sexta-feira, 30 de abril de 2010

Pausa da Crise

Bom, depois de tanta preocupação com as agências de ratings e com a crise, está na altura do povo português fazer uma pausa. Afinal, não podem ser só desgraças, não é?


O papa acusado de promover o encobrimento de pedófilos vem a Portugal e, como é óbvio, toda a gente irá querer prestar homenagem ao líder de tão santa instituição.


Quem sabe se não se faz história e algum anti-católico mata o papa no nosso país - seria certamente um orgulho, até poderíamos dizer "vejam, foi aqui que assassinaram o papa".


Entretanto, e por falar em assassinatos, vem aí o Mundial de Futebol. Por norma, este tipo de eventos chama sempre a atenção das pessoas. Contudo, este ano, por graça de algum cão grande da FIFA armado em politicamente correcto, o Mundial passa-se na África do Sul, pelo que o interesse será redobrado!


Não se trata apenas de saber se a selecção portuguesa sairá triunfante; há também questões como: haverão atentados? Irão os brancos e os negros matarem-se uns aos outros? Será apenas um mundial de futebol, ou haverá também uma guerra civil?


Por falar em futebol, tudo aponta para que aconteça algo que irá fazer com que o país pare durante vários dias para festejar: o Benfica vai sagrar-se campeão!


Sócrates até suspira de alívio com tudo isto: vai poder governar descansado durante uns tempos - pelo menos até ao Outono. Será que vai fazer como o Durão e aproveitar a distracção do povo para fugir?

Movimento Pérpetuo Associativo

O país está em crise. As agências de rating querem fazer-nos a vida negra. A nossa economia está débil. Todavia, isso não impede que os corajosos sindicatos dos trabalhadores se revoltem contra a exploração capitalista!


Mas que corajosos sindicatos são estes? De que trabalhadores explorados estou eu a falar? Ora, dos funcionários da CP, quem haveria de ser? Pois não há desgraçados mais explorados que esta gente! Ao pé das miseráveis condições laborais dos nossos ferroviários, a vida dos escravos das plantações da algodão parece o paraíso!


Felizmente que as marionetas do Partido Comunista, perdão, os corajosos sindicatos, decidiram iniciar a luta contra esta inaceitável exploração, dando assim início a uma série de greves que vão paralisar o país.


E que altura mais indicada para paralisar o país (que já costuma estar paralisado nos dias normais, quanto mais em dia de greve da CP) do que esta, em que todos deveriam estar a fazer sacrifícios para evitar que nos tornemos na nova Grécia.


Mas, alto lá, que mais importante do que as finanças do país, é a boa vida destes trabalhadores - quando os sindicatos e o PCP se referem a "trabalhadores", querem dizer "funcionários públicos mimados" - por isso, que se lixe a economia portuguesa.


E assim, graças ao protesto destes "trabalhadores", os trabalhadores a sério - os que não podem fazer greves senão perdem o emprego - não podem ir trabalhar. Esperem só até ao Pedro Passos Coelho se tornar primeiro-ministro e privatizar a CP, e aí quero ver estes meninos a fazerem greve outra vez!

Agências de Rating

Esta semana, uma agência de ratings norte-americana - a Standard & Poor's - decidiu baixar o rating de Portugal.


Apesar do nosso país ser dado a escândalos, não aconteceu nenhum na semana anterior, pelo que não estou a ver porque é que esta agência se lembrou de agir agora. Porém, o facto de se tratar duma agência norte-americana faz-me suspeitar que o objectivo seja garantir que a crise da Grécia se alastre ao resto da Europa, de modo a que os EUA mantenham durante mais alguns anos o estatuto de única superpotência.


Como é óbvio, não posso deixar de me sentir indignadíssimo. Como é possível que uma pequena quantidade de meninos ricos americanos se sintam no direito de jogar com a vida dos países da mesma forma que jogam na bolsa de valores.


Portugal, Grécia, e Espanha podem estar em dificuldades, é verdade, mas não nos esqueçamos duma coisa: não são empresas, são países, ou seja, correspondem a povos. Logo, nunca deveriam ser tratados como negócios.


Contudo, há algo que me alegra: o facto de nem Portugal, nem a Grécia, nem a Espanha, nem sequer países como a Alemanha ou o Reino Unido irão algum dia pagar as dívidas que têm a estes ricos filhos da puta. Mais tarde ou mais cedo virá o dia em que estas nações vão aperceber-se da estupidez que é condicionarem a vida de povos inteiros em nome de meia dúzia de banqueiros avarentos.


Entretanto, tenho de dar os parabéns à cooperação entre Sócrates e Passos Coelho. Ao menos que esta agência faça com que os políticos portugueses se esforcem e trabalhem em conjunto, pondo as guerrinhas partidárias de lado.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

TVI, SIC: Populismo e Negativismo

É verdade que José Sócrates é uma nódoa. É verdade que estamos a viver uma grave crise. Contudo, a verdade é esta: poderíamos estar a viver numa época de "vacas gordas", que os meios de comunicação - em especial a TVI e a SIC - iriam dar-nos a sensação que o nosso país estava a atravessar uma época conturbada.


