quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Sete Razões Porque Portugal Está no Fundo

1. Ignorância de que a Economia é uma Ciência Social
Durante décadas, Portugal tem sido governado por economistas de má qualidade. Não por serem corruptos ou demagogos, mas porque se esqueceram de algo essencial: a economia é uma ciência social, e não uma ciência exacta. É que, enquanto que as leis das ciências exactas (física, química, etc.) são universais, funcionando da mesma forma em todo o planeta (a água é sempre H2O), já as leis da economia variam conforme o país. Infelizmente, os economistas ignoram este facto. A consequência disto é, por exemplo, termos gasto milhões construindo SCUTs e auto-estradas, achando que tal iria desenvolver a nossa economia, pois em países como a Alemanha ou os Estados Unidos isso levou a um crescimento económico - a questão é que, para o bem e para o mal, Portugal tem uma sociedade, uma cultura e uma estrutura económica que diferem muito das da Alemanha ou dos EUA, pelo que era de prever que os resultados destas medidas económicas corriam o risco de ser diferentes dos de outros países.



2. Importação Cega de Ideologias Políticas Estrangeiras
Todos os grandes partidos nacionais têm uma ideologia que defendem com um orgulho ingénuo. O PS é social-democrata. O PPD/PSD é neoliberal. O CDS-PP é democrata-cristão. O problema é que a social-democracia foi criada na Alemanha, por políticos alemães, tendo em conta as características da sociedade e economia alemãs e com o objectivo de resolver os problemas germânicos. Da mesma forma, o neoliberalismo foi criado no Reino Unido, por políticos britânicos, tendo em conta as características da sociedade e economia britânicas e com o objectivo de resolver os problemas da Grã-Bretanha. Tal como já disse no ponto anterior, Portugal é diferente da Alemanha e do Reino Unido. Os problemas são diferentes, a sociedade e a economia também. É curioso que alguns dos países europeus que, apesar de pequenos, têm maior sucesso, são aqueles que criam modelos políticos próprios - nomeadamente a Holanda, a Suíça e a Dinamarca.



3. Sistema Político que Recompensa Demagogos
Os dois partidos que partilham o poder - o PS e o PPD/PSD - possuem uma estrutura interna que promove e premeia a demagogia e o populismo. Os militantes que sobem na hierarquia partidária não são os que contribuem com ideias criativas para ajudar o país, mas sim os que lançam críticas destrutivas sobre as acções dos partidos rivais e que demonstram uma submissão total aos interesses eleitorais do partido. Isto leva a que os nossos líderes políticos sejam grandes politiqueiros, com grande habilidade oratória, mas que, todavia, quando chegam ao poder, não fazem a menor ideia de como resolver os complexos problemas nacionais, pois simplesmente não têm nem perfil nem qualificações para tal.



4. Partidos Estagnados Intelectualmente
Para além do facto de serem liderados por populistas e de possuírem ideologias copiadas de países com características muito diferentes das do nosso, os partidos têm também um grande defeito: estão presos a um determinado conjunto de medidas. Ou seja, o PPD/PSD só sabe resolver os problemas com privatizações e com diminuição de impostos, enquanto que o PS acha que a solução é sempre aumentar impostos e fazer mais obras públicas. Para além de estas medidas não funcionarem, pois foram plagiadas do estrangeiro sem qualquer preocupação em adaptá-las, a questão é que os partidos estão presos a uma ideologia específica - a social-democracia, o neoliberalismo, a democracia-cristã ou o comunismo - e, como incentivam a lealdade partidária em vez da criatividade, os nossos partidos não evoluem, sendo por isso incapazes de apresentar novas soluções para os nossos problemas.



5. Elite Capitalista Cobarde e Tacanha
A maioria dos nossos milionários não enriqueceu devido ao mérito ou ao talento, mas sim devido à sorte (como é o caso de Belmiro de Azevedo) ou porque herdaram a fortuna (como acontece com os Mello ou os Espírito Santo). Como tal, a nossa elite financeira não conhece o valor da criatividade, pelo que não está interessada em arriscar dinheiro a financiar a criação de empresas inovadoras. Em vez disso, preferem comprar acções de antigas empresas públicas, que têm o lucro garantido (como a EDP ou a Galp) e que, ainda por cima, não contribuem para que a balança comercial tenha um saldo positivo.



6. Tecido Empresarial Dedicado a Bens Não-Transaccionáveis
Quais são as principais empresas portuguesas? São os bancos, as construtoras civis, os super e hipermercados, as empresas de telecomunicações e de energias. Estas empresas são essenciais; contudo, elas não produzem riqueza. Elas não criam nada que possa ser exportado. Elas não atraem turistas. Elas têm dificuldade em se expandir para outros países (as nações desenvolvidas já possuem este tipo de infraestruturas; o terceiro mundo ainda não precisa delas). Ou seja, estas empresas, apesar de serem muito grandes, não ajudam a nossa balança comercial, pois não permitem ir buscar dinheiro do exterior.



7. Exportações Não se Adaptaram ao Euro
As empresas dedicadas à produção de bens transancionáveis - ou seja, produtos que se podem exportar - estiveram sempre numa posição muito frágil em Portugal. Porém, antes do Euro, tínhamos uma vantagem: a nossa moeda estava sempre a desvalorizar, o que significava que as nossas exportações tinham preços competitivos, enquanto que as importações eram demasiado caras. Com o Euro, isso acabou. A nova moeda é das mais valiosas do mundo, e o governo não tomou medidas para assegurar uma transição de sucesso. Deveríamos ter apostado em produtos com mais qualidade, dado que eles se tornaram mais caros devido ao Euro. Deveríamos também ter aproveitado o poder da nova moeda para investirmos em países menos desenvolvidos. E, finalmente, deveríamos saber que países com uma moeda poderosa - como o nosso - não podem ficar à espera do "investimento estrangeiro"; nós é que devemos investir e criar empresas portuguesas que se expandam internacionalmente.

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