Hoje vou mandar um bitaite sobre um tema que eu aprecio muito: as artes plásticas - isto é, a pintura e a escultura.
Como o leitor já se deve ter apercebido, os artistas de hoje em dia nada têm a ver com os grandes mestres do passado. Não há ninguém que pinte ou esculpe como Miguel Ângelo, Leonardo ou Rafael. Não, hoje a arte está centrada apenas em ideias e conceitos, e, por isso, a forma não interessa.
É por isso que, actualmente, a maioria dos escultores e pintores não são, de facto, dignos desse nome, já que não esculpem nem pintam com a qualidade dos grandes mestres do passado. Em vez disso, eles desejam apenas transmitir ideias e chocar quem vê as suas obras. É a chamada Arte Contemporânea, e quem a pratica está mais próximo de ser um filósofo do que propriamente de ser um verdadeiro artista.
Como é que se chegou a esta situação? Bom, tudo começou no final do séc. XIX, quando foi inventada a fotografia. Devido a essa invenção, começou-se a considerar a arte tradicional algo antiquado e desnecessário, dado que agora era possível retratar qualquer coisa com pouco trabalho através da máquina fotográfica.
Como se sabe, a arte - como outras áreas do conhecimento humano - tem de ser algo criativo e inovador. Logo, os artistas do final do séc. XIX e início do séc. XX decidiram deixar a arte "tradicional" e inovar, criando estilos como o impressionismo, o fauvismo, o cubismo, o expressionismo, o futurismo, o abstractionismo, o surrealismo e o dadaísmo.
Estes estilos, apesar de não possuírem a qualidade técnica dos artistas do passado, não deixavam de ser atraentes e interessantes. Todavia, após a Segunda Guerra Mundial, o artistas continuaram a seguir o caminho da abstracção e a preocupar-se cada vez mais com as mensagens transmitidas pelas obras, negligenciando a aparência - que deveria ser a base da Arte.
E assim, há mais de 60 anos que os gurus da pseudo-intelectualidade consideram que a boa arte é a "arte" minimalista, a "arte" conceptual. E os artistas continuam a criar obras cada vez mais bizarras, apenas com a intenção de provocar e chocar.
Contudo, se um bom artista é um artista inovador, parece-me que todos aqueles que se dedicam a esta "arte" contemporânea não são bons artistas, dado que este tipo de arte tem sido repetido por toda a gente no últimos 60 anos. Logo, a Arte Contemporânea já não é inovadora: tornou-se no lugar-comum, no banal. Toda a gente a faz.
Na actualidade, um artista inovador não será aquele que faz como todos os outros e produz "arte" contemporânea, mas sim aquele que terá a coragem para quebrar com os canônes e fazer algo revolucionário: voltar a pintar e a esculpir como os mestres do passado.
Será que ainda há alguém capaz de produzir obras como as do Renascimento ou do Romantismo?
sexta-feira, 28 de maio de 2010
domingo, 23 de maio de 2010
O Caso Bruna Real
Como não poderia deixar de ser (dada a natureza do meu blog), tenho de fazer um comentário ao caso Bruna Real.
Comecemos pelo início. A jovem Bruna Real, que é professora de música, decide pousar nua para a Playboy. A câmara municipal de Mirandela descobre e prepara-se para a despedir.
Então, deixem ver se eu percebi quais os valores do Estado português: as pessoas não são despedidas por serem incompetentes, por falta de mérito, ou por serem tachos arranjados pelo partido no poder. Não, elas são despedidas por terem comportamentos que chocam os conservadores.
Curiosamente, quando é uma quarentona rugosa do "Jet Set" que pousa para uma revista destas com o intuito de mostrar que "ainda é boa" - tipo a Maya ou outras - aí já não há mal nenhum, e até aqueles comentadores maricas da TV, tipo o Cláudio Ramos, o Daniel Nascimento ou o Nuno Eiró, surgem em Tertúlias Cor-de-Rosa a gabar o bom estado de conservação e o suposto "glamour" que as tias de Cascais ainda têm.
Que engraçado que isto é. Em Inglaterra - a maior parte das jibóias e gazelas do meu blog são inglesas - as revistas masculinas mostram preferencialmente gajas novas com seios naturais que, não sendo famosas, são boas. Porque toda a gente sabe que estas revistas servem para os homens se deliciarem por uns instantes, e não para velhas do Jet Set se exibirem.
A única coisa que tenho a criticar à Bruna Real é o facto das mamas dela serem falsas. Tirando isso, cada um faz o que quiser da sua vida. Se as meninas de Cascais, filhas das grandes famílias da "elite", também se despem e até são aplaudidas pelos panisgas, porque não hão-de as outras pessoas fazê-lo?
Comecemos pelo início. A jovem Bruna Real, que é professora de música, decide pousar nua para a Playboy. A câmara municipal de Mirandela descobre e prepara-se para a despedir.
