segunda-feira, 25 de abril de 2011

A "Democracia" de Abril

Hoje comemora-se o dia da liberdade. O dia em que a ditadura foi derrubada. O dia em que Portugal se tornou num país democrático. Porém, observando o nosso percurso ao longo dos últimos trinta anos, eu pergunto-me: será que isto é, de facto, uma democracia? E será que um governo eleito democraticamente é superior aos outros?



Lembro-me que, nas legislativas de 2009, Manuela Ferreira Leite veio com aquela ideia disparatada de "suspender a democracia por uns meses". Ora, a verdade é que a "democracia" é suspensa, e não apenas por alguns meses - por norma, é por quatro anos (no caso do governo e das câmaras municipais) ou até por cinco (no caso do presidente). Ao menos no tempo do Guterres faziam-se alguns referendos ao povo. Pena é que nesta "democracia" não se tenham referendado coisas como a entrada no Euro, a construção do TGV ou as alterações à Constituição, por exemplo.



No tempo do Estado Novo também haviam eleições legislativas. Claro que ganhava sempre a União Nacional. Contudo, desde o 25 de Abril que quem ganha sempre as eleições é o PS ou o PSD. Que partilham basicamente a mesma ideologia. É isto a democracia? Dividimos a União Nacional em duas fatias, uma finge estar mais à esquerda, outra finge estar mais à direita, mas no fim de contas permanece tudo na mesma...



O Reino Unido está a organizar um referendo para aprovar um novo sistema eleitoral, onde os eleitores poderão votar em vários candidatos, ordenando-os segundo a sua preferência. Este sistema já é usado há muito na Austrália. E cá, será que algum dia irá haver uma democracia mais apurada?



Convém também dizer que não é por alguém ser eleito democraticamente que tem maior legitimidade para governar. Hitler foi eleito democraticamente. Isso não legitima as suas acções, só serve para envergonhar os alemães. Da mesma forma, o facto de George W Bush ter sido reeleito prova a estupidez da maioria dos americanos. O facto de PS e PSD continuarem a ser eleitos sucessivamente mostra o conformismo, a influenciabilidade e a falta de inteligência dos portugueses. Quando o povo é inculto, a democracia não é mais que a ditadura da maioria.


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domingo, 17 de abril de 2011

A Grande Discórdia

Já não bastava a nossa economia ser uma miséria e o FMI vir-nos fazer uma visita, como agora os nossos políticos fazem questão de mostrar, uma vez mais, o que é mais importante para eles: os seus partidos, é claro.



Um país na nossa situação deveria tentar ser o mais amável possível para com a UE e o FMI. Deveríamos dar uma imagem de união, de espírito de sacrifício, de vontade em corrigirmos as nossas lacunas. Contudo, e apesar do contexto que atravessamos, os políticos não pensam assim.



Como é habitual desde o dia em que foram legalizados os partidos no nosso país, os nossos políticos - ou melhor, os nossos politiqueiros - dão prioridade aos seus interesses pessoais e partidários e só depois, se não der muito trabalho, lá vão desenrascando umas coisitas para o país.



Assim, Sócrates não cortou na despesa fútil do Estado, como os institutos públicos ou as empresas municipais que dão prejuízos crónicos, apenas devido aos facto de muitos boys do PS terem bons tachos nessas organizações. Da mesma forma, teimou em continuar com o TGV e com outras obras inúteis... provavelmente está à espera de um lugar na Mota Engil, como aconteceu com o seu amigalhaço Jorge Coelho.



Da mesma forma, Passos Coelho poderia negociado com Sócrates e evitar a vinda do FMI. Porém, a sede de poder da canalha do PSD estava a ficar incontrolável e, por isso, chumbou o PEC4, apesar de saber que o FMI iria pedir sacrifícios piores. Tudo isto para provocar eleições antecipadas e assim chegar ao pote.



O CDS, embora tente passar uma imagem de partido "responsável" e com "sentido de Estado", alinhou no chumbo do PEC4, pois sabe que vai aumentar os seus votos e que o PSD terá de o incluir no novo governo. Mais uma vez, o mais importante é alcançar um bom poleiro.



A esquerda radical, que se diz contra o FMI e contra o neoliberalismo, precipitou alegremente a queda do governo, embora soubesse das consequências - nomeadamente, que o próximo governo seria de direita. Isto na esperança de conseguirem mais uns lugares no parlamento. Enquanto isso, promovem greves dos transportes públicos, dificultando a vida a quem quer trabalhar.



Sinceramente, começo a ficar farto deste país. E o pior não é este comportamento dos políticos. O pior é que, apesar disto tudo, as pessoas vão continuar a votar neles. Será que ninguém reparou que há mais partidos disponíveis no boletim de voto? Como é possível ainda haver gente a votar PS, PSD, CDS, BE ou CDU? Acho que os finlandeses têm razão em não nos quererem ajudar; afinal, nós nunca aprendemos e continuamos a repetir os mesmos erros.



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quarta-feira, 6 de abril de 2011

A Falácia dos Ratings

Após reflectir bastante sobre a situação que Portugal atravessa, cheguei à conclusão que toda esta barafunda causada pelas agências de rating é uma enorme fantochada falaciosa que, se os nossos políticos tivessem a miníma criatividade, poderia ter sido resolvida com relativa facilidade e sem FMI. Passo a explicar:



Para começar, as agências de rating são empresas internacionais pagas pelos países para darem credibilidade à sua dívida, através dos ditos ratings, que assim permitem que os investidores aceitem comprar dívida pública.



Ora, seguindo uma lógica bastante aceitável, países que tenham maior dificuldade em pagar as suas dívidas têm um rating mais baixo. Como é menos provável que paguem o que devem aos investidores (isto é, o risco de incumprimento é maior), então há menos investidores interessados e, seguindo a lei da oferta e da procura, se há menos compradores, então os Estados têm de vender a sua dívida a juros mais altos.



Até aqui tudo parece seguir uma lógica bastante racional e acertada... até entrar em jogo o seguinte dado: todos os países que se achem em dificuldades podem chamar o FMI para os ajudar. E uma parte dos dinheiros que o FMI nos empresta são canalizados para pagar o que deve aos credores.



