Hoje comemora-se o dia da liberdade. O dia em que a ditadura foi derrubada. O dia em que Portugal se tornou num país democrático. Porém, observando o nosso percurso ao longo dos últimos trinta anos, eu pergunto-me: será que isto é, de facto, uma democracia? E será que um governo eleito democraticamente é superior aos outros?
Lembro-me que, nas legislativas de 2009, Manuela Ferreira Leite veio com aquela ideia disparatada de "suspender a democracia por uns meses". Ora, a verdade é que a "democracia" é suspensa, e não apenas por alguns meses - por norma, é por quatro anos (no caso do governo e das câmaras municipais) ou até por cinco (no caso do presidente). Ao menos no tempo do Guterres faziam-se alguns referendos ao povo. Pena é que nesta "democracia" não se tenham referendado coisas como a entrada no Euro, a construção do TGV ou as alterações à Constituição, por exemplo.
No tempo do Estado Novo também haviam eleições legislativas. Claro que ganhava sempre a União Nacional. Contudo, desde o 25 de Abril que quem ganha sempre as eleições é o PS ou o PSD. Que partilham basicamente a mesma ideologia. É isto a democracia? Dividimos a União Nacional em duas fatias, uma finge estar mais à esquerda, outra finge estar mais à direita, mas no fim de contas permanece tudo na mesma...
O Reino Unido está a organizar um referendo para aprovar um novo sistema eleitoral, onde os eleitores poderão votar em vários candidatos, ordenando-os segundo a sua preferência. Este sistema já é usado há muito na Austrália. E cá, será que algum dia irá haver uma democracia mais apurada?
Convém também dizer que não é por alguém ser eleito democraticamente que tem maior legitimidade para governar. Hitler foi eleito democraticamente. Isso não legitima as suas acções, só serve para envergonhar os alemães. Da mesma forma, o facto de George W Bush ter sido reeleito prova a estupidez da maioria dos americanos. O facto de PS e PSD continuarem a ser eleitos sucessivamente mostra o conformismo, a influenciabilidade e a falta de inteligência dos portugueses. Quando o povo é inculto, a democracia não é mais que a ditadura da maioria.
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segunda-feira, 25 de abril de 2011
domingo, 17 de abril de 2011
A Grande Discórdia
Já não bastava a nossa economia ser uma miséria e o FMI vir-nos fazer uma visita, como agora os nossos políticos fazem questão de mostrar, uma vez mais, o que é mais importante para eles: os seus partidos, é claro.
Um país na nossa situação deveria tentar ser o mais amável possível para com a UE e o FMI. Deveríamos dar uma imagem de união, de espírito de sacrifício, de vontade em corrigirmos as nossas lacunas. Contudo, e apesar do contexto que atravessamos, os políticos não pensam assim.
Como é habitual desde o dia em que foram legalizados os partidos no nosso país, os nossos políticos - ou melhor, os nossos politiqueiros - dão prioridade aos seus interesses pessoais e partidários e só depois, se não der muito trabalho, lá vão desenrascando umas coisitas para o país.
Assim, Sócrates não cortou na despesa fútil do Estado, como os institutos públicos ou as empresas municipais que dão prejuízos crónicos, apenas devido aos facto de muitos boys do PS terem bons tachos nessas organizações. Da mesma forma, teimou em continuar com o TGV e com outras obras inúteis... provavelmente está à espera de um lugar na Mota Engil, como aconteceu com o seu amigalhaço Jorge Coelho.
Da mesma forma, Passos Coelho poderia negociado com Sócrates e evitar a vinda do FMI. Porém, a sede de poder da canalha do PSD estava a ficar incontrolável e, por isso, chumbou o PEC4, apesar de saber que o FMI iria pedir sacrifícios piores. Tudo isto para provocar eleições antecipadas e assim chegar ao pote.
O CDS, embora tente passar uma imagem de partido "responsável" e com "sentido de Estado", alinhou no chumbo do PEC4, pois sabe que vai aumentar os seus votos e que o PSD terá de o incluir no novo governo. Mais uma vez, o mais importante é alcançar um bom poleiro.
A esquerda radical, que se diz contra o FMI e contra o neoliberalismo, precipitou alegremente a queda do governo, embora soubesse das consequências - nomeadamente, que o próximo governo seria de direita. Isto na esperança de conseguirem mais uns lugares no parlamento. Enquanto isso, promovem greves dos transportes públicos, dificultando a vida a quem quer trabalhar.
Sinceramente, começo a ficar farto deste país. E o pior não é este comportamento dos políticos. O pior é que, apesar disto tudo, as pessoas vão continuar a votar neles. Será que ninguém reparou que há mais partidos disponíveis no boletim de voto? Como é possível ainda haver gente a votar PS, PSD, CDS, BE ou CDU? Acho que os finlandeses têm razão em não nos quererem ajudar; afinal, nós nunca aprendemos e continuamos a repetir os mesmos erros.
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Um país na nossa situação deveria tentar ser o mais amável possível para com a UE e o FMI. Deveríamos dar uma imagem de união, de espírito de sacrifício, de vontade em corrigirmos as nossas lacunas. Contudo, e apesar do contexto que atravessamos, os políticos não pensam assim.
Como é habitual desde o dia em que foram legalizados os partidos no nosso país, os nossos políticos - ou melhor, os nossos politiqueiros - dão prioridade aos seus interesses pessoais e partidários e só depois, se não der muito trabalho, lá vão desenrascando umas coisitas para o país.