Vejam a programação destes dois canais: de manhã, programas que exibem pessoas cujas vidas são uma tragédia grega (invariavelmente, a culpa disto é do Estado), lembrando-me os circos de antigamente, em que eram exibidas aberrações como a mulher-barbuda ou um anão acrobata. Raríssimas são as vezes em que se mostram histórias de sucesso.


À hora do almoço, o telejornal, onde são apenas apresentadas as más notícias - o desemprego, a crise, a criminalidade, escândalos -, enquanto que as notícias positivas raramente são mencionadas.


À tarde, num canal temos a Fátima Lopes, no outro temos a Júlia Pinheiro... e, mais uma vez, lá temos nós a exibição de desgraças, tal e qual como nos programas matinais.


Curiosamente, a SIC gaba-se de ser um canal com informação séria, e, até recentemente, eu concordava com essa afirmação. Mas a minha opinião alterou-se com o surgimento de um programa que consegue a proeza de ser mais sensacionalista do que a TVI: o "Nós Por Cá". A irritante apresentadora deste programa que critica tudo e todos (chegando mesmo ao ponto de gozar de coisas em que o Estado não errou) é a perfeita sucessora da Manuela Moura Guedes.


À noite, lá temos outra vez o telejornal, destacando sempre as desgraças e colocando as novidades positivas de lado, e, de seguida, telenovelas sem criatividade que narram histórias de fazer chorar as pedras da calçada e que parecem inspiradas nos desgraçadinhos que aparecem nos programas da manhã e da tarde.


Como o nosso primeiro-ministro é um incompetente, este sensacionalismo pessimista até é bom, pois leva a que os portugueses, normalmente conformistas, se revoltem contra o actual estado da nação. Porém, ao se criticar tanto o governo, a população não se apercebe das reais intenções da oposição, nomeadamente do PSD neoliberal de Pedro Passos Coelho.


Mas o pior é o seguinte: com este tipo de comunicação social, é possível que, se passarmos novamente por um período de crescimento e desenvolvimento, não nos apercebamos disso e pensemos que ainda estamos a viver em tempos de crise...

Energia Nuclear?

Recentemente, um grupo de economistas mostrou interesse em lançar um debate público sobre a questão da energia nuclear.


Como seria de esperar, a maior parte das pessoas mostra-se desconfiada em relação a este tipo de energia, dados os perigos que lhe estão associados. Todavia, há algo de que os portugueses se esquecem: os nossos "irmãos", os espanhóis, não só já têm centrais nucleares há bastante tempo, como as têm localizadas perto da nossa fronteira.


É verdade. "Ai, energia nulcear não, que se aquilo rebenta, vamos todos para o caralho!" Pois, acontece que nos arriscamos a ir "para o caralho" de qualquer maneira, graças às centrais nucleares castelhanas.


Assim sendo, creio que não teríamos nada a perder em apostar na energia nuclear, fosse o medo de um cenário tipo Chernobyl o único problema. Porém, o problema maior é o investimento necessário para construir uma central nuclear.


Contudo, se compararmos com outros projectos - nomeadamente o TGV - creio que é óbvio que uma central nuclear traria proveitos mais rapidamente do que a alta velocidade, cujos impactos positivos na economia não são tão garantidos...


Alguns ambientalistas estão contra a energia nuclear - não que esta seja perniciosa para o meio ambiente; muito pelo contrário, é uma forma de energia limpíssima -, temendo que, se apostássemos mais na energia nuclear, iria investir-se menos nas outras energias alternativas. Todavia, este é um medo sem fundamento. Pelo contrário, com o dinheiro ganho com a energia nuclear, poderia-se investir ainda mais na investigação científica/tecnológica (o que inclui o desenvolvimento das energias renováveis).


Finalmente, há ainda outro ponto que eu gostaria de referir. Costuma-se dizer que um dos problemas de Portugal é a desertificação do interior. Ora, para a energia nuclear, isso é uma vantagem. Poderia contruir-se uma central nuclear no Alentejo, perto da fronteira espanhola, numa das tais zonas desertificadas, e assim, mesmo que o pior acontecesse (o que é altamente improvável, se compararmos com o que ocorre no estrangeiro), ninguém seria penalizado.


Penso que, se é para termos obras faraónicas, que seja uma coisa útil e com resultados garantidos a médio prazo, como uma central nuclear, e não o TGV, cujos resultados são, na minha opinião, um pouco duvidosos...

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Passos Coelho Está Doido?

Com que então, o novo líder do PSD e aspirante a próximo primeiro-ministro, afirma que quer privatizar a Caixa Geral de Depósitos. Isto porque Pedro Passos Coelho deseja "tirar o Estado dos negócios".