Ora, tal como já foi referido acima, as agências de rating avaliam os Estados consoante a probabilidade de não conseguirem pagar o que devem. Porém, Portugal, Grécia e a Irlanda nunca estiveram em perigo de não pagarem o que devem, na medida em que ainda têm a oportunidade de chamarem o FMI. Ou seja, nunca houve nenhuma hipótese real de estes países ficarem de facto a dever a quem lhes compra dívida.



Ou seja, as agências de rating não têm fundamento para cortarem a avaliação da nossa dívida, na medida em que nunca houve risco de incumprimento, graças à existência desse "trunfo" chamado FMI.



Porém, se esta falácia é prejudicial para Portugal, ela é benéfica para quem compra a nossa dívida pública. Já imaginaram o que é ganhar juros de 4, 5, 6 ou até 7%? Na economia real, investimentos com taxas de juro tão altas são negócios de risco, que tanto podem correr bem como deixar o investidor a ver navios. Mas, graças ao FMI, investir na dívida pública portuguesa é, neste momento, o negócio mais rentável do mundo: oferece taxas de juro altíssimas a risco zero.



Portugal vai pagar aos compradores da dívida pública. Quer o faça sozinho, quer o faça com a ajuda do FMI, mas está garantido que vai pagar, a tempo e horas, com juros. É por isso que é uma grande fantochada o facto de agências de rating baixarem a nossa avaliação com o argumento de que "o risco de incumprimento é elevado", quando na verdade ele é nulo.



Todavia, se os nossos políticos possuíssem alguma criativdade e algum atrevimento, teria sido fácil dar a volta à situação. Como eu já mencionei, o valor dos juros é definido pela lei da oferta e da procura. Se a procura aumentasse, os juros caíriam a pique. E como é que poderíamos aumentar a procura, perguntam vocês?



Bastaria que os nossos políticos tivessem explicado o que eu descrevi neste texto, demonstrando assim que o investimento mais rentável e mais seguro do planeta é, actualmente, a compra da dívida portuguesa. Depois, era simplesmente alterar a forma como os leilões são feitos...



...É que os leilões da nossa dívida não são leilões a sério, pois só meia dúzia de grupos económicos é que participam (basicamente, os nossos bancos). É claro que assim a procura é diminuta. Além disso, ocorre algo muito perverso: o Banco Central Europeu empresta dinheiro aos nossos bancos a uma taxa de 1 ou 2%, enquanto que eles depois nos emprestam a 5 ou 6%... e depois andam a mandar bitaites, como se tivessem moral para o fazer.



Se os leilões fossem abertos a toda gente interessada em comprar porções da nossa dívida, e se os nossos governantes usassem o tempo de antena para pôr a nú o facto de que, graças ao FMI, o "risco de incumprimento" é nulo e que não há mais nenhum negócio onde se ganhem juros de 5 ou 6% com tanta segurança, tenho a certeza de que as agências de rating já se teriam calado, o FMI estaria afastado, e os juros da dívida pública, graças à lei da oferta e da procura, teriam finalmente descido para valores razoáveis.



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segunda-feira, 28 de março de 2011

Passos Coelho, o Privatizador

Passos Coelho continua a exibir, de forma descarada, os seus dogmas neoliberais. Uma coisa é certa: desta vez, se os portugueses lhe derem maioria absoluta, não poderão vir-se queixar dizendo que "ele mentiu-nos, ele enganou-nos". Oh não; desta vez, ao menos, há sinceridade: o PSD quer privatizar o que dá lucro, o PSD quer manter a ideologia do "o Estado não se pode meter nos negócios; temos de ficar à espera que sejam os privados a fazerem alguma coisa", o PSD não se importa em abrir as portas ao FMI.



Devo dizer que, apesar de tudo, Passos Coelho está, actualmente, melhor capacitado para ser primeiro-ministro do que Sócrates - afinal, ainda está "fresco". Contudo, não se iludam: dêem-lhe maioria absoluta e ao fim de dois anos teremos outro canastrão arrogante e autista.



É também de salientar que o neoliberalismo não é intrisecamente mau, tal como não o é nenhuma ideologia político-económica. Afinal, nunca se deve excluir nenhuma fonte de ideias e, além disso, existem pontos em que o neoliberalismo até pode ter razão. O problema é que Passos Coelho segue esta ideologia duma forma dogmática, o que lhe impede de analisar a realidade de forma fria e, pior ainda, lhe limita o tipo de medidas governativas que pode tomar.



Privatizar o que dá prejuízo crónico há décadas, como a TAP ou a CP, tendo em conta que estamos em crise, é uma opção que não deixa de ser interessante. Substituir o Estado Social directo (em que a educação e a saúde são prestadas directamente pelo Estado) por um Estado Social indirecto (onde hospitais e escolas são privatizadas e o Estado paga as contas das classes baixa e média) é também uma alternativa que poderá funcionar.



Mas quando o futuro primeiro-ministro de Portugal (atenção: de Portugal, não é do Reino Unido nem da Alemanha) teima em persistir no mesmo erro do passado - a defesa até ao fim da máxima "o motor exclusivo da economia é a iniciativa privada; ao Estado compete somente a função reguladora" - aí a conversa é diferente.



Quantas vezes não avisei eu que não se devem copiar cegamente as ideologias criadas para outros países? No Portugal actual, esperar pela iniciativa privada é o mesmo que esperar que se descubra petróleo. E isto já foi demonstrado por várias vezes: Cavaco esperou pelos privados, Guterres esperou pelos privados... e agora estamos nesta bela situação porque os privados nunca fizeram nada de jeito.



E como Passos Coelho será primeiro-ministro de Portugal, e não do Reino Unido ou da Alemanha, ele não deveria ter copiado os dogmas políticos desses países. Deveria, em vez disso, de ter estudado a realidade portuguesa. E, se o tivesse feito, saberia que Portugal precisa que o Estado invista a economia, pois os nossos "capitalistas" preferem comprar um Mercedes, ir de férias para Cuba, construir um centro comercial ou esperar pela próxima privatização.



Passos Coelho dizia que o seu partido não queria o "pote". Afinal, ele quer, e o pote chama-se Caixa Geral de Depósitos. É uma das poucas empresas do Estado que é eficiente e gera milhões de lucros todos os anos. Ao privatizar este banco, além de roubar um grande activo ao país, o PSD estará incentivar o não-investimento dos privados - é que, quem investe na compra de acções da CGD não terá necessidade de investir na criação/expansão de novas empresas.



