele vai "mudar" o país - esquecem-se que a aconteceu exactamente a mesma coisa com o Sócrates. E com o Durão. E com o Guterres.
Depois há aqueles que, por preguiça ou por terem desistido, não votam, e ainda os que votam em branco ou nulo. Mas esquecem-se que os votos brnacos, nulos e a abstenção não conta para a distribuição de lugares no parlamento.
Não estou com isto a dizer que partidos extremistas, como o PNR ou o PCTP MRPP, ou sem ideologia, como o MEP ou o MMS, fossem melhor a governar o país. A questão é que, exactamente por esses partidos não serem, aparantemente, melhores do que os que estão no parlamento, uma eventual eleição de alguns dos seus membros para o parlamento faria com que os partidos do poder se vissem obrigados a mudar verdadeiramente de atitude.
Notem que, por muita mudança que o PS ou PSD ofereçam, a realidade é que eles não querem mudar o país, pois, afinal, este é o país que os elege sempre e onde eles fazem o que bem entendem. Não há, portanto, ne necessidade nem interesse mudar este país. Este é o país de sonho do PS e do PSD, pois é o país em que eles estão no topo da pirâmide.
E é por isso que eu peço a quem vota em branco ou nulo e a quem se abstem que faça o favor de votar nos pequenos partidos, para que os partidos do poder - o PS, o PSD, a CDU, o BE e o CDPS-PP - percebam que a sua hegemonia está em risco e que é imperativo inverter a situação.
terça-feira, 29 de junho de 2010
A Causa do Nosso Atraso Económico
Hoje decidi reflectir um pouco sobre aquela que acho ser uma das principais causas do atraso económico do nosso país: a impossibilidade do empreedorismo.
Actualmente, fala-se muito em empreedorismo. O problema é que, na sociedade portuguesa, o empreendorismo é uma tarefa extremamente dificultada.
Antes demais, vou explicar o que é um verdadeiro empreendedor. Um verdadeiro empreendedor NÃO é o filhinho dum ricalhaço que, usando o dinheiro e as cunhas do pai, vai montar um negócio da treta.
Não, um empreendedor é alguém que, independentemente de ser "rico" ou "pobre", teve uma boa ideia e decidiu colocá-la em prática, criando assim um negócio inovador que tem potencial para crescer, não só em Portugal, mas também no estrangeiro.
Bom, quem conhece bem as características da sociedade portuguesa sabe que, em primeiro lugar, é díficil encontrar pessoas com criatividade. Além disso, as poucas que seriam capazes de ter boas ideias não têm nem dinheiro nem cunhas para criar um empresa ou aplicar essas ideias a empresas já existentes.
É verdade que, em teoria, há formas de financiar a criação de novas empresas, por exemplo as sociedades de capitais de risco; todavia, na prática, o que acontece é que não existem apoios que realmente incentivem as pessoas a se aventurarem. E nenhum jovem quer começar a sua vida activa endividando-se e colocando uma corda à volta do pescoço.
Convém dizer que empreededor não é apenas quem cria novas empresas, é também quem dá novas ideias a empresas que já existem. Ora, mais uma vez, isto é impossível em Portugal. Poderiam-se enviar ideias geniais para empresas portuguesas que ninguém as ouviria.
Isto porque os patrões são, na maioria, velhos labregos que têm apenas a instrução primária e que se safaram não por serem criativos mas por terem uma grande sorte. Ora, como têm medo de pessoas com mais qualificações, eles contratam para os cargos de liderança da empresa os familiares e amigos. Pois, não é só no Estado que há compadrio, nas empresas privadas acontece o mesmo.
E assim, não é aproveitado o potencial dos portugueses, e as ideias que poderiam dar origem a poderosas multinacionais nunca saem do papel. E lá vai Portugal continuando a caminhar para o abismo, com o seu tecido empresarial composto por supermercados (que aumentam o défice da balança comercial e promovem o trabalho precário), construtoras (que vivem dependentes das obras públicas e cujos líderes são os filhotes do patrão) e bancos (que não desejam financiar o empreendedorismo, mas sim apostar naquilo que não tem risco, como a bolsa).
Actualmente, fala-se muito em empreedorismo. O problema é que, na sociedade portuguesa, o empreendorismo é uma tarefa extremamente dificultada.
Antes demais, vou explicar o que é um verdadeiro empreendedor. Um verdadeiro empreendedor NÃO é o filhinho dum ricalhaço que, usando o dinheiro e as cunhas do pai, vai montar um negócio da treta.