Assim, Sócrates não cortou na despesa fútil do Estado, como os institutos públicos ou as empresas municipais que dão prejuízos crónicos, apenas devido aos facto de muitos boys do PS terem bons tachos nessas organizações. Da mesma forma, teimou em continuar com o TGV e com outras obras inúteis... provavelmente está à espera de um lugar na Mota Engil, como aconteceu com o seu amigalhaço Jorge Coelho.
Da mesma forma, Passos Coelho poderia negociado com Sócrates e evitar a vinda do FMI. Porém, a sede de poder da canalha do PSD estava a ficar incontrolável e, por isso, chumbou o PEC4, apesar de saber que o FMI iria pedir sacrifícios piores. Tudo isto para provocar eleições antecipadas e assim chegar ao pote.
O CDS, embora tente passar uma imagem de partido "responsável" e com "sentido de Estado", alinhou no chumbo do PEC4, pois sabe que vai aumentar os seus votos e que o PSD terá de o incluir no novo governo. Mais uma vez, o mais importante é alcançar um bom poleiro.
A esquerda radical, que se diz contra o FMI e contra o neoliberalismo, precipitou alegremente a queda do governo, embora soubesse das consequências - nomeadamente, que o próximo governo seria de direita. Isto na esperança de conseguirem mais uns lugares no parlamento. Enquanto isso, promovem greves dos transportes públicos, dificultando a vida a quem quer trabalhar.
Sinceramente, começo a ficar farto deste país. E o pior não é este comportamento dos políticos. O pior é que, apesar disto tudo, as pessoas vão continuar a votar neles. Será que ninguém reparou que há mais partidos disponíveis no boletim de voto? Como é possível ainda haver gente a votar PS, PSD, CDS, BE ou CDU? Acho que os finlandeses têm razão em não nos quererem ajudar; afinal, nós nunca aprendemos e continuamos a repetir os mesmos erros.
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quarta-feira, 6 de abril de 2011
A Falácia dos Ratings
Após reflectir bastante sobre a situação que Portugal atravessa, cheguei à conclusão que toda esta barafunda causada pelas agências de rating é uma enorme fantochada falaciosa que, se os nossos políticos tivessem a miníma criatividade, poderia ter sido resolvida com relativa facilidade e sem FMI. Passo a explicar:
Para começar, as agências de rating são empresas internacionais pagas pelos países para darem credibilidade à sua dívida, através dos ditos ratings, que assim permitem que os investidores aceitem comprar dívida pública.
Ora, seguindo uma lógica bastante aceitável, países que tenham maior dificuldade em pagar as suas dívidas têm um rating mais baixo. Como é menos provável que paguem o que devem aos investidores (isto é, o risco de incumprimento é maior), então há menos investidores interessados e, seguindo a lei da oferta e da procura, se há menos compradores, então os Estados têm de vender a sua dívida a juros mais altos.
Até aqui tudo parece seguir uma lógica bastante racional e acertada... até entrar em jogo o seguinte dado: todos os países que se achem em dificuldades podem chamar o FMI para os ajudar. E uma parte dos dinheiros que o FMI nos empresta são canalizados para pagar o que deve aos credores.
Ora, tal como já foi referido acima, as agências de rating avaliam os Estados consoante a probabilidade de não conseguirem pagar o que devem. Porém, Portugal, Grécia e a Irlanda nunca estiveram em perigo de não pagarem o que devem, na medida em que ainda têm a oportunidade de chamarem o FMI. Ou seja, nunca houve nenhuma hipótese real de estes países ficarem de facto a dever a quem lhes compra dívida.
Ou seja, as agências de rating não têm fundamento para cortarem a avaliação da nossa dívida, na medida em que nunca houve risco de incumprimento, graças à existência desse "trunfo" chamado FMI.
Porém, se esta falácia é prejudicial para Portugal, ela é benéfica para quem compra a nossa dívida pública. Já imaginaram o que é ganhar juros de 4, 5, 6 ou até 7%? Na economia real, investimentos com taxas de juro tão altas são negócios de risco, que tanto podem correr bem como deixar o investidor a ver navios. Mas, graças ao FMI, investir na dívida pública portuguesa é, neste momento, o negócio mais rentável do mundo: oferece taxas de juro altíssimas a risco zero.
Portugal vai pagar aos compradores da dívida pública. Quer o faça sozinho, quer o faça com a ajuda do FMI, mas está garantido que vai pagar, a tempo e horas, com juros. É por isso que é uma grande fantochada o facto de agências de rating baixarem a nossa avaliação com o argumento de que "o risco de incumprimento é elevado", quando na verdade ele é nulo.
Todavia, se os nossos políticos possuíssem alguma criativdade e algum atrevimento, teria sido fácil dar a volta à situação. Como eu já mencionei, o valor dos juros é definido pela lei da oferta e da procura. Se a procura aumentasse, os juros caíriam a pique. E como é que poderíamos aumentar a procura, perguntam vocês?
Bastaria que os nossos políticos tivessem explicado o que eu descrevi neste texto, demonstrando assim que o investimento mais rentável e mais seguro do planeta é, actualmente, a compra da dívida portuguesa. Depois, era simplesmente alterar a forma como os leilões são feitos...