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domingo, 20 de março de 2011

Vem Aí a Mudança?

Se ninguém faltar à sua palavra, na próxima quarta-feira Sócrates demite-se e o governo cai. As tão esperadas eleições legislativas serão finalmente marcadas. Estas são eleições muito importantes, pois poderão ter influência no rumo que o nosso país terá durante os próximos 10 ou 20 anos.


É certo que o próximo primeiro-ministro será Pedro Passos Coelho. A questão é: terá maioria absoluta? Fará uma coligação com o CDS-PP? Será essa coligação suficiente para ter mais de 50% dos lugares no parlamento? E qual será a distribuição dos lugares na assembleia da república?


As respostas para estas perguntas vão depender do comportamento de três conjuntos de forças: os Partidos do Poder (PSD, PS, CDS, BE, CDU), os Movimentos de Contestação (Geração à Rasca, Sindicatos, Movimentos Cívicos, etc.) e os Partidos Pequenos (MMS, MEP, PNR, PND, MRPP, PPM, etc.).


Que tipo de campanha farão os partidos do poder? Irá a esquerda conseguir aproveitar-se do neoliberalismo descarado do PSD? Irá a direita convencer os portugueses que o neoliberalismo também tem vantagens? Será que o CDS, o BE e a CDU vão rentabilizar a frustração dos portugueses com o rotativismo PS/PSD?


Que farão os movimentos de contestação? Será que os líderes da Geração à Rasca vão pedir aos seus 300 mil seguidores para votarem num determinado partido? Será que vão criar um partido novo?


E os partidos pequenos, vão atrair votos graças ao descontentamento da população com os partidos tradicionais? Será que se vão aliar à Geração à Rasca e a outros movimentos cívicos?


Enquanto que esperamos ansiosamente pelo desenrolar dos acontecimentos, proponho que ouçamos as palavras que José Mário Branco (que serviu de inspiração à personagem dos Homens da Luta do Jel). É incrível como nada mudou em 30 anos...





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sexta-feira, 11 de março de 2011

PSD: 365 Ideias para Portugal

Esta semana, Pedro Reis (conselheiro económico de Passos Coelho) apresentou o livro Voltar a Crescer, onde estão 365 ideias para desenvolver a economia portuguesa, dadas por 55 gestores de grandes empresas portuguesas.


Quando ouvi esta notícia, a primeira coisa que pensei foi que, mais uma vez, Passos Coelho era idiota o suficiente para cometer o mesmo erro que cometeu quando quis alterar a Constituição. Antigamente, os nossos políticos podiam não saber governar, mas sabiam enganar-nos bem. Agora, já nem isso sabem fazer, e exibem descaradamente as suas ideias neoliberais e anti-sociais, esquecendo-se que isso não será bem aceite pelo povo.


Entretanto, a Visão fez um interessante artigo sobre algumas das tais 365 ideias. Após ler as ideias, e apesar de ter algum preconceito contra o neoliberalismo, cheguei à conclusão que, afinal, estas ideias não são assim tão más.


Não tenhamos ilusões; existem muitas ideias idiotas. Mas também existem ideias com muito potencial - incluindo coisas que eu ando a defender há anos e que até já discuti neste blogue. E há também ideias um pouco mal explicadas e que, conforme a sua execução, poderão ter sucesso ou ser uma desgraça.



Diplomacia Económica
Aqui, o PSD continua a teimar na ideia de que o que vai desenvolver a nossa economia será o investimento estrangeiro. Neste sentido, são apresentadas algumas propostas interessantes (como inserir delegações da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal nas nossas embaixadas e apostar mais em anúncios na TV dos nossos mercados-alvo). Já a proposta do conceito "Lisboa, capital de negócios da Europa" é ridícula tendo em conta a nossa triste situação económica actual.



Sistema Político
Aqui tenta-se poupar, embora hajam algumas medidas que são um bocado anti-democráticas. Por um lado fala-se em diminuir as autarquias e as freguesias e acabar com os governos civis, mas por outro deseja-se diminuir o número de deputados (o que dificulta ainda mais a vida aos pequenos partidos e dá mais poder ao PSD e PS), ao mesmo tempo que se propõe o aumento do salário dos governantes...



RTP
Tirando a ideia de a RTP Memória passar a canal aberto, o resto é um grande disparate que até prejudicaria os concorrentes privados: a ideia é privatizar a RTP1 (ou seja, mais um canal pimba, isto para não falar que a TVI e a SIC iriam perder dinheiro, pois não há publicidade em Portugal que pague três canais) e concessionar a RTP2 (será que ninguém aprende com os maus resultados das parcerias público-privadas?).



Justiça
Como seria de esperar de ideias vindas de empresários, não se fala aqui de modos para castigar com maior eficácia os criminosos, nem de métodos para tornar a Justiça mais "justa". Porém, existem ideias para torná-la mais rápida, criando novos tribunais especializados e premiando juízes mais "produtivos" (ao mesmo tempo que se tenta responsabilizar juízes que cometam erros judiciais).



Saúde
É nesta área que se observa um maior neoliberalismo. Não que eu seja contra a privatização dos hospitais, desde que se explique como serão financiados os cuidados de saúde, como será investido as receitas vindas das privatizações, e a quem (e como) serão os hospitais vendidos. Infelizmente, essas questões não são respondidas neste artigo da Visão. Por outro lado, há uma ideia interessante: criar em Coimbra um centro mundial de medicina "dos olhos".



Contas do Estado
Neste ponto tanto há algumas das melhores ideias como algumas das piores. Por um lado, defende-se o fim dos múltiplos institutos públicos, empresas municipais e afins (que eu também já defendo há muito), o corte dos custos fúteis do Estado (viagens e mordomias afins) e aproveitar bens penhorados para uso do próprio Estado.
Por outro lado, vem a ideia idiota de "realizar roadshows permanentes junto a credores da dívida do Estado e das agências de rating" (mas isso já o Sócrates tenta fazer, sem sucesso), e a ideia preconceituosa de que o Estado deve ser apenas regulador da economia...