É verdade que, como ele afirma, o facto do Estado se envolver em alguns negócios pode levar à corrupção. Todavia, ele esquece-se dum pormenor essencial: sem esses negócios, o Estado teria ainda menos fontes de receitas do que tem hoje. Ora, sinceramente, eu prefiro ter corrupção mas mais milhões a entrarem nos cofres do Estado, do que menos corrupção (ou não - haverá sempre corrupção, a menos que se alterem mentalidades) mas ter um Estado ainda mais pelintra do que o que temos.



Aliás, quem é mais corrupto? Gajos como o Valentim Loureiro, que roubam milhares de euros, ou Pedro Passos Coelho, que pretende roubar ao Estado empresas inteiras, que valem milhões?



Além disto, há algo nos planos de Passos Coelho que me está a escapar: se ele quer tirar o Estado dos negócios, perdendo assim receita, como iria ele equilibrar as contas do Estado? A não ser, é claro, que este chico-esperto também esteja a pensar em privatizar as escolas, os hospitais, a Segurança Social e aí por diante.



Felizmente, se esse idiota tiver tal ideia peregrina, estou certo que levará um pontapé no rabo mais rapidamente que os seus antecessores. Bom, mas se Passos Coelho não diminuir a despesa, e quiser privatizar empresas públicas como a Caixa, então como vai sustentar o orçamento de Estado? Vai aumentar os impostos? Não, ele próprio disse que temos de ter taxas competitivas.



Claro que, privatizando empresas públicas, o Estado encaixaria alguns milhões que permitiriam que um eventual governo de Passos Coelho se safasse, provavelmente até diminuindo o défice. O problema, nesse cenário, seria dos que lhe sucedessem, quando tivesse acabado o dinheiro das privatizações...



Em todo o caso, é melhor que Pedro Passos Coelho se explique melhor. Até que ponto é ele um neoliberal?

segunda-feira, 12 de abril de 2010

A Maldade da Ordem dos Médicos

Há três profissões pelas quais tenho imenso respeito: bombeiros, enfermeiros e médicos. Contudo, isso não quer dizer que eu tenha o mínimo respeito pela Ordem dos Médicos.



Como todas as "Ordens" do nosso país, esta "instituição" é uma máfia que, supostamente, deveria promover os valores éticos dos seus profissionais. Porém, a verdade é que o comportamento da própria Ordem é bastante imoral.



Para começar, temos médicos que estão com um pé no público e outro no privado, muitas vezes usando os recursos dos hospitais públicos para servir os seus clientes do privado. A Ordem foi incapaz de controlar isto - aliás, tem sido bastante negligente.



Há uns dias, estive numa palestra em que um comandante dos bombeiros me informou de algo revoltante: enquanto que, nos outros países, é permitido o uso de desfibriladores por qualquer pessoa formada para tal, em Portugal, por obra e graça da Ordem dos Médicos, apenas os médicos podem usar desfibriladores. Resultado: nos outros países, a taxa de sucesso nos salvamentos em caso de paragem cardíaca é de 60 a 70%, enquanto que, no nosso país, esta é de apenas 5%.



Mas a maior canalhice feita por esta Ordem ocorreu há uns anos atrás, no tempo das vacas gordas, quando a Ordem fez pressão para o governo não aumentar as vagas nos cursos de medicina. Graças a isso, hoje temos falta de médicos.



Os membros da Ordem fizeram o juramento de Hipócrates - fazer tudo para salvar vidas - todavia, parece que se esqueceram disso há muito tempo. E ainda dizem que o objectivo da Ordem é defender a ética!

Erudito VS Popular

Por norma, diz-se que existem dois níveis de cultura: a erudita e a popular. A erudita é apresentada como algo positivo e que deve ser promovido, enquanto que a popular possui menor valor e, por isso, merece desprezo.



Todavia, esta divisão falha num ponto: ela omite o meio-termo, ou seja, a cultura mainstream, frequentemente chamada de "comercial" - da mesma forma que se chama "pimba" à popular e "pseudo-intelectual" à erudita.



Ao contrário do que é dito, a cultura erudita não é a mais "positiva". Ela é a mais elevada, isso sim - de facto, até é demasiado elevada. Da mesma forma que a cultura popular é a mais acessível - acessível demais, aliás. Já a cultura mainstream é a que está no meio e, como dizia Aristóteles, no meio é que está a virtude.



Em primeiro lugar, isto significa que não há nada mais fútil do que aquelas discussões entre fãs de bandas ou escritores mainstream, dizendo que autor tal se tornou "comercial" ou que determinado músico é demasiado "intelectual". É que fazer tais distinções é o mesmo que estar a dizer que fulano tal é mais do norte enquanto que beltrano é mais do sul - para todos os efeitos são portugueses, tal como todos os artistas de rock, metal, hip-hop, pop, e reggae fazem parte da cultura mainstream, por exemplo.