...É que os leilões da nossa dívida não são leilões a sério, pois só meia dúzia de grupos económicos é que participam (basicamente, os nossos bancos). É claro que assim a procura é diminuta. Além disso, ocorre algo muito perverso: o Banco Central Europeu empresta dinheiro aos nossos bancos a uma taxa de 1 ou 2%, enquanto que eles depois nos emprestam a 5 ou 6%... e depois andam a mandar bitaites, como se tivessem moral para o fazer.
Se os leilões fossem abertos a toda gente interessada em comprar porções da nossa dívida, e se os nossos governantes usassem o tempo de antena para pôr a nú o facto de que, graças ao FMI, o "risco de incumprimento" é nulo e que não há mais nenhum negócio onde se ganhem juros de 5 ou 6% com tanta segurança, tenho a certeza de que as agências de rating já se teriam calado, o FMI estaria afastado, e os juros da dívida pública, graças à lei da oferta e da procura, teriam finalmente descido para valores razoáveis.
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Para começar, as agências de rating são empresas internacionais pagas pelos países para darem credibilidade à sua dívida, através dos ditos ratings, que assim permitem que os investidores aceitem comprar dívida pública.
Ora, seguindo uma lógica bastante aceitável, países que tenham maior dificuldade em pagar as suas dívidas têm um rating mais baixo. Como é menos provável que paguem o que devem aos investidores (isto é, o risco de incumprimento é maior), então há menos investidores interessados e, seguindo a lei da oferta e da procura, se há menos compradores, então os Estados têm de vender a sua dívida a juros mais altos.
Até aqui tudo parece seguir uma lógica bastante racional e acertada... até entrar em jogo o seguinte dado: todos os países que se achem em dificuldades podem chamar o FMI para os ajudar. E uma parte dos dinheiros que o FMI nos empresta são canalizados para pagar o que deve aos credores.
Ora, tal como já foi referido acima, as agências de rating avaliam os Estados consoante a probabilidade de não conseguirem pagar o que devem. Porém, Portugal, Grécia e a Irlanda nunca estiveram em perigo de não pagarem o que devem, na medida em que ainda têm a oportunidade de chamarem o FMI. Ou seja, nunca houve nenhuma hipótese real de estes países ficarem de facto a dever a quem lhes compra dívida.
Ou seja, as agências de rating não têm fundamento para cortarem a avaliação da nossa dívida, na medida em que nunca houve risco de incumprimento, graças à existência desse "trunfo" chamado FMI.
Porém, se esta falácia é prejudicial para Portugal, ela é benéfica para quem compra a nossa dívida pública. Já imaginaram o que é ganhar juros de 4, 5, 6 ou até 7%? Na economia real, investimentos com taxas de juro tão altas são negócios de risco, que tanto podem correr bem como deixar o investidor a ver navios. Mas, graças ao FMI, investir na dívida pública portuguesa é, neste momento, o negócio mais rentável do mundo: oferece taxas de juro altíssimas a risco zero.
Portugal vai pagar aos compradores da dívida pública. Quer o faça sozinho, quer o faça com a ajuda do FMI, mas está garantido que vai pagar, a tempo e horas, com juros. É por isso que é uma grande fantochada o facto de agências de rating baixarem a nossa avaliação com o argumento de que "o risco de incumprimento é elevado", quando na verdade ele é nulo.
Todavia, se os nossos políticos possuíssem alguma criativdade e algum atrevimento, teria sido fácil dar a volta à situação. Como eu já mencionei, o valor dos juros é definido pela lei da oferta e da procura. Se a procura aumentasse, os juros caíriam a pique. E como é que poderíamos aumentar a procura, perguntam vocês?
Bastaria que os nossos políticos tivessem explicado o que eu descrevi neste texto, demonstrando assim que o investimento mais rentável e mais seguro do planeta é, actualmente, a compra da dívida portuguesa. Depois, era simplesmente alterar a forma como os leilões são feitos...
...É que os leilões da nossa dívida não são leilões a sério, pois só meia dúzia de grupos económicos é que participam (basicamente, os nossos bancos). É claro que assim a procura é diminuta. Além disso, ocorre algo muito perverso: o Banco Central Europeu empresta dinheiro aos nossos bancos a uma taxa de 1 ou 2%, enquanto que eles depois nos emprestam a 5 ou 6%... e depois andam a mandar bitaites, como se tivessem moral para o fazer.
Se os leilões fossem abertos a toda gente interessada em comprar porções da nossa dívida, e se os nossos governantes usassem o tempo de antena para pôr a nú o facto de que, graças ao FMI, o "risco de incumprimento" é nulo e que não há mais nenhum negócio onde se ganhem juros de 5 ou 6% com tanta segurança, tenho a certeza de que as agências de rating já se teriam calado, o FMI estaria afastado, e os juros da dívida pública, graças à lei da oferta e da procura, teriam finalmente descido para valores razoáveis.
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segunda-feira, 28 de março de 2011
Passos Coelho, o Privatizador
Passos Coelho continua a exibir, de forma descarada, os seus dogmas neoliberais. Uma coisa é certa: desta vez, se os portugueses lhe derem maioria absoluta, não poderão vir-se queixar dizendo que "ele mentiu-nos, ele enganou-nos". Oh não; desta vez, ao menos, há sinceridade: o PSD quer privatizar o que dá lucro, o PSD quer manter a ideologia do "o Estado não se pode meter nos negócios; temos de ficar à espera que sejam os privados a fazerem alguma coisa", o PSD não se importa em abrir as portas ao FMI.