Educação
Bom, esta é a área em que fiquei mais positivamente surpreendido. É com alegria que vejo que algumas das coisas que defendo há anos poderão ser postas em prática pelo PSD: envolver mais as empresas no ensino superior, aumentar o número de estágios durante o curso, introduzir no ensino básico de disciplinas sobre economia, e equilibrar a oferta de cursos com as necessidades do mercado. Só há uma ideia que é um pouco disparatada: "aumentar drasticamente o número de licenciados e doutorados" - uma idiotice, tendo em conta que temos demasiados licenciados, daí a Geração à Rasca.



Impostos
Outro ponto carregado de dogmas ideológicos do neoliberalismo. O PSD continua sem se aperceber que o grande defeito da economia portuguesa é o facto de quem tem dinheiro não o querer investir: em Portugal, não se pode estar à espera da iniciativa privada. O maior disparate é querer diminuir o IRC e o IRS e aumentar o IVA. Porém, a ideia de tributar os lucros dos accionistas em vez de cobrar IRC (para promover o renas empresas) não deixa de ser interessante, bem como a de conceder benefícios fiscais a fortunas estrangeiras que queiram fugir para Portugal.



Trabalho
Ao contrário do que seria de esperar, estas propostas até nem são assim tão neoliberais. Dar subsídio de desemprego para rescisões por mútuo acordo ou criar um regime especial para contratação de jovens e desempregados de longa duração, por exemplo. Como alternativa aos cortes salariais, propõe-se reduzir os pagamentos por trabalho ao fim de semana e aos feriados.



Obras Públicas
Aqui aposta-se em melhorar os portos de Sines e de Leixões, acabar com as SCUT, não aceitar alterações durante a execução das obras e regenerar o urbanismo das cidades.



Privatizações
Para além da RTP, pretende-se privatizar a ANA, a TAP, empresas municipais, e vender património das Forças Armadas - tudo coisas com as quais até concordo. Já a ideia de vender o negócio de seguros da Caixa Geral de Depósitos cheira-me a esturro.



Competitividade na Economia
Basicamente, as ideias deste ponto são todas muito bonitas, mas o Sócrates também propôs coisas semelhantes e, no entanto, falharam. Fala-se num mercado de capitais para PMEs, em criar lojas de produtos portugueses em centros comerciais do norte da Europa (uma ideia que eu acho bastante interessante), em exportar know-how das empresas públicas e privadas portuguesas, em apostar no turismo de qualidade, em ajudar as PMEs a exportar e até em negociar o pagamento de importações com exportações (dão o exemplo de Angola, que nos poderia dar petróleo e nós pagávamos com exportações). Depois há uma ideia mal explicada: "criar um fundo com 150 milhões para adquirir posições maioritárias em empresas". Se a ideia é tornar o estado accionista, com o objectivo de ganhar dividendos, então é uma óptima ideia que eu defendo há muito como forma de aumentar a receita do Estado.





Muitas destas ideias são interessantes. A questão é que também há ideias disparatadas e não nos podemos esquecer que quem as vai pôr em prática é o PSD... curiosamente, Pedro Passos Coelho já disse que isto não é o programa do PSD, embora diga que as ideias vão ser tidas em conta... espero bem que sim, embora, com os nossos políticos, nunca se deve fiar. Até porque, se a memória não me falha, em 2005 o Sócrates também tinha muito boas ideias... porém, não deixa de ser muito positivo ver que, finalmente, começamos a ver políticos a preocuparem-se em apresentar ideias novas.



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segunda-feira, 7 de março de 2011

Depois da Tunísia, Egipto e Líbia... Portugal?

Foi com alegria que assisti à vitória dos Homens da Luta no Festival RTP da Canção. E foi ainda com maior entusiasmo que ouvi as palavras que Jel proferiu numa entrevista televisiva.


Confesso que, durante muitos anos, achei que esta dupla de humoristas não era mais que isso. Julguei que eram apenas uns gajos divertidos que faziam umas palhaçadas para nos fazer rir, tipo Gato Fedorento, mas com um estilo menos politicamente correcto.


Todavia, apercebi-me que Jel está a "brincar a sério". Isto é, ele não se limitará a fazer humor, ele planeia usar a sua influência - que foi bem demonstrada na votação do Festival da Canção - para promover uma luta contra o nosso actual regime.


Como já referi várias vezes, um dos defeitos do povo português é ser conformista. Porém, isso não quer dizer que não seja possível galvanizar os portugueses. Se o Scolari nos convenceu a apoiar a selecção em 2004, então porque não há de o Jel nos convencer a derrubar o PS/PSD.


De facto, há uma conjuntura nacional e internacional muito interessante. O Egipto, a Tunísia e a Líbia estão em revolta. A crise assombra a Europa. O preço do petróleo aumenta. O povo português sofre na pele a austeridade, enquanto que o PS se prepara para desistir e chamar o terrível FMI, enquanto que o PSD procura impacientemente a melhor altura para fazer cair o governo. Isto para não falar dos protesto da Geração à Rasca.


Já conseguimos que o José Manuel Coelho não ficasse em último lugar nas presidenciais (e que fosse o segundo mais votado na Madeira). Será que conseguiremos que nem PSD nem PS tenham uma maioria "governável" nas próximas eleições? Será que é desta que os portugueses vão pensar pela própria cabeça? Bom, esperemos pela evolução das sondagens (que, felizmente, não têm sido simpáticas nem para Sócrates nem para Passos Coelho) e pela grande manifestação do dia 12 de Março.


quarta-feira, 2 de março de 2011

A Corrupção é Inata aos Partidos

Enquanto que o PS se prepara para desistir e pedir ajuda à UE e o PSD esfrega as mãos com alegria, prevendo o regresso ao poder, acho que seria útil reflectirmos um pouco sobre o tipo de políticos que os dois partidos do rotativismo nos têm fornecido.



Como se pode observar pelo estado actual do nosso país, Portugal tem sido muito mal gerido. Todavia, apesar disso, as pessoas continuam a votar nos dois partidos do costume, PS e PSD. Creio que isto ocorre porque, apesar dos partidos serem os mesmos, em cada eleição surge um candidato novo e os eleitores acabam por se deixar enganar.



Ora, o problema é que a incompetência, a corrupção, o nepotismo e o egoísmo são características inatas dos partidos políticos - pelo menos no PS e no PSD. Salvo raríssimas excepções, todos os políticos de sucesso provenientes dos grandes partidos tornam-se corruptos. Se não o fossem, não teriam conseguido nenhum cargo.