Por isso, se alguém me vem dizer que os Pearl Jam se tornaram comerciais, a minha resposta será: "Ai é? Não me digas que antes eles tocavam Mozart ou Bach!"
Porque o rock é um exclusivo da cultura mainstream, assim como a música clássica e a chamada "world music" são exclusivas da cultura erudita, e a música pimba e dos ranchos folclóricos são parte da cultura popular.



Curiosamente, estas três formas de cultura não são estáticas, e não é raro vermos os dois extremos (eruditos e populares) a formarem uma aliança. Exemplo disso é o fado, que começou como popular e agora é erudito.



Ora, o Ministério da Cultura, que tem o dever de promover a cultura em Portugal, é altamente discriminatório em relação à cultura do meio-termo. Grande parte dos subsídios deste Ministério vão direitinhos para os artistas pseudo-intelectuais da cultura erudita - por exemplo, cineastas como o falecido João César Monteiro (realizador da "obra" "Branca de Neve").



A prova que a cultura erudita não é superior está no facto de ela não ser a forma de cultura dominante nos países desenvolvidos. Na Europa, América do Norte e Japão, é a cultura mainstream a principal - isto porque essa é a cultura da classe média. Assim, países com maior proporção de artistas mainstream são países com uma maior classe média, ou seja, menos desigualdades sociais.



Já o Brasil, que é um país em desenvolvimento e com desigualdades gritantes, além de ter uma forte cultura popular (samba, telenovelas), tem também uma forte cultura erudita (afinal, eles criaram a famosa Bossa Nova). Já a cultura mainstream tem muito menos peso - pois a classe média é pequena.



E é pelo facto da cultura mainstream ser um sintoma de bem-estar da classe média (e, consequentemente, de toda a sociedade do próprio país) que eu a defendo. Até porque, como já referi acima, ela é o meio-termo entre as outras duas culturas. Isso não significa que os artistas eruditos e populares tenham menos valor - até porque, como se diz, "gostos não se discutem" - contudo, creio que o Ministério da Cultura deveria acabar com os seus preconceitos e ajudar todos os artistas por igual, e não dar preferência aos eruditos (em tempos de crise, mais valia não se gastar dinheiro do que dá-lo a apenas uma das formas de cultura).

domingo, 11 de abril de 2010

Touradas, Praxes, Tradição!

Há quem considere as touradas um acto desumano. Há quem ache que as praxes são uma forma de bullying. Há também quem diga que são tradições nacionais e que devem ser mantidas a todo o custo.


A minha opinião acerca deste tema é que devemos continuar com estas tradições, pois elas são das poucas coisas que são tipicamente portuguesas. À excepção das touradas, que foram copiadas de Espanha e apenas servem para confirmar a teoria de que Portugal é um clone barato de Espanha.


Já os forcados são outra história. Não só não fazem mal aos touros (os touros é que lhes fazem mal a eles), como são uma tradição genuinamente portuguesa - não há forcados nas touradas espanholas. Por isso, têm de ser defendidos e mantidos. Até podem acabar com as touradas, mas os forcados têm de continuar.


O mesmo ocorre com as praxes académicas. Todavia, isso não quer dizer que este tipo de tradições tenha de ser mantido tal e qual como está. Eu sou a favor de manter as nossas tradições, mas adaptando-as aos tempos modernos, evoluindo-as. As praxes devem ser algo que divirta os caloiros e não apenas os veteranos.


Existem muitas outras tradições que estão a desaparecer e que são bem mais divertidas e menos polémicas do que estas - a Festa dos Diabos de Vinhais, o Carnaval dos Caretos, a Queima do Judas, o Enterro do Entrudo, e muitas outras.


O Estado - tanto o poder local como o poder central - deveria promover a continuação destas tradições e apostar na adaptação das mesmas aos tempos modernos, principalmente aquelas que são polémicas, como as praxes académicas e as touradas.

Esquerda e Direita

Dá-me a sensação que a maior parte das pessoas não tem a noção correcta das diferenças entre os partidos de Esquerda e os de Direita. Para começar, pensam que os de Esquerda são "bonzinhos" e os de Direita são "maus" - o que não é verdade, pois ambos têm coisas boas e coisas más.


Antes de mais, convém esclarecer que não existe apenas um eixo "Esquerda-Direita". Existe também um eixo "Cima-Baixo". O eixo horizontal, o Esquerda-Direita, diz-nos se determinado partido é Progressista (Esquerda) ou Conservador (Direita). O eixo vertical, o Cima-Baixo, indica se um partido defende um Estado Dirigista (Cima) ou Liberal (Baixo).


Em segundo lugar, cada ideologia tem vantagens e desvantagens. Porém, há dois pontos que as pessoas (e os próprios políticos) se esquecem: em primeiro lugar, que as desvantagens podem ser resolvidas através da criatividade; em segundo, medidas de ideologias opostas podem ser aplicadas com sucesso, desde que, mais uma vez, haja criatividade.