Devo dizer que, apesar de tudo, Passos Coelho está, actualmente, melhor capacitado para ser primeiro-ministro do que Sócrates - afinal, ainda está "fresco". Contudo, não se iludam: dêem-lhe maioria absoluta e ao fim de dois anos teremos outro canastrão arrogante e autista.
É também de salientar que o neoliberalismo não é intrisecamente mau, tal como não o é nenhuma ideologia político-económica. Afinal, nunca se deve excluir nenhuma fonte de ideias e, além disso, existem pontos em que o neoliberalismo até pode ter razão. O problema é que Passos Coelho segue esta ideologia duma forma dogmática, o que lhe impede de analisar a realidade de forma fria e, pior ainda, lhe limita o tipo de medidas governativas que pode tomar.
Privatizar o que dá prejuízo crónico há décadas, como a TAP ou a CP, tendo em conta que estamos em crise, é uma opção que não deixa de ser interessante. Substituir o Estado Social directo (em que a educação e a saúde são prestadas directamente pelo Estado) por um Estado Social indirecto (onde hospitais e escolas são privatizadas e o Estado paga as contas das classes baixa e média) é também uma alternativa que poderá funcionar.
Mas quando o futuro primeiro-ministro de Portugal (atenção: de Portugal, não é do Reino Unido nem da Alemanha) teima em persistir no mesmo erro do passado - a defesa até ao fim da máxima "o motor exclusivo da economia é a iniciativa privada; ao Estado compete somente a função reguladora" - aí a conversa é diferente.
Quantas vezes não avisei eu que não se devem copiar cegamente as ideologias criadas para outros países? No Portugal actual, esperar pela iniciativa privada é o mesmo que esperar que se descubra petróleo. E isto já foi demonstrado por várias vezes: Cavaco esperou pelos privados, Guterres esperou pelos privados... e agora estamos nesta bela situação porque os privados nunca fizeram nada de jeito.
E como Passos Coelho será primeiro-ministro de Portugal, e não do Reino Unido ou da Alemanha, ele não deveria ter copiado os dogmas políticos desses países. Deveria, em vez disso, de ter estudado a realidade portuguesa. E, se o tivesse feito, saberia que Portugal precisa que o Estado invista a economia, pois os nossos "capitalistas" preferem comprar um Mercedes, ir de férias para Cuba, construir um centro comercial ou esperar pela próxima privatização.
Passos Coelho dizia que o seu partido não queria o "pote". Afinal, ele quer, e o pote chama-se Caixa Geral de Depósitos. É uma das poucas empresas do Estado que é eficiente e gera milhões de lucros todos os anos. Ao privatizar este banco, além de roubar um grande activo ao país, o PSD estará incentivar o não-investimento dos privados - é que, quem investe na compra de acções da CGD não terá necessidade de investir na criação/expansão de novas empresas.
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É também de salientar que o neoliberalismo não é intrisecamente mau, tal como não o é nenhuma ideologia político-económica. Afinal, nunca se deve excluir nenhuma fonte de ideias e, além disso, existem pontos em que o neoliberalismo até pode ter razão. O problema é que Passos Coelho segue esta ideologia duma forma dogmática, o que lhe impede de analisar a realidade de forma fria e, pior ainda, lhe limita o tipo de medidas governativas que pode tomar.
Privatizar o que dá prejuízo crónico há décadas, como a TAP ou a CP, tendo em conta que estamos em crise, é uma opção que não deixa de ser interessante. Substituir o Estado Social directo (em que a educação e a saúde são prestadas directamente pelo Estado) por um Estado Social indirecto (onde hospitais e escolas são privatizadas e o Estado paga as contas das classes baixa e média) é também uma alternativa que poderá funcionar.
Mas quando o futuro primeiro-ministro de Portugal (atenção: de Portugal, não é do Reino Unido nem da Alemanha) teima em persistir no mesmo erro do passado - a defesa até ao fim da máxima "o motor exclusivo da economia é a iniciativa privada; ao Estado compete somente a função reguladora" - aí a conversa é diferente.
Quantas vezes não avisei eu que não se devem copiar cegamente as ideologias criadas para outros países? No Portugal actual, esperar pela iniciativa privada é o mesmo que esperar que se descubra petróleo. E isto já foi demonstrado por várias vezes: Cavaco esperou pelos privados, Guterres esperou pelos privados... e agora estamos nesta bela situação porque os privados nunca fizeram nada de jeito.
E como Passos Coelho será primeiro-ministro de Portugal, e não do Reino Unido ou da Alemanha, ele não deveria ter copiado os dogmas políticos desses países. Deveria, em vez disso, de ter estudado a realidade portuguesa. E, se o tivesse feito, saberia que Portugal precisa que o Estado invista a economia, pois os nossos "capitalistas" preferem comprar um Mercedes, ir de férias para Cuba, construir um centro comercial ou esperar pela próxima privatização.
Passos Coelho dizia que o seu partido não queria o "pote". Afinal, ele quer, e o pote chama-se Caixa Geral de Depósitos. É uma das poucas empresas do Estado que é eficiente e gera milhões de lucros todos os anos. Ao privatizar este banco, além de roubar um grande activo ao país, o PSD estará incentivar o não-investimento dos privados - é que, quem investe na compra de acções da CGD não terá necessidade de investir na criação/expansão de novas empresas.
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domingo, 20 de março de 2011
Vem Aí a Mudança?