A única ideologia que é verdadeiramente respeitada e praticada no PS e no PSD resume-se à expressão "Uma Mão Lava a Outra". Este é o grande pilar destes dois partidos. Para alguém chegar longe (ser candidato a deputado ou a outros cargos políticos, ser nomeado para a administração pública, etc.), tem de prometer favores aos seus camaradas partidários. Quando chega ao poder, tem de retribuir e pagar os favores que deve.



Os dirigentes partidários, os vereadores e presidentes de câmara, os deputados, os administradores e gestores de empresas e institutos públicos, todos eles só conseguiram chegar aonde estão através da aprovação dos seus correligionários. Essa aprovação não se consegue através dos valores morais ou das capacidades e competências que o sujeito possa possuir (até porque essas coisas nunca se debatem nos partidos), mas sim com muitas negociatas.



Ou seja, nenhum político do PS ou do PSD sabe como gerir o Estado, nem tem grandes planos para Portugal. Nunca se discutiu isso no partido, e os políticos não têm tempo para reflectir sobre esses assuntos. É por isso que só teremos bons governantes quando nos livrarmos dos partidos que nos dominam actualmente.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Portugal Regressa aos Anos 70

Se os políticos não alterarem, durante a próxima década, o tipo de medidas que aplicam no nosso país, temo que Portugal regresse ao nível de instabilidade economócia e social que caracterizou os anos 70 e início dos anos 80... com a grave diferença que, naquela época, safámo-nos quando entrámos na CEE, solução que agora não está disponível.



O facto é que Portugal é, economicamente falando, insustentável. Em primeiro lugar, endividamo-nos cada vez mais e com juros progressivamente mais elevados. Isto significa que, para pagarmos o que devemos, a nossa economia teria de crescer bastante, coisa que, com as políticas defendidas pelo PS e pelo PSD, não irá acontecer. Pelo contrário, a economia portuguesa irá continuar a regredir. Ou seja, o FMI virá visitar-nos, e não será uma só vez, serão várias.



A nível demográfico, a coisa também não é muito animadora. As políticas de natalidade apenas dão apoios significativos àqueles que vivem dependentes da Segurança Social (por exemplo, o pessoal do rendimento mínimo). Ou seja, multiplicam-se os parasitas e não quem é produtivo para a sociedade. Por outro lado, a população envelhece, reforma-se... e os idosos duram cada vez mais - antigamente morria-se aos 80, agora é aos 100. Mais vinte anos de reforma que o Estado tem de pagar.



O pior é que, como a economia é atrasada, os jovens qualificados emigram (e não voltam), e os que não se vão embora ganham pouco e trabalham em empresas que não contribuem em nada para o desenvolvimento do país - centros comerciais, super e hipermercados, call centers dos bancos e das empresas de telecomunicações, construção civil. Assim, a Segurança Social irá ter um défice cada vez maior, enquanto que a economia não só estagna, como também irá regredir progressivamente.



Já muitas vezes apontei um caminho para resolver estes problemas: um maior investimento estatal para a criação de novas empresas que contribuam para o saldo positivo da nossa balança comercial, bem como uma maior divulgação dos mecanismos de financiamento e até incentivos para o empreendedorismo por parte de jovens qualificados das classes baixa e média (e até para outras pessoas que tenham ideias inovadoras). Era nisto que o deus Cavaco e que o porreiro Guterres haviam de ter gasto os fundos da CEE.


É certo que para o Estado financiar a criação de novas empresas, participando como sócio (o que, mais tarde, traria retornos financeiros directos para o Estado quando as empresas começassem a ter lucro), é necessário que haja dinheiro. Pois bem, bastava cancelar o TGV, privatizar parcialmente empresas como os CP ou a TAP, regular e taxar a prostituição e a venda de drogas leves, criar um imposto sobre grandes empresas que não produzam bens transaccionáveis, cortar a mama à malta do rendimento mínimo, estabelecer um salário máximo na função pública, controlar eficazmente os gastos das câmaras e dos institutos públicos, diminuir gastos com as Forças Armadas e com o Ministério da Cultura, fazer com que condenados estrangeiros cumpram a pena no país de origem, etc.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

A Moção de Censura

O Bloco de Esquerda decidiu tentar dar nas vistas. Algo que não é de admirar, ou não fossem eles políticos profissionais. Desta vez, decidiram fazer algo bastante interessante: anunciaram que, daqui a um mês, vão propor uma moção de censura. Se a moção for aprovada pelo parlamento, o governo cai.



Toda a gente está à espera que o governo de Sócrates caia, mas isso não acontecerá com esta moção. Isto porque o PSD não a vai aprovar. E porquê? A razão oficial é o facto do PSD não concordar com os ideais da esquerda radical, e por isso não cabe na cabeça de ninguém eles apoiarem uma proposta do Bloco. Todavia, esta razão é só uma desculpa. É que Passos Coelho ainda não quer que o governo caia.



Em primeiro lugar, porque a crise ainda não está controlada o suficiente, e o líder social-democrata prefere que seja Sócrates a sacrificar a sua já desgastada imagem, pondo em prática as impopulares medidas de austeridade.



Em segundo lugar, e quiçá a razão mais importante, é o facto das sondagens ainda não darem maioria absoluta ao PSD. "Ainda", pois Passos Coelho está à espera que isso aconteça. Porém, parece-me que o neoliberalismo descarado que o líder social-democrata exibiu quando veio falar da revisão constitucional possa vir a dar-lhe uma surpresa desagradável.



Todavia, o facto da direita não aprovar esta moção de censura poderá vir a ter resultados inesperados. Tendo em conta a distribuição de lugares do nosso parlamento, para aprovar uma moção de censura é preciso que toda a oposição vote a favor. Ora, imaginemos que, daqui a uns tempos, quando as sondagens já forem mais simpáticas para o PSD, Passos Coelho lança uma moção de censura. Agora imaginem que o BE e a CDU não votam a favor - afinal, se a direita não votou na moção do BE, porque há-de a esquerda votar na do PSD?



Ou seja, se Sócrates tiver sorte e for inteligente, ainda é capaz de se aguentar mais tempo do que pensávamos. Isto para não falar que cada vez parece menos provável que Passos Coelho consiga uma maioria absoluta (estarão os eleitores portugueses a começar a ganhar juízo?). Ou o CDS consegue votos suficientes para dar uma maioria absoluta ao PSD através de uma coligação, ou, ironia das ironias, Passos Coelho ficará na mesma situação que Sócrates está a viver actualmente: ser primeiro-ministro de um governo minoritário.