A chave do sucesso de um bom governo é mesmo essa: usar a criatividade para aproveitar o melhor de cada ideologia. Já os países que se limitam a usar as medidas políticas tradicionais (como Portugal) estão condenados ao fracasso, e é fácil de perceber porquê: essas políticas foram pensadas por ingleses, franceses e alemães; ora Portugal não tem as mesmas características da Inglaterra, da França, ou da Alemanha. Já países que usam a criatividade para desenvolverem as suas próprias políticas (como a Holanda, a Suíça, a Dinamarca ou a Irlanda) conseguem alcançar o sucesso.


Mas voltando às diferentes ideologias. Existem cinco tipos de ideologias diferentes: Socialista (Cima, Esquerda), Nacionalista (Cima, Direita), Capitalista (Baixo, Direita), Anarquista (Baixo, Esquerda) e Centrista (Centro). Os nomes que usei são um bocado exagerados, mas creio que ajudam a perceber bem o que cada ideologia representa.


Os partidos de Esquerda, progressistas, têm a vantagem serem abertos a novas realidades, legalizando a venda de drogas leves, o aborto, a prostituição, a eutanásia, os casamentos homossexuais, etc. Contudo, têm a desvantagem de serem incapazes de castigar os criminosos de forma eficaz e, ainda por cima, deixam entrar todo o tipo de imigrantes, e dão demasiados privilégios às minorias.


Os partidos de Direita, conservadores, têm a vantagem de castigar de forma eficaz os criminosos, mantêm as tradições vivas e controlam com rigor a imigração. Todavia, são contra a evolução da sociedade e lambem as botas à Igreja.


Os partidos de Cima, dirigistas, têm a vantagem de regular eficazmente a Economia, e oferecem serviços úteis à população (Saúde, Educação, Segurança Social, etc.), o chamado Estado-Providência. Porém, para sustentar tudo isto é necessário aumentar exponencialmente os impostos, que é a grande desvantagem do dirigismo.


Os partidos de Baixo, liberais, têm a vantagem de terem impostos baixos e pouca burocracia, mas, como é óbvio, não podem prestar os preciosos serviços do Estado-Providência, como a Educação, a Saúde ou a Segurança Social.


Os partidos moderados, que ficam no centro, têm a vantagem de promoverem a estabilidade. Contudo, são incapazes de realizarem mudanças e reformas no país.


Todavia, se reflectirmos um pouco, chegamos à conclusão que é possível aproveitarmos o melhor de cada ideologia: podemos adoptar as leis de Justiça e Imigração da Direita; legalizarmos o que a Esquerda pretende legalizar; ter impostos baixos como é típico dos liberais; e, através de uma forma de receita que seja alternativa aos impostos (por exemplo, a compra de acções das empresas mais lucrativas), oferecer os serviços de Estado-Providência que os dirigistas defendem. E é assim, através da harmonia entre todas as ideologias e do uso da criatividade, que um país pode ir longe.

Gente Sem Objectivos

É com alguma pena que verifico a falta de objectivos da maior parte dos portugueses. As pessoas parecem querer deixar-se levar pela vida, em vez de serem elas próprias a guiar os seus destinos.


Os jovens queixam-se que não há emprego e que vão acabar por ficar com profissões que não os motivam; contudo, não os vejo fazer nada para evitar isso. A verdade é que a grande maioria deles não tem objectivos de vida.


Vão entrar na Universidade, nem que seja para um curso sem interesse para eles nem saídas profissionais, apenas porque todos os outros o fazem. Ou seja, porque "sim".


Vão-se casar, e aposto que a maioria não o fará por "amor" (o que quer que isso signifique), mas apenas porque "já estão na idade" e porque "toda a gente se tem de casar". Mais uma vez, porque "sim".


E agora a parte que mais me assusta: eles vão ter filhos, independentemente de terem perfil ou vontade para isso, mas apenas porque "todos os casais têm de ter filhos". Ou seja, porque "sim".


Não é preciso ser um génio para compreender que esta gente, sem objectivos de vida, sem pensamento crítico, sem valor individual, está condenada a uma vida medíocre. O pior é que, com tanta mediocridade, o país torna-se também muito medíocre - o que, aliás, já o é.


Portugal não irá para a frente enquanto as pessoas se contentarem com esta vidinha. Só quando começarmos a lutar pelos nossos sonhos e a estabelecer objectivos de vida é que poderemos chegar a algum lado.

sábado, 10 de abril de 2010

Saudades do Tempo das Vacas Gordas

Há cerca de 20 anos atrás, Portugal estava a entrar numa das épocas de maior crescimento económico, prosperidade e de optimismo da sua história. Os anos 90 ficaram conhecidos como "os tempos das vacas gordas" - enquanto que a passagem para o século XXI ficou marcada com o início de uma longa crise que ainda vivemos.