Então, deixem ver se eu percebi quais os valores do Estado português: as pessoas não são despedidas por serem incompetentes, por falta de mérito, ou por serem tachos arranjados pelo partido no poder. Não, elas são despedidas por terem comportamentos que chocam os conservadores.
Curiosamente, quando é uma quarentona rugosa do "Jet Set" que pousa para uma revista destas com o intuito de mostrar que "ainda é boa" - tipo a Maya ou outras - aí já não há mal nenhum, e até aqueles comentadores maricas da TV, tipo o Cláudio Ramos, o Daniel Nascimento ou o Nuno Eiró, surgem em Tertúlias Cor-de-Rosa a gabar o bom estado de conservação e o suposto "glamour" que as tias de Cascais ainda têm.
Que engraçado que isto é. Em Inglaterra - a maior parte das jibóias e gazelas do meu blog são inglesas - as revistas masculinas mostram preferencialmente gajas novas com seios naturais que, não sendo famosas, são boas. Porque toda a gente sabe que estas revistas servem para os homens se deliciarem por uns instantes, e não para velhas do Jet Set se exibirem.
A única coisa que tenho a criticar à Bruna Real é o facto das mamas dela serem falsas. Tirando isso, cada um faz o que quiser da sua vida. Se as meninas de Cascais, filhas das grandes famílias da "elite", também se despem e até são aplaudidas pelos panisgas, porque não hão-de as outras pessoas fazê-lo?
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Um Caminho para Portugal: a CPLP
Mais uma vez, estamos em crise (desde o dia em que o Guterres se demitiu que ouço dizer que estamos em crise, mas parece que agora é que é a sério). Lá vamos nós ter de apertar o cinto novamente, e ter esperança que o futuro será melhor.
Todavia, e apesar de eu não gostar de ser um desmancha-prazeres, devo alertar para o facto de que o futuro não será melhor, pelos menos se não se alterar a forma como se faz política em Portugal.
Portugal está preso a um ciclo vicioso desde o dia 25 de Abril de 1974. Este ciclo tem duas fazes que se vão alternando eternamente: uma fase de vacas gordas e uma de vacas magras. Actualmente vivemos numa de vacas magras, como é fácil de constatar.
Durante as fases de vacas magras, o Estado e os portugueses apertam o cinto e poupam dinheiro. Nas fases de vacas gordas, o Estado e os portugueses esbanjam o dinheiro que pouparam na fase de vacas magras. Quando já gastaram o dinheiro todo, começa uma nova fase de vacas magras, e assim sucessivamente, ad eternum.
Bom, mas eu não sou como os comentadores televisivos ou como a maioria dos outros bloggers, que se limitam a criticar esta situação. Eu dou ideias.
A ideia de hoje consiste em aproveitar algo que está muito mal explorado: a CPLP, a comunidade de países lusófonos. Actualmente, esta instituição serve apenas para que cabo-verdianos, brasileiros, angolanos e afins entrem em Portugal de qualquer maneira e tenham tantos ou mais direitos que os portugueses.
A minha ideia era usar a CPLP para facilitar a penetração de empresas portuguesas em países como o Brasil, Angola, Moçambique, etc. Estas empresas iriam extrair as matérias-primas destes países em desenvolvimento e levá-las para Portugal, onde seriam transformadas e comercializadas para o resto do mundo.
Alguns dirão que é uma forma de neo-colonialismo. Muito bem, isso poderia ser contrabalançado da seguinte forma: estas empresas portuguesas comprometeriam-se a financiar e patrocinar escolas e hospitais nestes países, para além de gerarem emprego para as populações locais.
Creio que seria um bom negócio para ambas as partes. Portugal iria ganhar mais influência económica, enquanto que os outros países da CPLP iriam ver o seu Estado Social fortalecido.
Todavia, e apesar de eu não gostar de ser um desmancha-prazeres, devo alertar para o facto de que o futuro não será melhor, pelos menos se não se alterar a forma como se faz política em Portugal.
Portugal está preso a um ciclo vicioso desde o dia 25 de Abril de 1974. Este ciclo tem duas fazes que se vão alternando eternamente: uma fase de vacas gordas e uma de vacas magras. Actualmente vivemos numa de vacas magras, como é fácil de constatar.
Durante as fases de vacas magras, o Estado e os portugueses apertam o cinto e poupam dinheiro. Nas fases de vacas gordas, o Estado e os portugueses esbanjam o dinheiro que pouparam na fase de vacas magras. Quando já gastaram o dinheiro todo, começa uma nova fase de vacas magras, e assim sucessivamente, ad eternum.
Bom, mas eu não sou como os comentadores televisivos ou como a maioria dos outros bloggers, que se limitam a criticar esta situação. Eu dou ideias.
A ideia de hoje consiste em aproveitar algo que está muito mal explorado: a CPLP, a comunidade de países lusófonos. Actualmente, esta instituição serve apenas para que cabo-verdianos, brasileiros, angolanos e afins entrem em Portugal de qualquer maneira e tenham tantos ou mais direitos que os portugueses.