Comenta e debate este tema em:
http://jiboias.forumais.com/t39-a-mocao-de-censura

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Outra Década Perdida?

Não gosto de ser agoirento, mas temo que a década de 2010 seja outra década perdida para Portugal. E a culpa não é tanto da crise mundial, mas sim dos políticos. Mais uma vez, os políticos portugueses cometem o erro de se limitarem a copiar medidas estrangeiras, em vez de usarem a própria cabeça e, tendo em conta a realidade do nosso país, conceberem medidas originais para resolver os nossos problemas.



Dito isto, é preciso ver que, na verdade, não foi só a década de 2000 que foi uma "década perdida". Na minha opinião, a grande oportunidade perdida foram os fundos comunitários que, nas décadas de 80 e 90, foram esbanjados em coisas que, sendo necessárias, deveriam ter sido deixadas para mais tarde.



Os portugueses costumam lembrar o cavaquismo e o guterrismo como "a década de ouro", e, se por um lado se critica o compadrio, nepotismo e corrupção generalizados dessa época, por outro gabam-se investimentos como a construção de auto-estradas e a ampliação das universidades e dos politécnicos. Contudo, se pensarmos bem, foram exactamente esses investimentos que foram o grande erro dos anos 90, e por causa deles que desde 2001 Portugal se encontra em crise perpétua.



É óbvio que é positivo um país ter uma boa rede de estradas e várias instituições de ensino superior; porém, começar o desenvolvimento dum país a partir daí é o mesmo que começar a construção de uma casa pelo telhado. Para quê, pergunto eu, dar milhões à máfia da construção civil para esta encher o país de estradas, quando não há nada de importante para ser transportado? Para quê esturrar milhões com bolsas para estudantes, ordenados para professores e obras em politécnicos e universidades, quando não há empresas que precisem de mão-de-obra qualificada?



Claro que Cavaco, Guterres e os seus compinchas não pensaram nestas questões óbvias. Aliás, na óptica desses "génios" que são os economistas, estes investimentos eram muito bons e iriam garantir o desenvolvimento de Portugal. Nota-se! É aqui que nos devemos lembrar que a economia é uma ciência social, e não uma ciência exacta. Ou seja, lá porque na Alemanha, no Reino Unido e nos EUA a construção de estradas e a maior qualificação da população desenvolveram a economia, não quer dizer que o mesmo venha a acontecer em Portugal.



Num país onde as grandes empresas são supermercados e construtoras civis, é evidente que as únicas pessoas qualificadas que são precisas são engenheiros civis e gestores de loja. Da mesma forma, um país destes não produz nada que possa ser exportado, e por isso não precisa de melhores vias de comunicação.



Aumentar a qualificação dos jovens apenas fez com que o ensino superior perdesse prestígio, dado que agora toda a gente tira um curso e, ainda por cima, fica no desemprego - ou seja, em Portugal, ter uma licenciatura é quase como ter o 12º nos EUA, por exemplo. Por outro lado, a existência de mais auto-estradas apenas facilita o aumento das importações, que se entranham no país mas facilmente, e o abandono do interior, já que as pessoas começam a trabalhar no litoral e acabam por mudar-se para lá.



Os fundos da CEE não deveriam ter sido gastos assim. Deveriam ter sido canalizados para a grande fraqueza do país, que é falta de exportações e a mentalidade pouco empreendedora dos portugueses. Portugal teria hoje uma economia forte e respeitada se os milhões comunitários tivessem sido investidos em sociedades de capitais de risco, em investigação científica e desenvolvimento tecnológico, na aposta em produtos inovadores e de qualidade - nem que, numa primeira fase, tivesse de ser o próprio Estado a criar as empresas, caso os privados se acobardassem.



Porém, e ao contrário dos agoirentos, eu acredito que ainda é possível mudar esta situação e corrigir o que está errado em Portugal. Nos próximos posts irei demonstrar como Portugal poderia apostar em sectores inovadores, ainda estão pouco explorados, que poderiam levar a um grande desenvolvimento da nossa economia.



Contudo, é claro que não acredito que as minhas propostas sejam ouvidas por quem interessa... infelizmente, somos governados por uma rosa que quer repetir o erro e construir um TGV, e na oposição temos uma laranja cega que acha que "o Estado não se deve envolver na economia".

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

A Espera do PSD

Como já toda a gente previa, Cavaco foi reeleito à primeira volta. Nada de admirar, tendo em conta que metade dos portugueses se absteve e a outra metade votou nos candidatos apoiados pelos dois idiotas do costume (PS e PSD). Isto apesar de, no dia a dia, toda a gente se queixar dos políticos profissionais... todavia, por razões que desconheço, quando chega o dia das eleições, os portugueses esquecem-se e perdoam os nossos politiqueiros.



Bom, é graças a esta previsibilidade da mentalidade portuguesa que eu posso fazer estes números de futurologia, como aliás já demonstrei numa outra ocasião, previsões essas que vou continuar a desenvolver e que, infelizmente, se revelarão correctas.



Como eu disse em Agosto passado, após a reeleição de Cavaco, o próximo acontecimento político será a queda final de Sócrates. Creio que o presidente da república ainda não pode dissolver o parlamento - só o poderá fazer daqui a seis meses, salvo erro. Mas isso não quer dizer que seja Cavaco a derrubar Sócrates; o próprio Passos Coelho poderá avançar com uma moção de censura... ou então, esperar que os comunas (PCP/PEV) ou que a esquerda caviar (BE).



De qualquer modo, o PSD ainda terá de esperar uns meses até que chegue o momento certo. O momento certo será decidido tendo em conta dois factores: o peso do partido nas sondagens e a situação financeira do país.



É evidente que Passos Coelho quererá que seja Sócrates a pôr em prática as medidas de austeridade, de modo a desgastar a imagem do actual primeiro-ministro e a evitar que tenha de ser o futuro governo PSD a lidar com a situação.



Depois há a questão das sondagens. Curiosamente, e ao contrário do que ocorreu quando Sócrates derrotou Santana Lopes, as últimas sondagens não dão maioria absoluta ao PSD... nem sequer dão maioria absoluta a uma possível coligação PSD+CDS. Porém, Passos Coelho ainda tem muito tempo para tentar ganhar votos, embora também seja verdade que a esquerda terá igualmente tempo para lembrar os ideais neo-liberais do líder "social-democrata".