Não, um empreendedor é alguém que, independentemente de ser "rico" ou "pobre", teve uma boa ideia e decidiu colocá-la em prática, criando assim um negócio inovador que tem potencial para crescer, não só em Portugal, mas também no estrangeiro.
Bom, quem conhece bem as características da sociedade portuguesa sabe que, em primeiro lugar, é díficil encontrar pessoas com criatividade. Além disso, as poucas que seriam capazes de ter boas ideias não têm nem dinheiro nem cunhas para criar um empresa ou aplicar essas ideias a empresas já existentes.
É verdade que, em teoria, há formas de financiar a criação de novas empresas, por exemplo as sociedades de capitais de risco; todavia, na prática, o que acontece é que não existem apoios que realmente incentivem as pessoas a se aventurarem. E nenhum jovem quer começar a sua vida activa endividando-se e colocando uma corda à volta do pescoço.
Convém dizer que empreededor não é apenas quem cria novas empresas, é também quem dá novas ideias a empresas que já existem. Ora, mais uma vez, isto é impossível em Portugal. Poderiam-se enviar ideias geniais para empresas portuguesas que ninguém as ouviria.
Isto porque os patrões são, na maioria, velhos labregos que têm apenas a instrução primária e que se safaram não por serem criativos mas por terem uma grande sorte. Ora, como têm medo de pessoas com mais qualificações, eles contratam para os cargos de liderança da empresa os familiares e amigos. Pois, não é só no Estado que há compadrio, nas empresas privadas acontece o mesmo.
E assim, não é aproveitado o potencial dos portugueses, e as ideias que poderiam dar origem a poderosas multinacionais nunca saem do papel. E lá vai Portugal continuando a caminhar para o abismo, com o seu tecido empresarial composto por supermercados (que aumentam o défice da balança comercial e promovem o trabalho precário), construtoras (que vivem dependentes das obras públicas e cujos líderes são os filhotes do patrão) e bancos (que não desejam financiar o empreendedorismo, mas sim apostar naquilo que não tem risco, como a bolsa).
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Considerações sobre o Mundial
Muitos de vós acompanham os jogos de futebol, especialmente os da nossa selecção, com grande interesse. Sabem que ganhar jogos não acaba com a nossa crise, mas ter uma boa classificação no mundial seria positivo para a nossa imagem internacional, trazendo glória para Portugal.
Outros acham que o futebol é uma forma de distrair as pessoas das questões que realmente interessam e que, embora ganhar jogos seja bom, isso não nos vai ajudar a desenvolver o país. Pelo contrário, enquanto durar o mundial, os políticos poderão fazer o que quiserem que ninguém se irá importar.
Ambos os pontos de vista, apesar de serem opostos, têm razão. É verdade que o futebol é como os jogos de circo da Antiga Roma, serve para distrair o povo. O Sócrates pode aumentar novamente os impostos que ninguém dará por isso. Assim como ninguém dará pela morte do Saramago até ter acabado o mundial.
Mas é igualmente verdade que o mundial permite a Portugal fazer algo que normalmente não é capaz: vencer, destacar-se pela positiva. Apesar dos jogadores de futebol serem, na maioria, labregos imaturos que recebem um ordenado que não merecem (todos criticam os salários dos políticos e dos gestores públicos, mas ninguém aponta o dedo aos ganhos milionários dos futebolistas) e que estão longe de serem os melhores representantes do nosso país.
Mas voltemos à questão do futebol como forma de distrair as massas. Será isso assim tão negativo? Depois de passarem os últimos anos a ouvir dizer que estamos em crise, que há cada vez mais desemprego, que a criminalidade aumenta, não merecerão os portugueses uma distracção?
Não nos esqueçamos que, se nos últimos dias, os meios de comunicação não falam de outra coisa para além do mundial, no resto do ano eles não falam de outra coisa que não seja a crise, e muitas das notícias pintam uma imagem mais pessimista do que a realidade verdadeiramente é. Assim, é exactamente pelo facto do futebol dar a ilusão de felicidade e glória às pessoas que ele é importante.
Ao menos agora há uma luz ao fundo deste negro túnel, e ainda que essa luz não seja a saída, ela não deixa de nos iluminar.
Outros acham que o futebol é uma forma de distrair as pessoas das questões que realmente interessam e que, embora ganhar jogos seja bom, isso não nos vai ajudar a desenvolver o país. Pelo contrário, enquanto durar o mundial, os políticos poderão fazer o que quiserem que ninguém se irá importar.