A minha ideia era usar a CPLP para facilitar a penetração de empresas portuguesas em países como o Brasil, Angola, Moçambique, etc. Estas empresas iriam extrair as matérias-primas destes países em desenvolvimento e levá-las para Portugal, onde seriam transformadas e comercializadas para o resto do mundo.
Alguns dirão que é uma forma de neo-colonialismo. Muito bem, isso poderia ser contrabalançado da seguinte forma: estas empresas portuguesas comprometeriam-se a financiar e patrocinar escolas e hospitais nestes países, para além de gerarem emprego para as populações locais.
Creio que seria um bom negócio para ambas as partes. Portugal iria ganhar mais influência económica, enquanto que os outros países da CPLP iriam ver o seu Estado Social fortalecido.
Para que Serve o Papa
Como eu tinha previsto, a crise foi interrompida para se comemorar a vitória do Benfica e para as televisões seguirem de perto a visita do papa a Portugal.
No momento em que estou a escrever este texto, a SIC, a TVI e a RTP1 estão a transmitir exactamente a mesma coisa: o papa Bento XVI.
Entretanto, Sócrates e Passos Coelho preparam-se para aumentarem os impostos sem que ninguem se dê conta.
Como é óbvio, é extremamente irritante que os canais generalistas não falem em outra coisa que não seja a visita do Papa. Porque é que as três estações não se organizaram de maneira a haver apenas uma de cada vez a transmitir a visita? Quando joga a selecção de futebol só um dos canais é que transmite, certo?
Mas pondo de lado a falta de qualidade das estações nacionais, debrucemo-nos sobre a visita do papa em si.
É verdade que Ratzinger/Bento XVI não é mais que um chefe de Estado, e por isso não deveria ter tanta atenção. É verdade que quando outros líderes religiosos cá vêm (por exemplo o Dalai Lama), eles não têm direito a este tipo de recepção. É também verdade que a Igreja Católica foi uma das causas da decadência de Portugal ao longo da história. E é inegável que os "valores" católicos são bastante questionáveis.
Contudo, a Igreja cumpre uma missão. As pessoas querem que a sua vida tenha sentido, como se fosse um livro/filme em que nós somos os protagonistas, os heróis. Porém, não podem haver heróis sem que hajam vilões. E é aqui que entra a Igreja Católica.
A Igreja faz um papel difícil, mas que tem de ser feito. Ela é um dos "vilões" da nossa sociedade, algo que merece e deve ser criticado, humilhado e combatido por nós, enquanto protagonistas da nossa vida. O mesmo acontece com outros "vilões" - os políticos, os skinheads, os ciganos, os chungas e mitras, etc...
E, comparando-a com os "vilões" realmente perigosos - os assassinos, os ladrões, os violadores - creio que a Igreja Católica é, sem dúvida, preferível.
A Igreja é como os romanos dos livros do Astérix e Obélix: é um vilão, mas um vilão afavél e simpático.
No momento em que estou a escrever este texto, a SIC, a TVI e a RTP1 estão a transmitir exactamente a mesma coisa: o papa Bento XVI.
Entretanto, Sócrates e Passos Coelho preparam-se para aumentarem os impostos sem que ninguem se dê conta.
Como é óbvio, é extremamente irritante que os canais generalistas não falem em outra coisa que não seja a visita do Papa. Porque é que as três estações não se organizaram de maneira a haver apenas uma de cada vez a transmitir a visita? Quando joga a selecção de futebol só um dos canais é que transmite, certo?
Mas pondo de lado a falta de qualidade das estações nacionais, debrucemo-nos sobre a visita do papa em si.
É verdade que Ratzinger/Bento XVI não é mais que um chefe de Estado, e por isso não deveria ter tanta atenção. É verdade que quando outros líderes religiosos cá vêm (por exemplo o Dalai Lama), eles não têm direito a este tipo de recepção. É também verdade que a Igreja Católica foi uma das causas da decadência de Portugal ao longo da história. E é inegável que os "valores" católicos são bastante questionáveis.
Contudo, a Igreja cumpre uma missão. As pessoas querem que a sua vida tenha sentido, como se fosse um livro/filme em que nós somos os protagonistas, os heróis. Porém, não podem haver heróis sem que hajam vilões. E é aqui que entra a Igreja Católica.
A Igreja faz um papel difícil, mas que tem de ser feito. Ela é um dos "vilões" da nossa sociedade, algo que merece e deve ser criticado, humilhado e combatido por nós, enquanto protagonistas da nossa vida. O mesmo acontece com outros "vilões" - os políticos, os skinheads, os ciganos, os chungas e mitras, etc...
E, comparando-a com os "vilões" realmente perigosos - os assassinos, os ladrões, os violadores - creio que a Igreja Católica é, sem dúvida, preferível.
A Igreja é como os romanos dos livros do Astérix e Obélix: é um vilão, mas um vilão afavél e simpático.
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