O certo é que, se as minhas previsões de Agosto se confirmarem, a carreira política de Passos Coelho não será muito longa. Quer seja por liderar um governo minoritário que será será derrubado pela esquerda através duma moção de censura, quer seja por não conseguir ser reeleito após terminar o mandato. É inevitável, tendo em conta aquilo que o PSD pretende fazer: privatizar o Estado Social para controlar de vez o défice. Se falhar, não será reeleito pois não controlou o défice; se tiver sucesso, o povo português irá odiá-lo por ter diminuído os apoios sociais.



Entretanto, chegará 2016, onde Cavaco será substituído - provavelmente, por Marcelo Rebelo de Sousa. Mas isso já é outra história...

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Melhores Bitaites dos Candidatos

Eis aqui a minha análise de alguns dos melhores (ou, conforme o ponto de vista, piores) bitaites que certos candidatos a presidente atiraram durante a campanha.
O mais curioso é que os maiores disparates não foram proferidos pelo José Manuel Coelho. E ainda dizem que ele é que é o palhaço.



Era preciso nascerem duas vezes para serem mais sérios do que eu
Cavaco Silva

Já todos conhecíamos a famosa frase "Nunca me engano e raramente tenho dúvidas" que Cavaco Silva disse quando era primeiro-ministro (frase essa que, como a situação actual do nosso país demonstra, estava errada). Pois bem, agora Cavaco faz uma nova versão, dizendo que era preciso os outros candidatos ressuscitarem para serem mais sérios do que ele. Claro que quem diz uma frase destas é, certamente, uma pessoa muito séria. Basta olhar para os seus amigalhaços, o Oliveira e Costa e o Dias Loureiro, que são também pessoas muito sérias.



As pessoas têm de sair, ir à rua, têm de se unir para lutar pelo direito à educação!
Cavaco Silva

Como o papagaio Alegre disse (e, desta vez, teve toda a razão), quem aprovou o decreto que vai acabar com o financiamento das escolas privadas foi ele. Podia ter vetado, mas nem isso. É engraçado que, quando era primeiro-ministro, Cavaco não achava piada nenhuma às manifestações dos cidadãos.



Os custos de uma segunda volta seriam muito elevados para o nosso país
Cavaco Silva

Esta é demais. É preciso não ter vergonha nenhuma na cara para dizer isto. Já agora, mais valia nem haver eleições nenhumas. O PS e o PSD faziam um acordo e alteranavam-se no poder. Ficava mais barato e os resultados eram os mesmos. Quando é que o povo português deixa de ser estúpido e pára de votar nos idiotas do costume? É muito injusto que a minoria que pensa pela própria cabeça tenha de levar com as decisões estúpidas da maioria acefála.



Estas eleições são um caso de vida ou de morte para a democracia portuguesa
Manuel Alegre

O papagaio, na tentativa desesperada de chamar atenção, decide usar a carta do dramatismo. Por amor de Deus, esta eleição é para escolher quem será o idiota que vai cortar fitas e assinar as leis aprovadas pelo parlamento. Não se vai eleger um governante, vai ser eleito um bibelô. Um mestre de cerimónias. Os únicos poderes que tem são vetar (que é inútil, pois uma lei que foi aprovada uma vez certamente que pode ser aprovada novamente) e dissolver a assembleia (o que não é mais do que antecipar as eleições legislativas). O mais curioso é que isto vem de um papagaio do PS. Como se houvesse muita diferença entre o PSD e o PS. Se a democracia está pobre é exactamente por serem sempre estes dois partidos a ganhar.



Se a hipocrisia e o cinismo pagassem imposto, teríamos o défice pago
Francisco Lopes

Será que os comunistas têm a noção da figura de parvos que fizeram ao aplaudirem estas palavras? É que não são só o PS e o PSD que são hipócritas... o PCP também o é. Aliás, ainda é mais hipócrita, na medida em que defende uma sociedade igualitária, isto quando muitos comunas vivem bem graças à sua actividade política (com vivendas e bom carros, inclusivamente) e, em vez de protegerem os mais pobres, protegem os funcionários públicos que ganham mais de 1500 euros e que têm várias regalias. Outra hipocrisia do PCP é defender a produção nacional, quando foram os comunas que destruíram a nossa indústria a seguir ao 25 de Abril, durante o PREC.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Mais Vale um Pássaro na Mão...

Como era de prever, os velhos funcionários públicos não vão abrir mão das suas regalias de boa vontade. Apesar dos cortes salariais apenas atingirem quem recebe mais de 1500 euros por mês (para a maioria dos habitantes do nosso país, este ordenado é um sonho!), o que, tendo em conta a nossa estrutura social, se inclui dentro da classe média-alta - ou até classe alta -, vemos os partidos (até mesmo Cavaco, que é de direita) e, é claro a CGTP e a UGT, a defender que os funcionários públicos serão os grandes sacrificados de 2011.



Ora, certamente há funcionários públicos que vão ter grandes dificuldades, especialmente aqueles que andam a recibos verdes ou têm contratos a prazo. Mas estes não são os trabalhadores que a oposição e os sindicatos defendem. Não, os "trabalhadores" de quem falam o PCP, a CGTP ou até Cavaco são aqueles sortudos que entraram na função pública há décadas, que já estão efectivos, que possuem diversas regalias e privilégios, e que, como já foi referido, recebem mais de 1500 euros por mês. Coitadinhos destes "trabalhadores".



Estes funcionários públicos e estes sindicatos estão-se a marimbar para os verdadeiros trabalhadores, que são aqueles que recebem bem menos de 1500 euros; aqueles que trabalham para o privado, muitas vezes em situações precárias; os trabalhadores independentes ou por conta própria e os empresários individuais, que não têm direitos nenhuns e que são chulados pelo Estado de forma descarada há anos; os desempregados, sejam eles jovens ou velhos; e os que trabalham para a função pública, mas que andam a recibos verdes ou não estão efectivos. Estes sim, são trabalhadores com dificuldades. Mas estes não serão ajudados, nem pela esquerda, nem pela direita.



