quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Se o WikiLeaks Existisse no Tempo de Camarate

Como não podia deixar de ser, vou mandar um bitaite sobre o WikiLeaks. Há vários comentadores de prestígio que criticam o WikiLeaks, pois as informações reveladas põem em causa a segurança do Ocidente.


Em primeiro lugar, devo dizer que, se há país que está a ser prejudicado, são os Estados Unidos, e não todo o Ocidente. Que eu saiba, a Europa (ainda) não é uma colónia dos americanos.


Há quem diga que a lista de locais estratégicos dos EUA disponibilizada pelo polémico site é um mapa para terroristas, o que eu acho um disparate, na medida em que os locais indicados são alvos óbvios que qualquer terrorista idiota conhece - não era preciso esperar por esta lista para se saber que, por exemplo, o Canal do Panamá é um ponto fulcral do comércio mundial. Aliás, sem ver a lista, posso afirmar que o Canal de Suez é também um ponto estratégico, bem como os oleodutos e gaseodutos espalhados por esse mundo fora.


É também falso que a WikiLeaks só revela informações que visam os EUA. Muito pelo contrário; apesar dos jornais darem maior destaque aos telegramas com conversa de café sobre líderes europeus, a verdade é que este site já publicou revelações sobre crimes contra a humanidade realizados por autoridades africanas, casos de abuso de poder em países da América Latina, e até experiências nas centrais nucleares do Irão.


Não deixa de ser interessante que a WikiLeaks lança informações que confirmam coisas que já desconfiávamos há muito: os voos da CIA em Portugal, as provas incriminatórias contra o casal McCann... e ainda dizem que este site é perigoso para a democracia!


É também muito triste que os EUA, que se gabam de ser os bastiões das virtudes democráticas, estejam a mexer os cordelinhos todos para calar Assange, chegando ao ponto de mandar a Suécia inventar um crime sexual para prender o homem.


E o mais triste é ver a Europa que, apesar de ter descoberto que os embaixadores americanos gozam dos seus líderes, continua a servir obedientemente os desejos dos EUA, fazendo tudo a seu alcance para apanhar a cabeça do WikiLeaks.


Pena é o WikiLeaks não existir há mais tempo. Certamente que não teriam sido precisas tantas comissões para discutir o caso Camarate, e todos saberíamos que um primeiro-ministro português foi morto porque uns certos norte-americanos queriam à fina força que vendêssemos armas ao Irão, apesar de terem feito um embargo contra esse país...

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