Ambos os pontos de vista, apesar de serem opostos, têm razão. É verdade que o futebol é como os jogos de circo da Antiga Roma, serve para distrair o povo. O Sócrates pode aumentar novamente os impostos que ninguém dará por isso. Assim como ninguém dará pela morte do Saramago até ter acabado o mundial.
Mas é igualmente verdade que o mundial permite a Portugal fazer algo que normalmente não é capaz: vencer, destacar-se pela positiva. Apesar dos jogadores de futebol serem, na maioria, labregos imaturos que recebem um ordenado que não merecem (todos criticam os salários dos políticos e dos gestores públicos, mas ninguém aponta o dedo aos ganhos milionários dos futebolistas) e que estão longe de serem os melhores representantes do nosso país.
Mas voltemos à questão do futebol como forma de distrair as massas. Será isso assim tão negativo? Depois de passarem os últimos anos a ouvir dizer que estamos em crise, que há cada vez mais desemprego, que a criminalidade aumenta, não merecerão os portugueses uma distracção?
Não nos esqueçamos que, se nos últimos dias, os meios de comunicação não falam de outra coisa para além do mundial, no resto do ano eles não falam de outra coisa que não seja a crise, e muitas das notícias pintam uma imagem mais pessimista do que a realidade verdadeiramente é. Assim, é exactamente pelo facto do futebol dar a ilusão de felicidade e glória às pessoas que ele é importante.
Ao menos agora há uma luz ao fundo deste negro túnel, e ainda que essa luz não seja a saída, ela não deixa de nos iluminar.
quinta-feira, 10 de junho de 2010
Os Cavalheiros do Apocalipse
Desta vez, ao invés de debitar um bitaite acerca da sociedade portuguesa, decidi aproveitar o espírito do Dia de Portugal (ou Dia da Raça) e apresentar alguns portugueses que produzem conteúdos com grande qualidade na Internet.
Os primeiros portugueses de que irei falar são os Cavalheiros do Apocalipse.
Trata-se de um grupo de humoristas amadores que, todavia, conseguem criar sketches de grande qualidade (melhor até do que muitos profissionais que temos na nossa televisão).
O site destes cavalheiros é este:
http://cavalheirosdoapocalipse.blogs.sapo.pt/
Mas aquilo que vos interessará mais são os seus vídeos, disponíveis aqui:
http://www.youtube.com/user/cavalheiros
Um dos últimos vídeos é especialmente do meu agrado, pois critica de forma hilariante o facto de o governo ter aumentado os impostos durante a visita do papa:
Para quem não conhecer este grupo, vejam alguns dos vídeos deles, pois não se arrependerão.
Os primeiros portugueses de que irei falar são os Cavalheiros do Apocalipse.
Trata-se de um grupo de humoristas amadores que, todavia, conseguem criar sketches de grande qualidade (melhor até do que muitos profissionais que temos na nossa televisão).
O site destes cavalheiros é este:
http://cavalheirosdoapocalipse.blogs.sapo.pt/
Mas aquilo que vos interessará mais são os seus vídeos, disponíveis aqui:
http://www.youtube.com/user/cavalheiros
Um dos últimos vídeos é especialmente do meu agrado, pois critica de forma hilariante o facto de o governo ter aumentado os impostos durante a visita do papa:
Para quem não conhecer este grupo, vejam alguns dos vídeos deles, pois não se arrependerão.
quinta-feira, 3 de junho de 2010
O Concurso Eurovisão da Canção
Mais uma vez, Portugal não ganhou o concurso Eurovisão da canção. O que já seria de esperar, dada a música medíocre que a representante portuguesa foi lá cantar.
Portugal tem o record de ser o país a participar há mais tempo sem nunca ganhar. Existem várias causas para isto. Em primeiro lugar, as nossa músicas candidatas são, na maior parte das vezes, muito medíocres.
Se a RTP tivesse alguma coragem e estivesse realmente interessada na vitória, teria enviado uma banda Pop-Rock que fosse inovadora. Lembrem-se que a Turquia ficou em segundo lugar (e, a meu ver, merecia ganhar) graças à banda Manga, uma banda de rock bastante interessante e fora do comum. Não nos esqueçamos também que a Finlândia ganhou há uns anos devido à banda de hard rock Lordi.
Contudo, não basta ter uma música inovadora. Muito importante também são as amizades. Tirando a vitória alemã deste ano, os últimos vencedores da Eurovisão têm sido os nórdicos ou os países de leste.