Se ninguém faltar à sua palavra, na próxima quarta-feira Sócrates demite-se e o governo cai. As tão esperadas eleições legislativas serão finalmente marcadas. Estas são eleições muito importantes, pois poderão ter influência no rumo que o nosso país terá durante os próximos 10 ou 20 anos.
É certo que o próximo primeiro-ministro será Pedro Passos Coelho. A questão é: terá maioria absoluta? Fará uma coligação com o CDS-PP? Será essa coligação suficiente para ter mais de 50% dos lugares no parlamento? E qual será a distribuição dos lugares na assembleia da república?
As respostas para estas perguntas vão depender do comportamento de três conjuntos de forças: os Partidos do Poder (PSD, PS, CDS, BE, CDU), os Movimentos de Contestação (Geração à Rasca, Sindicatos, Movimentos Cívicos, etc.) e os Partidos Pequenos (MMS, MEP, PNR, PND, MRPP, PPM, etc.).
Que tipo de campanha farão os partidos do poder? Irá a esquerda conseguir aproveitar-se do neoliberalismo descarado do PSD? Irá a direita convencer os portugueses que o neoliberalismo também tem vantagens? Será que o CDS, o BE e a CDU vão rentabilizar a frustração dos portugueses com o rotativismo PS/PSD?
Que farão os movimentos de contestação? Será que os líderes da Geração à Rasca vão pedir aos seus 300 mil seguidores para votarem num determinado partido? Será que vão criar um partido novo?
E os partidos pequenos, vão atrair votos graças ao descontentamento da população com os partidos tradicionais? Será que se vão aliar à Geração à Rasca e a outros movimentos cívicos?
Enquanto que esperamos ansiosamente pelo desenrolar dos acontecimentos, proponho que ouçamos as palavras que José Mário Branco (que serviu de inspiração à personagem dos Homens da Luta do Jel). É incrível como nada mudou em 30 anos...
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As respostas para estas perguntas vão depender do comportamento de três conjuntos de forças: os Partidos do Poder (PSD, PS, CDS, BE, CDU), os Movimentos de Contestação (Geração à Rasca, Sindicatos, Movimentos Cívicos, etc.) e os Partidos Pequenos (MMS, MEP, PNR, PND, MRPP, PPM, etc.).
Que tipo de campanha farão os partidos do poder? Irá a esquerda conseguir aproveitar-se do neoliberalismo descarado do PSD? Irá a direita convencer os portugueses que o neoliberalismo também tem vantagens? Será que o CDS, o BE e a CDU vão rentabilizar a frustração dos portugueses com o rotativismo PS/PSD?
Que farão os movimentos de contestação? Será que os líderes da Geração à Rasca vão pedir aos seus 300 mil seguidores para votarem num determinado partido? Será que vão criar um partido novo?
E os partidos pequenos, vão atrair votos graças ao descontentamento da população com os partidos tradicionais? Será que se vão aliar à Geração à Rasca e a outros movimentos cívicos?
Enquanto que esperamos ansiosamente pelo desenrolar dos acontecimentos, proponho que ouçamos as palavras que José Mário Branco (que serviu de inspiração à personagem dos Homens da Luta do Jel). É incrível como nada mudou em 30 anos...
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sexta-feira, 11 de março de 2011
PSD: 365 Ideias para Portugal
Esta semana, Pedro Reis (conselheiro económico de Passos Coelho) apresentou o livro Voltar a Crescer, onde estão 365 ideias para desenvolver a economia portuguesa, dadas por 55 gestores de grandes empresas portuguesas.
Quando ouvi esta notícia, a primeira coisa que pensei foi que, mais uma vez, Passos Coelho era idiota o suficiente para cometer o mesmo erro que cometeu quando quis alterar a Constituição. Antigamente, os nossos políticos podiam não saber governar, mas sabiam enganar-nos bem. Agora, já nem isso sabem fazer, e exibem descaradamente as suas ideias neoliberais e anti-sociais, esquecendo-se que isso não será bem aceite pelo povo.
Entretanto, a Visão fez um interessante artigo sobre algumas das tais 365 ideias. Após ler as ideias, e apesar de ter algum preconceito contra o neoliberalismo, cheguei à conclusão que, afinal, estas ideias não são assim tão más.
Não tenhamos ilusões; existem muitas ideias idiotas. Mas também existem ideias com muito potencial - incluindo coisas que eu ando a defender há anos e que até já discuti neste blogue. E há também ideias um pouco mal explicadas e que, conforme a sua execução, poderão ter sucesso ou ser uma desgraça.
Diplomacia Económica
Aqui, o PSD continua a teimar na ideia de que o que vai desenvolver a nossa economia será o investimento estrangeiro. Neste sentido, são apresentadas algumas propostas interessantes (como inserir delegações da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal nas nossas embaixadas e apostar mais em anúncios na TV dos nossos mercados-alvo). Já a proposta do conceito "Lisboa, capital de negócios da Europa" é ridícula tendo em conta a nossa triste situação económica actual.
Sistema Político
Aqui tenta-se poupar, embora hajam algumas medidas que são um bocado anti-democráticas. Por um lado fala-se em diminuir as autarquias e as freguesias e acabar com os governos civis, mas por outro deseja-se diminuir o número de deputados (o que dificulta ainda mais a vida aos pequenos partidos e dá mais poder ao PSD e PS), ao mesmo tempo que se propõe o aumento do salário dos governantes...