Mas porque é que tivemos tanta prosperidade económica nessa época? Bom, em primeiro lugar, convém dizer que, até então, Portugal era um país muito atrasado. Por isso, quando os fundos da CEE permitiram a Cavaco Silva construir auto-estradas, abrir universidades e politécnicos e fazer novas escolas e hospitais, isso fez para nós toda a diferença, já que não possuíamos quase nenhumas infraestruturas.


Pela primeira vez, passou a ser comum tirar um curso superior. Pela primeira vez, o interior ficou ligado ao litoral através de uma rede de estradas decente. Pela primeira vez, passaram a existir canais de televisão independentes.


Os subsídios da CEE, apesar de serem muitas vezes mal gastos, permitiam aos jovens empreendedores criarem novas empresas sem terem de pôr uma corda ao pescoço (isto é, endividarem-se). O país estava a crescer tão depressa que a União Europeia até considerava Portugal o seu "bom aluno".


Assim, e apesar dos casos de corrupção envolvendo ministros (tanto durante o cavaquismo como no guterrismo), viva-se um clima de optimismo e de boa disposição em Portugal - o oposto do que se tem vivido nos últimos tempos (embora este optimismo tenha regressado temporariamente durante o Euro 2004).


Este clima de boa disposição era bem visível nos programas de televisão (onde hoje só se vêem talk-shows e telenovelas que falam exclusivamente e de forma sensacionalista sobre as desgraças da nossa sociedade), que eram tão "alegres" que às vezes se tornavam demasiadamente "pimbas". Até nos actos políticos se reflectia este bem-estar - basta pensar na inauguração da ponte Vasco da Gama, onde houve um almoço de feijoada que entrou para o Guinness.


O ponto alto desta época foi a Expo 98. Infelizmente, a partir daí, começou tudo a descambar. E é fácil perceber porquê. Em primeiro lugar, começou aquela que foi uma das décadas mais medíocres do últimos tempos. A década "do Pedro e do Lobo", como lhe chamo. Graças as diversos medos (terrorismo, epidemias, guerras, crises financeiras, etc.), a economia mundial estagnou, e Portugal não foi excepção.


Além disso, descobrimos que, afinal, Portugal não investiu tão bem os fundos comunitários como pensávamos. Parecia que o "bom aluno" tinha usado cábulas. Aquilo que deveria ter sido usado para transformar o tímido e desconfiado povo português num povo empreendedor e inovador foi gasto ou pelos políticos profissionais, ou pelos chicos-espertos.


A entrada para o euro não nos ajudou muito - os preços foram todos arredondados para cima e o governo perdeu o poder de desvalorizar a moeda. Consequentemente, os nossos produtos ficaram mais caros e o país perdeu competitividade.


Resta-nos aquele que, ironicamente, é um dos sentimentos mais portugueses: a Saudade (pois a Esperança já foi toda gasta no Sócrates)...

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Legalização das Drogas Leves e Prostituição

Eu nunca consumi drogas (fossem elas leves ou pesadas), nem pretendo fazê-lo, e, sinceramente, não tenho interesse nenhum em dar-me com gente que cai nesse tipo de tentações.


Isso não impede, todavia, que eu seja um acérrimo defensor da legalização e regulação da venda das chamadas "drogas leves". Não por querer facilitar a vida aos drogados - que continuo a considerar serem uma cambada de fracos facilmente influenciáveis - mas por saber que tal medida traria consequências positivas para Portugal - vantagens que, infelizmente, passam despercebidas para a maioria dos portugueses. Pelas mesmas razões, sou também defensor da regulação da prostituição. E passo a explicar porquê.


Em primeiro lugar, devo relembrar aos mais conservadores que Portugal já tem uma política relativamente liberal nestes dois temas. A prostituição é legal (embora não esteja regulada) e o consumo de drogas é despenalizado (paradoxalmente, a venda não só não está regulada como é proibida). Portugal já começou a caminhar na direcção da liberalização; porém, ficámos parados numa posição que não nos permite usufruir das suas vantagens.


A vantagem principal é o facto de o Estado poder encaixar alguns milhões de euros sem ter de investir nada (o que, com o nosso défice, seria algo muito útil). Ao regular a prostituição e ao legalizar e regular a venda de drogas leves, o Estado iria começar a taxar os rendimentos dos sujeitos que se dedicam a essas áreas. Além disso, a polícia poderia poupar recursos, já que não teria de andar atrás deles.


A segunda vantagem é a possibilidade de regular essas duas actividades. Proibir a venda de drogas leves a menores de 18 anos. Obrigar as prostitutas a fazerem rastreios para garantir que não estão infectadas. Limitar a abertura deste tipo de estabelecimentos a determinadas zonas dentro de determinadas cidades.


A última vantagem - quiçá a mais importante a médio prazo - é o impacto que tais medidas trariam a nível da imagem do país e da competitividade da nossa economia, principalmente no sector do turismo. Sei que, à primeira vista, drogados e/ou tarados sexuais não são exactamente o tipo de turistas que gostaríamos de receber... todavia, na situação de atraso em que nos encontramos, não podemos ser esquisitos. Além disso, Portugal daria nas vistas, e seria visto como uma nação progressista.