Isto porque a Noruega dá sempre os 12 pontos à Dinamarca, a Suécia dá sempre 12 pontos à Finlândia, e assim sucessivamente. Mas o pior são os países do antigo bloco soviético, que não resistem em dar um generosa pontuação à mãe Rússia.
É também curioso ver que, apesar de no dia a dia se odiarem profundamente, os povos dos Balcãs esquecem as suas rivalidades e declaram tréguas durante a Eurovisão. A Sérvia vota na Bósnia, a Croácia vota Albânia... e aí por diante. E o pior é que cada ano surge um novo país naquela zona, logo os ex-jugoslavos têm cada vez mais probabilidades de vencer.
Portugal não tem amigalhaços, e tem somente uma ajudazita de França e, às vezes, de Espanha. Assim, torna-se difícil ganhar, especialmente com músicas de pouca qualidade.
Por mim, o representante de Portugal seria uma das novas banda que têm surgido e inovado recentemente no nosso panorama musical, como os Diabo na Cruz, os Azeitonas ou os Pontos Negros. Só não falo nos Deolinda porque parte da piada das suas músicas só pode ser percebida por portugueses.
Ah, e já agora: e se cantassem em inglês, ou, pelo menos, umas partes em português e outras em inglês?
Portugal tem o record de ser o país a participar há mais tempo sem nunca ganhar. Existem várias causas para isto. Em primeiro lugar, as nossa músicas candidatas são, na maior parte das vezes, muito medíocres.
Se a RTP tivesse alguma coragem e estivesse realmente interessada na vitória, teria enviado uma banda Pop-Rock que fosse inovadora. Lembrem-se que a Turquia ficou em segundo lugar (e, a meu ver, merecia ganhar) graças à banda Manga, uma banda de rock bastante interessante e fora do comum. Não nos esqueçamos também que a Finlândia ganhou há uns anos devido à banda de hard rock Lordi.
Contudo, não basta ter uma música inovadora. Muito importante também são as amizades. Tirando a vitória alemã deste ano, os últimos vencedores da Eurovisão têm sido os nórdicos ou os países de leste.
Isto porque a Noruega dá sempre os 12 pontos à Dinamarca, a Suécia dá sempre 12 pontos à Finlândia, e assim sucessivamente. Mas o pior são os países do antigo bloco soviético, que não resistem em dar um generosa pontuação à mãe Rússia.
É também curioso ver que, apesar de no dia a dia se odiarem profundamente, os povos dos Balcãs esquecem as suas rivalidades e declaram tréguas durante a Eurovisão. A Sérvia vota na Bósnia, a Croácia vota Albânia... e aí por diante. E o pior é que cada ano surge um novo país naquela zona, logo os ex-jugoslavos têm cada vez mais probabilidades de vencer.
Portugal não tem amigalhaços, e tem somente uma ajudazita de França e, às vezes, de Espanha. Assim, torna-se difícil ganhar, especialmente com músicas de pouca qualidade.
Por mim, o representante de Portugal seria uma das novas banda que têm surgido e inovado recentemente no nosso panorama musical, como os Diabo na Cruz, os Azeitonas ou os Pontos Negros. Só não falo nos Deolinda porque parte da piada das suas músicas só pode ser percebida por portugueses.
Ah, e já agora: e se cantassem em inglês, ou, pelo menos, umas partes em português e outras em inglês?
sexta-feira, 28 de maio de 2010
"Arte" Contemporânea
Hoje vou mandar um bitaite sobre um tema que eu aprecio muito: as artes plásticas - isto é, a pintura e a escultura.
Como o leitor já se deve ter apercebido, os artistas de hoje em dia nada têm a ver com os grandes mestres do passado. Não há ninguém que pinte ou esculpe como Miguel Ângelo, Leonardo ou Rafael. Não, hoje a arte está centrada apenas em ideias e conceitos, e, por isso, a forma não interessa.
É por isso que, actualmente, a maioria dos escultores e pintores não são, de facto, dignos desse nome, já que não esculpem nem pintam com a qualidade dos grandes mestres do passado. Em vez disso, eles desejam apenas transmitir ideias e chocar quem vê as suas obras. É a chamada Arte Contemporânea, e quem a pratica está mais próximo de ser um filósofo do que propriamente de ser um verdadeiro artista.
Como é que se chegou a esta situação? Bom, tudo começou no final do séc. XIX, quando foi inventada a fotografia. Devido a essa invenção, começou-se a considerar a arte tradicional algo antiquado e desnecessário, dado que agora era possível retratar qualquer coisa com pouco trabalho através da máquina fotográfica.