RTP
Tirando a ideia de a RTP Memória passar a canal aberto, o resto é um grande disparate que até prejudicaria os concorrentes privados: a ideia é privatizar a RTP1 (ou seja, mais um canal pimba, isto para não falar que a TVI e a SIC iriam perder dinheiro, pois não há publicidade em Portugal que pague três canais) e concessionar a RTP2 (será que ninguém aprende com os maus resultados das parcerias público-privadas?).
Justiça
Como seria de esperar de ideias vindas de empresários, não se fala aqui de modos para castigar com maior eficácia os criminosos, nem de métodos para tornar a Justiça mais "justa". Porém, existem ideias para torná-la mais rápida, criando novos tribunais especializados e premiando juízes mais "produtivos" (ao mesmo tempo que se tenta responsabilizar juízes que cometam erros judiciais).
Saúde
É nesta área que se observa um maior neoliberalismo. Não que eu seja contra a privatização dos hospitais, desde que se explique como serão financiados os cuidados de saúde, como será investido as receitas vindas das privatizações, e a quem (e como) serão os hospitais vendidos. Infelizmente, essas questões não são respondidas neste artigo da Visão. Por outro lado, há uma ideia interessante: criar em Coimbra um centro mundial de medicina "dos olhos".
Contas do Estado
Neste ponto tanto há algumas das melhores ideias como algumas das piores. Por um lado, defende-se o fim dos múltiplos institutos públicos, empresas municipais e afins (que eu também já defendo há muito), o corte dos custos fúteis do Estado (viagens e mordomias afins) e aproveitar bens penhorados para uso do próprio Estado.
Por outro lado, vem a ideia idiota de "realizar roadshows permanentes junto a credores da dívida do Estado e das agências de rating" (mas isso já o Sócrates tenta fazer, sem sucesso), e a ideia preconceituosa de que o Estado deve ser apenas regulador da economia...
Educação
Bom, esta é a área em que fiquei mais positivamente surpreendido. É com alegria que vejo que algumas das coisas que defendo há anos poderão ser postas em prática pelo PSD: envolver mais as empresas no ensino superior, aumentar o número de estágios durante o curso, introduzir no ensino básico de disciplinas sobre economia, e equilibrar a oferta de cursos com as necessidades do mercado. Só há uma ideia que é um pouco disparatada: "aumentar drasticamente o número de licenciados e doutorados" - uma idiotice, tendo em conta que temos demasiados licenciados, daí a Geração à Rasca.
Impostos
Outro ponto carregado de dogmas ideológicos do neoliberalismo. O PSD continua sem se aperceber que o grande defeito da economia portuguesa é o facto de quem tem dinheiro não o querer investir: em Portugal, não se pode estar à espera da iniciativa privada. O maior disparate é querer diminuir o IRC e o IRS e aumentar o IVA. Porém, a ideia de tributar os lucros dos accionistas em vez de cobrar IRC (para promover o renas empresas) não deixa de ser interessante, bem como a de conceder benefícios fiscais a fortunas estrangeiras que queiram fugir para Portugal.
Trabalho
Ao contrário do que seria de esperar, estas propostas até nem são assim tão neoliberais. Dar subsídio de desemprego para rescisões por mútuo acordo ou criar um regime especial para contratação de jovens e desempregados de longa duração, por exemplo. Como alternativa aos cortes salariais, propõe-se reduzir os pagamentos por trabalho ao fim de semana e aos feriados.
Obras Públicas
Aqui aposta-se em melhorar os portos de Sines e de Leixões, acabar com as SCUT, não aceitar alterações durante a execução das obras e regenerar o urbanismo das cidades.
Privatizações
Para além da RTP, pretende-se privatizar a ANA, a TAP, empresas municipais, e vender património das Forças Armadas - tudo coisas com as quais até concordo. Já a ideia de vender o negócio de seguros da Caixa Geral de Depósitos cheira-me a esturro.
Competitividade na Economia
Basicamente, as ideias deste ponto são todas muito bonitas, mas o Sócrates também propôs coisas semelhantes e, no entanto, falharam. Fala-se num mercado de capitais para PMEs, em criar lojas de produtos portugueses em centros comerciais do norte da Europa (uma ideia que eu acho bastante interessante), em exportar know-how das empresas públicas e privadas portuguesas, em apostar no turismo de qualidade, em ajudar as PMEs a exportar e até em negociar o pagamento de importações com exportações (dão o exemplo de Angola, que nos poderia dar petróleo e nós pagávamos com exportações). Depois há uma ideia mal explicada: "criar um fundo com 150 milhões para adquirir posições maioritárias em empresas". Se a ideia é tornar o estado accionista, com o objectivo de ganhar dividendos, então é uma óptima ideia que eu defendo há muito como forma de aumentar a receita do Estado.
Muitas destas ideias são interessantes. A questão é que também há ideias disparatadas e não nos podemos esquecer que quem as vai pôr em prática é o PSD... curiosamente, Pedro Passos Coelho já disse que isto não é o programa do PSD, embora diga que as ideias vão ser tidas em conta... espero bem que sim, embora, com os nossos políticos, nunca se deve fiar. Até porque, se a memória não me falha, em 2005 o Sócrates também tinha muito boas ideias... porém, não deixa de ser muito positivo ver que, finalmente, começamos a ver políticos a preocuparem-se em apresentar ideias novas.
