Pedro Passos Coelho continua a achar que o povo português é estúpido. A sorte dele é que a maioria dos portugueses são, de facto, muito estúpidos. Tão estúpidos que lhe hão-de dar uma maioria absoluta, como aliás deram a Sócrates há cinco anos atrás.
O líder do PSD, que pretende ser um reformista arrojado e corajoso, lembrou-se que seria agora o momento ideal para fazer umas alteraçõezitas à nossa Constituição. Isto porque, como qualquer um pode ver, não há nada de mais importante para se debater na actualidade.
Quer o social-democrata neoliberal (paradoxos destes só em Portugal) que os mandatos do presidente da república durem seis anos, em vez de cinco. Bom, em primeiro lugar, não estou a ver qual a utilidade de aumentar o mandato presidencial. Em segundo lugar, parece-me que Passos Coelho não é muito bom a fazer contas: por norma, um presidente tem facilidade em ser reeleito, o que significa que estaria doze anos no poder. Ora, tendo em conta que os candidatos presidenciais tendem a ter, pelo menos, uns sessenta anos...
Para além dos mandatos presidenciais, Passos Coelho deseja também aumentar o mandato do governo por cinco anos. Eu até concordaria, mas apenas se Portugal tivesse bons políticos. Como tal não se verifica, o melhor é ficarmo-nos pelo mandato de quatro anos, que já é tempo mais que suficiente para que o pessoal do PS e do PSD, alternadamente, façam a asneirada medíocre do costume.
Os nossos sociais-democratas de trazer no bolso propõe ainda uma série de alterações que consistem em substituir algumas palavras por sinónimos, embora o façam de maneira a dar um pendor menos esquerdista e mais neoliberal à Constituição. Independentmente de se ser a favor ou não do neoliberalismo, acho que não era preciso alterar a Constituição para o colocar em prática.
Todavia, o facto é que, tendo em conta os problemas do nosso país, duvido que o neoliberalismo seja a solução, muito pelo contrário. Num país onde as classes ricas são incapazes de inovar ou, pelo menos, investir em que inova, cabe ao Estado o papel de financiar e estimular o empreendedorismo. Isto para não falar da necessidade de um Estado-Providência para amparar os mais desfavorecidos - que, com a precariedade e com a miséria que temos em Portugal, bem precisam de ajuda.
Sinceramente, tenho pena que estas propostas idiotas sejam a única demonstração de desejo de mudança que os nossos políticos exibem. Sim, porque se fosse para tentar criar um novo sistema político, pensado especialmente para Portugal, que tivesse objectivos mais ambiciosos e que tentasse melhorar realmente a nossa sociedade, aí ninguém, nem da esquerda nem da direita, estaria interessado.
segunda-feira, 19 de julho de 2010
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