Contudo, só poderemos usufruir destas últimas vantagens se pusermos em prática estas medidas antes dos nossos principais concorrentes - em especial, Espanha. É por isso que fico bastante desiludido quando os nossos medíocres políticos dizem que até não se importavam de aplicar estas medidas, mas só depois de Espanha e de outros países o fazerem.


Esse modo de pensar revela falta de inteligência: se aplicarmos estas medidas cedo, temos apenas um rival - a Holanda, que não tem um clima quente como o nosso -, mas, se só o fizermos tarde - depois de Espanha-, iremos ficar em segundo lugar, da mesma forma que o Algarve fica em segundo lugar em relação à costa da Andaluzia, às Canárias e às Baleares. Ou seja, teríamos perdido uma grande oportunidade de tornar Portugal mais competitivo.

PSD: Carne ou Peixe?

Uma das coisas que eu nunca compreendi na política portuguesa é a ideologia política do PSD. Para começar, o partido chama-se Partido Social-Democrata. Ora, "Social-Democrata" é sinónimo de Socialista. Inclusivamente, em muitos países europeus, o partido equivalente ao nosso PS chama-se partido social-democrata.


Assim sendo, se nos guiássemos pelo nome, ficaríamos a pensar que o PSD é um partido de centro-esquerda com ideais praticamente iguais aos do seu eterno rival, o PS - quando, na realidade, o PSD é um partido de centro-direita.


A confusão com o nome vem dos tempos do 25 de Abril e do Sá Carneiro. Nessa altura, os partidos estavam mais voltados para a esquerda do que actualmente - principalmente porque a ditadura recém-derrubada era de direita, e consequentemente, ninguém queria ser conotado com essa área política.


Desses tempos vem também a designação PPD - Partido Popular Democrático. Esta designação também não nos ajuda muito a compreender qual a matriz ideológica do partido, já que o Populismo é algo muito vago, e muitos politólogos nem o consideram uma ideologia "a sério". Todavia, alguns dos mais destacados membros do PPD/PSD (Santana Lopes, Luís Filipe Menezes e Alberto João Jardim) são indubitavelmente populistas.


Foi nos dez anos de governo de Cavaco Silva - tempos em que a União Europeia dizia que Portugal era um "bom aluno" (o que, afinal, não era bem verdade, pois este "bom aluno" usou muitas cábulas) - que o PSD ganhou a imagem que perdura até hoje, a de partido de centro-direita.


Contudo, houve algumas alterações. Se no cavaquismo o PSD era conservador e a favor da intervenção do Estado na Economia, através de grandes obras públicas e do alargamento do Estado-Providência - o que faz com que o partido se enquadrasse na chamada Democracia-Cristã - já hoje em dia, apesar de se manter um partido conservador, é contra as grandes obras e a favor da diminuição do Estado e das privatizações - tornando-o num partido neoliberal, semelhante ao partido Conservador britânico.


Agora, com Pedro Passos Coelho a liderar o partido, poderá haver uma reviravolta interessante. Passos Coelho é liberal, na medida em que é contra a intervenção do Estado e a favor das privatizações; porém, é também liberal na perspectiva moral, isto é, Passos Coelho não teria qualquer problema com a legalização da venda de drogas leves, por exemplo.


Assim, o novo líder "social-democrata" quebra com a tradição de conservadorismo do seu partido. O que dá jeito ao CDS-PP que, às vezes, tinha uma certa dificuldade em se diferenciar do PSD. Agora, não há problema: o CDS é o partido democrata-cristão (conservador) e o PSD é o partido liberal-democrata.


Confesso que estou ansioso por ver como as coisas se vão desenrolar no esquema político nacional. Estou certo que a nova ideologia do PSD irá trazer situações bastante interessantes...

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Sócrates Continua a Enterrar-se

Primeiro, foi a licenciatura na Universidade Independente.

Depois, o caso Freeport.

A seguir, as escutas ao Presidente da República.

Mais tarde, a tentativa para controlar a TVI.

Agora, são os trabalhos de Sócrates enquanto projectista da Câmara Municipal da Guarda, entre 1987 e 1991.

Para começar, Sócrates era nessa época deputado e, supostamente, estava proibido de exercer outra actividade profissional. Afinal, informa-nos o jornal Público, parece que ele assinou 21 projectos de casas durante aqueles anos.

Como se isto não fosse mau o suficiente, consta que a Câmara Municipal repreendeu Sócrates por desleixo no seu trabalho de projectista, tendo inclusivamente sido substituído em obras que ele dirigia.