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Quando ouvi esta notícia, a primeira coisa que pensei foi que, mais uma vez, Passos Coelho era idiota o suficiente para cometer o mesmo erro que cometeu quando quis alterar a Constituição. Antigamente, os nossos políticos podiam não saber governar, mas sabiam enganar-nos bem. Agora, já nem isso sabem fazer, e exibem descaradamente as suas ideias neoliberais e anti-sociais, esquecendo-se que isso não será bem aceite pelo povo.
Entretanto, a Visão fez um interessante artigo sobre algumas das tais 365 ideias. Após ler as ideias, e apesar de ter algum preconceito contra o neoliberalismo, cheguei à conclusão que, afinal, estas ideias não são assim tão más.
Não tenhamos ilusões; existem muitas ideias idiotas. Mas também existem ideias com muito potencial - incluindo coisas que eu ando a defender há anos e que até já discuti neste blogue. E há também ideias um pouco mal explicadas e que, conforme a sua execução, poderão ter sucesso ou ser uma desgraça.
Diplomacia Económica
Aqui, o PSD continua a teimar na ideia de que o que vai desenvolver a nossa economia será o investimento estrangeiro. Neste sentido, são apresentadas algumas propostas interessantes (como inserir delegações da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal nas nossas embaixadas e apostar mais em anúncios na TV dos nossos mercados-alvo). Já a proposta do conceito "Lisboa, capital de negócios da Europa" é ridícula tendo em conta a nossa triste situação económica actual.
Sistema Político
Aqui tenta-se poupar, embora hajam algumas medidas que são um bocado anti-democráticas. Por um lado fala-se em diminuir as autarquias e as freguesias e acabar com os governos civis, mas por outro deseja-se diminuir o número de deputados (o que dificulta ainda mais a vida aos pequenos partidos e dá mais poder ao PSD e PS), ao mesmo tempo que se propõe o aumento do salário dos governantes...
RTP
Tirando a ideia de a RTP Memória passar a canal aberto, o resto é um grande disparate que até prejudicaria os concorrentes privados: a ideia é privatizar a RTP1 (ou seja, mais um canal pimba, isto para não falar que a TVI e a SIC iriam perder dinheiro, pois não há publicidade em Portugal que pague três canais) e concessionar a RTP2 (será que ninguém aprende com os maus resultados das parcerias público-privadas?).
Justiça
Como seria de esperar de ideias vindas de empresários, não se fala aqui de modos para castigar com maior eficácia os criminosos, nem de métodos para tornar a Justiça mais "justa". Porém, existem ideias para torná-la mais rápida, criando novos tribunais especializados e premiando juízes mais "produtivos" (ao mesmo tempo que se tenta responsabilizar juízes que cometam erros judiciais).
Saúde
É nesta área que se observa um maior neoliberalismo. Não que eu seja contra a privatização dos hospitais, desde que se explique como serão financiados os cuidados de saúde, como será investido as receitas vindas das privatizações, e a quem (e como) serão os hospitais vendidos. Infelizmente, essas questões não são respondidas neste artigo da Visão. Por outro lado, há uma ideia interessante: criar em Coimbra um centro mundial de medicina "dos olhos".
Contas do Estado
Neste ponto tanto há algumas das melhores ideias como algumas das piores. Por um lado, defende-se o fim dos múltiplos institutos públicos, empresas municipais e afins (que eu também já defendo há muito), o corte dos custos fúteis do Estado (viagens e mordomias afins) e aproveitar bens penhorados para uso do próprio Estado.
Por outro lado, vem a ideia idiota de "realizar roadshows permanentes junto a credores da dívida do Estado e das agências de rating" (mas isso já o Sócrates tenta fazer, sem sucesso), e a ideia preconceituosa de que o Estado deve ser apenas regulador da economia...
Educação
Bom, esta é a área em que fiquei mais positivamente surpreendido. É com alegria que vejo que algumas das coisas que defendo há anos poderão ser postas em prática pelo PSD: envolver mais as empresas no ensino superior, aumentar o número de estágios durante o curso, introduzir no ensino básico de disciplinas sobre economia, e equilibrar a oferta de cursos com as necessidades do mercado. Só há uma ideia que é um pouco disparatada: "aumentar drasticamente o número de licenciados e doutorados" - uma idiotice, tendo em conta que temos demasiados licenciados, daí a Geração à Rasca.
Impostos
Outro ponto carregado de dogmas ideológicos do neoliberalismo. O PSD continua sem se aperceber que o grande defeito da economia portuguesa é o facto de quem tem dinheiro não o querer investir: em Portugal, não se pode estar à espera da iniciativa privada. O maior disparate é querer diminuir o IRC e o IRS e aumentar o IVA. Porém, a ideia de tributar os lucros dos accionistas em vez de cobrar IRC (para promover o renas empresas) não deixa de ser interessante, bem como a de conceder benefícios fiscais a fortunas estrangeiras que queiram fugir para Portugal.
Trabalho
Ao contrário do que seria de esperar, estas propostas até nem são assim tão neoliberais. Dar subsídio de desemprego para rescisões por mútuo acordo ou criar um regime especial para contratação de jovens e desempregados de longa duração, por exemplo. Como alternativa aos cortes salariais, propõe-se reduzir os pagamentos por trabalho ao fim de semana e aos feriados.
Obras Públicas
Aqui aposta-se em melhorar os portos de Sines e de Leixões, acabar com as SCUT, não aceitar alterações durante a execução das obras e regenerar o urbanismo das cidades.
