quinta-feira, 28 de outubro de 2010

À Beira do Abismo

Os politiqueiros do PS e do PSD continuam a brincar com o fogo, colocando os interesses partidários à frente do interesse nacional, de uma forma que é verdadeiramente obscena.


Como é possível que, sabendo que os mercados têm Portugal debaixo de olho, os dois principais partidos se possam dar ao luxo de não chegarem a acordo. Sinceramente, eu gostaria de saber que raio andaram eles a fazer durante as horas que gastaram em negociações durante esta semana.


Mais curioso é o facto de muitos economistas da treta e ricalhaços se juntarem ao labrego comum, afirmando que "é melhor que o FMI cá venha endireitar as coisas". Quanta idiotice. Com riquinhos destes, não é de admirar que o país nunca tenha ido para a frente e se encontre actualmente nesta lamentável situação.


Neste momento, está o incompetente do Sócrates na cimeira da União Europeia, sem acordo para o orçamento, deixando Portugal envergonhado frente à Alemanha e à França. Isto para não falar da imprensa internacional, cujas notícias embaraçam o nosso país. Será que nem Passos Coelho nem Sócrates têm vergonha na cara? Para eles, é mais importante o resultado das sondagens do que a queda do prestígio do país.


E os outros partidos da oposição? Bom, esses provam que não servem para nada, senão para fazer isso mesmo: oposição. Sejam os ignorantes dos comunas, os intelectualóides da esquerda caviar, os demagogos da democracia-cristã ou os dois paspalhos ecologistas, ninguém está disponível para fazer um sacríficio em nome do país.


Vocês perguntarão: então e tu, também só mandas bitaites? Não, o Blog Jibóias, apesar do conteúdo adulto, sempre se preocupou em apresentar propostas - é certo que estas não chegarão aos políticos, mas servem para demonstrar que, se os nossos governantes utilizassem a criatividade em vez de plagiarem as políticas da Alemanha e de França, poderíamos estar bem melhor: regular e taxar a prostituição (que aliás já se encontra despenalizada há mais de 25 anos), regular e taxar a venda de drogas leves (cujo consumo é legal há dez anos), vender algumas reservas de ouro e privatizar merda inútil (ANA, CP, TAP, empresas municipais) investindo as receitas em acções das grandes empresas da bolsa portuguesa, pôr os estrangeiros condenados a cumprir pena no seu país de origem (assim não teríamos de sustentar 20% da população das prisões), taxar as receitas das seitas e instituições religiosas (incluindo a Igreja Católica, a IURD e a Igreja Maná), permitir a personalização de partes dos automóveis (por exemplo, a matrícula) mediante o pagamento de uma taxa, controlar com punho de ferro os gastos das Câmaras Municipais, começar a cortar o máximo possível nas Forças Armadas, obrigar os presos a realizar serviço comunitário não-remunerado (número de horas de trabalho proporcional à gravidade dos crimes cometidos), fechar a torneira do rendimento mínimo, cortar nas mordomias dos políticos e dos gestores públicos, acabar com os subsídios para "artistas" eruditos...


Enfim, é tanta coisa que poderia ser feita para se conseguir receita para o Estado... mas, é claro, na Alemanha e na França nunca se lembraram de fazer isto (nem têm necessidade de o fazer), e como os nossos políticos nem têm criatividade nem estão empenhados, temos de nos contentar em ver o barco a naufragar porque o PSD acha que perde votos se viabilizar um orçamento medíocre e o PS acha que ganha votos se se fizer passar por coitadinho.

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