Cavaco já pode dissolver o parlamento, e, apesar de ele não estar muito interessado em fazê-lo (afinal, ele quer ganhar as eleições presidenciais), se rebentar mais um escândalo envolvendo Sócrates, é possível que ele aproveite... ainda por cima agora, que o PSD já tem um líder carismático...

sábado, 3 de abril de 2010

Os Submarinos e a Despesa nas Forças Armadas

Com a história dos submarinos a vir novamente à tona da água, eu sinto, mais uma vez, a necessidade de questionar aquilo que, na minha opinião, é uma das despesas mais inúteis dum Estado como Portugal: as Forças Armadas.


Eu tenho muito respeito pelos militares - não os oficiais que andam há décadas a coçar os testículos e a viver com inúmeros privilégios à nossa custa, mas os jovens que, temendo o desemprego, são obrigados a escolher a vida militar e que tiveram de sobreviver aos desafios da recruta.



Mas a questão é esta: Portugal tem de controlar a sua dívida, e devia de cortar naquilo que não necessita. Curiosamente, os políticos raramente cortam nas Forças Armadas. Fala-se nos funcionários públicos, em privatizações, em impostos, mas cortar nos militares, é raríssimo.



Contudo, enquanto que cortar na Saúde, Educação, Justiça e Segurança Social tem consequências negativas para a vida das pessoas, cortar nas Forças Armadas apenas causaria impactos nos próprios militares. Eles não oferecem nenhum serviço essencial. É suposto eles defenderem o nosso país, sim, mas não me parece que alguém nos queira invadir ou que, em caso de guerra, os nossos militares tivessem capacidade para derrotar o inimigo. E, em caso de atentado terrorista, não seriam os militares que nos poderiam ajudar, mas sim a polícia (a nível da prevenção).



Depois há quem diga que temos de ter boas Forças Armadas, por causa da NATO, pois isso traz prestígio para Portugal.. sim, sim. Nessas missões, numa força de 1000 homens, 500 são americanos, 250 são ingleses, e 2 são portugueses. Traz um prestígio do caraças, não haja dúvida. Felizmente não enviámos ninguém para o Iraque, senão iam ver o prestígio explosivo que teríamos recebido dos islamitas. Se querem aumentar o prestígio de Portugal, promovam missões humanitárias.



Porém, não estou a dizer que despeçam militares; digo simplesmente que, em tempos de défice, não deveriam abrir vagas nas Forças Armadas, nem comprar armamento novo (como os ditos submarinos, adquiridos na mesma época em que Manuela Ferreira Leite, ministra das Finanças, nos mandava apertar o cinto). Os militares deveriam também fazer coisas mais úteis. Por exemplo, devia-se promover a entrada de militares ordinários para a GNR.



Só mais uma coisa: muitos já falaram que se devia diminuir os salários dos políticos e dos gestores públicos... curiosamente, nunca ninguém se lembra dos generais e almirantes...

Reclusos Estrangeiros Duplicaram

Segundo o Jornal de Notícias, os presos estrangeiros passaram de 10% a 20% da população criminal, em apenas dez anos... enquanto que os nacionais têm diminuído a olhos vistos.



Tendo em conta que é fundamental diminuir as nossas despesas, e sabendo que, dado que são cidadãos estrangeiros, não são responsabilidade do Estado Português, a pergunta que eu faço é: não haverá maneira de nos livrarmos deles?



Parecendo que não, 20% é quase um quarto da população total. É muita gente que nós temos de sustentar e que nem sequer são portugueses. Porque é que eles não vão cumprir pena para o país deles?

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Top Mentiras

Eis aqui o meu Top das melhores mentiras ditas fora do Dia das Mentiras:

1- "O PEC não vai aumentar os impostos" - José Sócrates, 2010

2- "Nunca fui informado de que a PT pretendia adquirir a TVI" - José Sócrates, 2009

3- "Vamos criar 150 mil novos postos de trabalho" - José Sócrates, 2005

4- "A compra destes submarinos é um grande negócio para Portugal" - Durão Barroso, 2004

5- "Portugal está no bom caminho" - António Guterres, 1996

O Dia das Mentiras

Este é um bom dia para haver debates no parlamento. Deveriam também ter sido realizadas hoje as entrevistas de Pinto da Costa e Luís Filipe Vieira. A comissão de inquérito ao caso das escutas podia perfeitamente inquirir José Sócrates hoje.



A verdade é que, em Portugal, mente-se todos os dias. E são mentiras grandes, de modo que não devem ter sobrado muitas ideias para mentiras espectaculares para o dia de hoje.



De facto, não sei porque é dada tanta atenção ao Dia das Mentiras. É só mais um dia normal, em Portugal. Aposto até que há quem minta menos hoje do que nos outros dias.



Mas há, de facto, uma coisa que torna este dia especial. Nos outros dias, quando alguém mente, não revela que se trata de uma mentira. Já hoje, as pessoas, após mentirem, dizem "Ahah, hoje é dia das menitras!", e, além disso, nós estamos já "de pé atrás", pois sabemos que é o dia 1 de Abril.



Talvez não fosse negativo se mantivéssemos esse "pé atrás" durante o resto do ano, quando ouvimos as notícias e os políticos...