Privatizações
Para além da RTP, pretende-se privatizar a ANA, a TAP, empresas municipais, e vender património das Forças Armadas - tudo coisas com as quais até concordo. Já a ideia de vender o negócio de seguros da Caixa Geral de Depósitos cheira-me a esturro.
Competitividade na Economia
Basicamente, as ideias deste ponto são todas muito bonitas, mas o Sócrates também propôs coisas semelhantes e, no entanto, falharam. Fala-se num mercado de capitais para PMEs, em criar lojas de produtos portugueses em centros comerciais do norte da Europa (uma ideia que eu acho bastante interessante), em exportar know-how das empresas públicas e privadas portuguesas, em apostar no turismo de qualidade, em ajudar as PMEs a exportar e até em negociar o pagamento de importações com exportações (dão o exemplo de Angola, que nos poderia dar petróleo e nós pagávamos com exportações). Depois há uma ideia mal explicada: "criar um fundo com 150 milhões para adquirir posições maioritárias em empresas". Se a ideia é tornar o estado accionista, com o objectivo de ganhar dividendos, então é uma óptima ideia que eu defendo há muito como forma de aumentar a receita do Estado.
Muitas destas ideias são interessantes. A questão é que também há ideias disparatadas e não nos podemos esquecer que quem as vai pôr em prática é o PSD... curiosamente, Pedro Passos Coelho já disse que isto não é o programa do PSD, embora diga que as ideias vão ser tidas em conta... espero bem que sim, embora, com os nossos políticos, nunca se deve fiar. Até porque, se a memória não me falha, em 2005 o Sócrates também tinha muito boas ideias... porém, não deixa de ser muito positivo ver que, finalmente, começamos a ver políticos a preocuparem-se em apresentar ideias novas.
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segunda-feira, 7 de março de 2011
Depois da Tunísia, Egipto e Líbia... Portugal?
Foi com alegria que assisti à vitória dos Homens da Luta no Festival RTP da Canção. E foi ainda com maior entusiasmo que ouvi as palavras que Jel proferiu numa entrevista televisiva.
Confesso que, durante muitos anos, achei que esta dupla de humoristas não era mais que isso. Julguei que eram apenas uns gajos divertidos que faziam umas palhaçadas para nos fazer rir, tipo Gato Fedorento, mas com um estilo menos politicamente correcto.
Todavia, apercebi-me que Jel está a "brincar a sério". Isto é, ele não se limitará a fazer humor, ele planeia usar a sua influência - que foi bem demonstrada na votação do Festival da Canção - para promover uma luta contra o nosso actual regime.
Como já referi várias vezes, um dos defeitos do povo português é ser conformista. Porém, isso não quer dizer que não seja possível galvanizar os portugueses. Se o Scolari nos convenceu a apoiar a selecção em 2004, então porque não há de o Jel nos convencer a derrubar o PS/PSD.
De facto, há uma conjuntura nacional e internacional muito interessante. O Egipto, a Tunísia e a Líbia estão em revolta. A crise assombra a Europa. O preço do petróleo aumenta. O povo português sofre na pele a austeridade, enquanto que o PS se prepara para desistir e chamar o terrível FMI, enquanto que o PSD procura impacientemente a melhor altura para fazer cair o governo. Isto para não falar dos protesto da Geração à Rasca.
Já conseguimos que o José Manuel Coelho não ficasse em último lugar nas presidenciais (e que fosse o segundo mais votado na Madeira). Será que conseguiremos que nem PSD nem PS tenham uma maioria "governável" nas próximas eleições? Será que é desta que os portugueses vão pensar pela própria cabeça? Bom, esperemos pela evolução das sondagens (que, felizmente, não têm sido simpáticas nem para Sócrates nem para Passos Coelho) e pela grande manifestação do dia 12 de Março.
Confesso que, durante muitos anos, achei que esta dupla de humoristas não era mais que isso. Julguei que eram apenas uns gajos divertidos que faziam umas palhaçadas para nos fazer rir, tipo Gato Fedorento, mas com um estilo menos politicamente correcto.
Todavia, apercebi-me que Jel está a "brincar a sério". Isto é, ele não se limitará a fazer humor, ele planeia usar a sua influência - que foi bem demonstrada na votação do Festival da Canção - para promover uma luta contra o nosso actual regime.
Como já referi várias vezes, um dos defeitos do povo português é ser conformista. Porém, isso não quer dizer que não seja possível galvanizar os portugueses. Se o Scolari nos convenceu a apoiar a selecção em 2004, então porque não há de o Jel nos convencer a derrubar o PS/PSD.
De facto, há uma conjuntura nacional e internacional muito interessante. O Egipto, a Tunísia e a Líbia estão em revolta. A crise assombra a Europa. O preço do petróleo aumenta. O povo português sofre na pele a austeridade, enquanto que o PS se prepara para desistir e chamar o terrível FMI, enquanto que o PSD procura impacientemente a melhor altura para fazer cair o governo. Isto para não falar dos protesto da Geração à Rasca.
Já conseguimos que o José Manuel Coelho não ficasse em último lugar nas presidenciais (e que fosse o segundo mais votado na Madeira). Será que conseguiremos que nem PSD nem PS tenham uma maioria "governável" nas próximas eleições? Será que é desta que os portugueses vão pensar pela própria cabeça? Bom, esperemos pela evolução das sondagens (que, felizmente, não têm sido simpáticas nem para Sócrates nem para Passos Coelho) e pela grande manifestação do dia 12 de Março.
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