Enfim, lá vão os "trabalhadores" protegidos pelos sindicatos entulhar os tribunais com providências cautelares, fazer greves e manifestações (ainda por cima agora, que estamos em crise... nada melhor que parar o país por uns dias para aumentar a nossa produtividade!)... e com tanta a gente a querer trabalhar! Será que eles não percebem a sorte que têm? Um bom ordenado, pouca exigência, um emprego estável, um patrão que nunca irá à falência, e ainda vários privilégios...



Estes chicos-espertos que continuem a esticar a corda. Estou a ver que estão todos cheios de vontade que venha cá o FMI, mas se ele vier, tenho a certeza que estes meninos e meninas ainda se vão arrepender. Num cenário desses, se eu fosse primeiro-ministro, aproveitava para anular o estatuto de efectivo da função pública. E depois, quem não quisesse trabalhar, seria despedido, pois há milhares de portugueses que querem um emprego e que fariam certamente um melhor trabalho.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Carlos Castro e o Politicamente Correcto

Sei que este assunto já foi mais que debatido. Todavia, a equipa que produz este blogue não pode ficar calada enquanto observa que os principais meios de comunicação estão a passar uma versão "politicamente correcta" daquilo que ocorreu. Apesar de se falar muito do homicídio de Carlos Castro, ninguém teve ainda a coragem de discutir o que realmente aconteceu entre esta figura do Jet Set e Renato Seabra.


Sendo assim, nós cá no Blog Jibóias decidimos contar o que ocorreu (e não é preciso ser o Sherlock Holmes para adivinhar o que se passou) e, como esta é uma das raras situações em que a vida real nos brinda com uma lição de moral no final, vamos fazer esta narração como se tratasse de uma fábula de Ésopo.


Era uma vez um menino que nasceu num país cinzento, muito cinzento. A maior parte dos meninos da idade dele era obrigada a trabalhar arduamente, que nem os adultos, para sobreviver. Sonhos? Os meninos nascidos neste país cinzento não tinham sonhos; primeiro porque não tinham tempo para sonhar, e segundo porque sabiam que não valia a pena ter sonhos, pois nunca os iriam cumprir.


Contudo, este menino de que vos falo era diferente. Ao contrário de todos os outros, este tinha nascido num berço de ouro, o que singifica que não teve passar pelas dificuldades e frustrações dos seus compatriotas. E assim, protegido pela sua origem, este menino cresceu e pôde realizar muitos actos de "coragem". Afinal, é fácil ser-se corajoso quando temos as costas quentes. Da mesma forma que é fácil ser-se empreendedor quando já se nasceu rico.


O menino ficou adulto, e o adulto ficou velho. E durante estes anos, através do seu "trabalho árduo", ele tornou-se numa figura com fama. E que trabalho árduo foi esse que ele fez? Obras de arte? Descobertas científicas? Empresas multinacionais? Não. Festas para o Jet Set, crónicas sobre o Jet Set... enfim, o tipo de coisas que desenvolvem um país e que dão um saldo positivo à nossa balança comercial. Ou não.


Certo dia, apareceu um outro menino que também queria ser famoso sem fazer nada de útil. Ser rico sem ser construtivo. E este segundo menino cruzou-se com o nosso primeiro menino, que, como referimos, agora já era um velho. Ora, o velho julgou que poderia arranjar um amante, e o novo menino achou que poderia arranjar uma forma de subir na vida sem trabalho. Como se costuma dizer, uma mão lava a outra.


Mas as coisas complicaram-se, porque nenhum queria dar o primeiro passo. O velho só daria cunhas ao novo menino quando fossem os dois para a cama; o novo menino só iria para a cama com o velho quando este lhe desse as cunhas. Um impasse. Mas o velho, que foi sempre tão "corajoso", decidiu resolver a situação "atirando-se" ao menino.


Porém, o menino, que teve a sorte de nascer com um bom aspecto e, como tal, estava habituado a "comer" apenas as melhores miúdas, arrependeu-se de fingir ser homossexual e acabou respondendo com violência para parar o velho, matando o mal pela raiz (castrando-o) e, aproveitando o calor do momento, lá terminou o serviço e enviou o velho para os anjinhos.


Nem o velho "comeu" o menino, nem o menino arranjou uma boa vida à custa do velho. E daqui tiram-se duas grandes lições:
1- Nunca penses com a cabeça de baixo.
2- Tem cuidado se quiseres subir na vida sem mérito.


PS: Ao contrário do que dizem os meninos na televisão, se há pessoas que se estão a cagar para a morte do Carlos Castro, isso não é por homofobia, é por nojo ao Jet Set.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Previsões para 2011

O ano que agora começou poderá ser um ano decisivo para o futuro próximo do nosso país. Não me refiro às eleições presidenciais, pois toda a gente já sabe que Cavaco Silva irá ser reeleito na primeira volta (embora, na minha opinião, o candidato com mais mérito seja, de longe, Fernando Nobre).


Os três grandes factores que poderão (ou não) alterar o rumo de Portugal são os seguintes:


- Em primeiro lugar, a luta entre Portugal e a ganância dos mercados. Será que iremos sobreviver sem passar a vergonha de pedirmos ajuda ao FMI? Depende da inteligência, criatividade e competência dos nossos políticos (que, infelizmente, são muito limitadas), da imagem que os meios de comunicação passam do FMI ("ai, o FMI se cá viesse endireitava isto tudo, o FMI é que era bom") e do comportamento dos nossos camaradas da UE.


- Em segundo lugar, a reacção das pessoas às medidas de austeridade. Nada irá mudar se reagirmos da maneira habitual, que é com o comportamento do "cão que ladra, mas não morde" - ou seja, mandamos bitaites, mas continuamos calminhos e quando há eleições votamos nos palermas do costume (PS/PSD). Todavia, se finalmente aparecer alguém com coragem de fazer algo que se destaque (e não, não estou a falar dos funcionários públicos e camaradas comunas a fazerem manifestações), talvez aí haja mudança.


- Finalmente, temos as eleições legislativas que, a princípio, vão ocorrer durante o próximo ano. Será que Passos Coelho irá ganhar com maioria absoluta? Com maioria relativa? Fará coligação com o CDS-PP? Ou será que a esquerda, encabeçada por um novo líder do PS, irá conseguir uma reviravolta, usando a bandeira do estado social para derrotar o neo-liberalismo do novo PSD?