Como se sabe, a arte - como outras áreas do conhecimento humano - tem de ser algo criativo e inovador. Logo, os artistas do final do séc. XIX e início do séc. XX decidiram deixar a arte "tradicional" e inovar, criando estilos como o impressionismo, o fauvismo, o cubismo, o expressionismo, o futurismo, o abstractionismo, o surrealismo e o dadaísmo.
Estes estilos, apesar de não possuírem a qualidade técnica dos artistas do passado, não deixavam de ser atraentes e interessantes. Todavia, após a Segunda Guerra Mundial, o artistas continuaram a seguir o caminho da abstracção e a preocupar-se cada vez mais com as mensagens transmitidas pelas obras, negligenciando a aparência - que deveria ser a base da Arte.
E assim, há mais de 60 anos que os gurus da pseudo-intelectualidade consideram que a boa arte é a "arte" minimalista, a "arte" conceptual. E os artistas continuam a criar obras cada vez mais bizarras, apenas com a intenção de provocar e chocar.
Contudo, se um bom artista é um artista inovador, parece-me que todos aqueles que se dedicam a esta "arte" contemporânea não são bons artistas, dado que este tipo de arte tem sido repetido por toda a gente no últimos 60 anos. Logo, a Arte Contemporânea já não é inovadora: tornou-se no lugar-comum, no banal. Toda a gente a faz.
Na actualidade, um artista inovador não será aquele que faz como todos os outros e produz "arte" contemporânea, mas sim aquele que terá a coragem para quebrar com os canônes e fazer algo revolucionário: voltar a pintar e a esculpir como os mestres do passado.
Será que ainda há alguém capaz de produzir obras como as do Renascimento ou do Romantismo?
Como o leitor já se deve ter apercebido, os artistas de hoje em dia nada têm a ver com os grandes mestres do passado. Não há ninguém que pinte ou esculpe como Miguel Ângelo, Leonardo ou Rafael. Não, hoje a arte está centrada apenas em ideias e conceitos, e, por isso, a forma não interessa.
É por isso que, actualmente, a maioria dos escultores e pintores não são, de facto, dignos desse nome, já que não esculpem nem pintam com a qualidade dos grandes mestres do passado. Em vez disso, eles desejam apenas transmitir ideias e chocar quem vê as suas obras. É a chamada Arte Contemporânea, e quem a pratica está mais próximo de ser um filósofo do que propriamente de ser um verdadeiro artista.
Como é que se chegou a esta situação? Bom, tudo começou no final do séc. XIX, quando foi inventada a fotografia. Devido a essa invenção, começou-se a considerar a arte tradicional algo antiquado e desnecessário, dado que agora era possível retratar qualquer coisa com pouco trabalho através da máquina fotográfica.
Como se sabe, a arte - como outras áreas do conhecimento humano - tem de ser algo criativo e inovador. Logo, os artistas do final do séc. XIX e início do séc. XX decidiram deixar a arte "tradicional" e inovar, criando estilos como o impressionismo, o fauvismo, o cubismo, o expressionismo, o futurismo, o abstractionismo, o surrealismo e o dadaísmo.
Estes estilos, apesar de não possuírem a qualidade técnica dos artistas do passado, não deixavam de ser atraentes e interessantes. Todavia, após a Segunda Guerra Mundial, o artistas continuaram a seguir o caminho da abstracção e a preocupar-se cada vez mais com as mensagens transmitidas pelas obras, negligenciando a aparência - que deveria ser a base da Arte.
E assim, há mais de 60 anos que os gurus da pseudo-intelectualidade consideram que a boa arte é a "arte" minimalista, a "arte" conceptual. E os artistas continuam a criar obras cada vez mais bizarras, apenas com a intenção de provocar e chocar.
Contudo, se um bom artista é um artista inovador, parece-me que todos aqueles que se dedicam a esta "arte" contemporânea não são bons artistas, dado que este tipo de arte tem sido repetido por toda a gente no últimos 60 anos. Logo, a Arte Contemporânea já não é inovadora: tornou-se no lugar-comum, no banal. Toda a gente a faz.
Na actualidade, um artista inovador não será aquele que faz como todos os outros e produz "arte" contemporânea, mas sim aquele que terá a coragem para quebrar com os canônes e fazer algo revolucionário: voltar a pintar e a esculpir como os mestres do passado.
Será que ainda há alguém capaz de produzir obras como as do Renascimento ou do Romantismo?
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