Hoje decidi reflectir um pouco sobre aquela que acho ser uma das principais causas do atraso económico do nosso país: a impossibilidade do empreedorismo.
Actualmente, fala-se muito em empreedorismo. O problema é que, na sociedade portuguesa, o empreendorismo é uma tarefa extremamente dificultada.
Antes demais, vou explicar o que é um verdadeiro empreendedor. Um verdadeiro empreendedor NÃO é o filhinho dum ricalhaço que, usando o dinheiro e as cunhas do pai, vai montar um negócio da treta.
Não, um empreendedor é alguém que, independentemente de ser "rico" ou "pobre", teve uma boa ideia e decidiu colocá-la em prática, criando assim um negócio inovador que tem potencial para crescer, não só em Portugal, mas também no estrangeiro.
Bom, quem conhece bem as características da sociedade portuguesa sabe que, em primeiro lugar, é díficil encontrar pessoas com criatividade. Além disso, as poucas que seriam capazes de ter boas ideias não têm nem dinheiro nem cunhas para criar um empresa ou aplicar essas ideias a empresas já existentes.
É verdade que, em teoria, há formas de financiar a criação de novas empresas, por exemplo as sociedades de capitais de risco; todavia, na prática, o que acontece é que não existem apoios que realmente incentivem as pessoas a se aventurarem. E nenhum jovem quer começar a sua vida activa endividando-se e colocando uma corda à volta do pescoço.
Convém dizer que empreededor não é apenas quem cria novas empresas, é também quem dá novas ideias a empresas que já existem. Ora, mais uma vez, isto é impossível em Portugal. Poderiam-se enviar ideias geniais para empresas portuguesas que ninguém as ouviria.
Isto porque os patrões são, na maioria, velhos labregos que têm apenas a instrução primária e que se safaram não por serem criativos mas por terem uma grande sorte. Ora, como têm medo de pessoas com mais qualificações, eles contratam para os cargos de liderança da empresa os familiares e amigos. Pois, não é só no Estado que há compadrio, nas empresas privadas acontece o mesmo.
E assim, não é aproveitado o potencial dos portugueses, e as ideias que poderiam dar origem a poderosas multinacionais nunca saem do papel. E lá vai Portugal continuando a caminhar para o abismo, com o seu tecido empresarial composto por supermercados (que aumentam o défice da balança comercial e promovem o trabalho precário), construtoras (que vivem dependentes das obras públicas e cujos líderes são os filhotes do patrão) e bancos (que não desejam financiar o empreendedorismo, mas sim apostar naquilo que não tem risco, como a bolsa).
terça-feira, 29 de junho de 2010
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Considerações sobre o Mundial
Muitos de vós acompanham os jogos de futebol, especialmente os da nossa selecção, com grande interesse. Sabem que ganhar jogos não acaba com a nossa crise, mas ter uma boa classificação no mundial seria positivo para a nossa imagem internacional, trazendo glória para Portugal.
Outros acham que o futebol é uma forma de distrair as pessoas das questões que realmente interessam e que, embora ganhar jogos seja bom, isso não nos vai ajudar a desenvolver o país. Pelo contrário, enquanto durar o mundial, os políticos poderão fazer o que quiserem que ninguém se irá importar.
Ambos os pontos de vista, apesar de serem opostos, têm razão. É verdade que o futebol é como os jogos de circo da Antiga Roma, serve para distrair o povo. O Sócrates pode aumentar novamente os impostos que ninguém dará por isso. Assim como ninguém dará pela morte do Saramago até ter acabado o mundial.
Mas é igualmente verdade que o mundial permite a Portugal fazer algo que normalmente não é capaz: vencer, destacar-se pela positiva. Apesar dos jogadores de futebol serem, na maioria, labregos imaturos que recebem um ordenado que não merecem (todos criticam os salários dos políticos e dos gestores públicos, mas ninguém aponta o dedo aos ganhos milionários dos futebolistas) e que estão longe de serem os melhores representantes do nosso país.
Mas voltemos à questão do futebol como forma de distrair as massas. Será isso assim tão negativo? Depois de passarem os últimos anos a ouvir dizer que estamos em crise, que há cada vez mais desemprego, que a criminalidade aumenta, não merecerão os portugueses uma distracção?
Não nos esqueçamos que, se nos últimos dias, os meios de comunicação não falam de outra coisa para além do mundial, no resto do ano eles não falam de outra coisa que não seja a crise, e muitas das notícias pintam uma imagem mais pessimista do que a realidade verdadeiramente é. Assim, é exactamente pelo facto do futebol dar a ilusão de felicidade e glória às pessoas que ele é importante.
Ao menos agora há uma luz ao fundo deste negro túnel, e ainda que essa luz não seja a saída, ela não deixa de nos iluminar.
Outros acham que o futebol é uma forma de distrair as pessoas das questões que realmente interessam e que, embora ganhar jogos seja bom, isso não nos vai ajudar a desenvolver o país. Pelo contrário, enquanto durar o mundial, os políticos poderão fazer o que quiserem que ninguém se irá importar.
Ambos os pontos de vista, apesar de serem opostos, têm razão. É verdade que o futebol é como os jogos de circo da Antiga Roma, serve para distrair o povo. O Sócrates pode aumentar novamente os impostos que ninguém dará por isso. Assim como ninguém dará pela morte do Saramago até ter acabado o mundial.
Mas é igualmente verdade que o mundial permite a Portugal fazer algo que normalmente não é capaz: vencer, destacar-se pela positiva. Apesar dos jogadores de futebol serem, na maioria, labregos imaturos que recebem um ordenado que não merecem (todos criticam os salários dos políticos e dos gestores públicos, mas ninguém aponta o dedo aos ganhos milionários dos futebolistas) e que estão longe de serem os melhores representantes do nosso país.
Mas voltemos à questão do futebol como forma de distrair as massas. Será isso assim tão negativo? Depois de passarem os últimos anos a ouvir dizer que estamos em crise, que há cada vez mais desemprego, que a criminalidade aumenta, não merecerão os portugueses uma distracção?
Não nos esqueçamos que, se nos últimos dias, os meios de comunicação não falam de outra coisa para além do mundial, no resto do ano eles não falam de outra coisa que não seja a crise, e muitas das notícias pintam uma imagem mais pessimista do que a realidade verdadeiramente é. Assim, é exactamente pelo facto do futebol dar a ilusão de felicidade e glória às pessoas que ele é importante.
Ao menos agora há uma luz ao fundo deste negro túnel, e ainda que essa luz não seja a saída, ela não deixa de nos iluminar.
quinta-feira, 10 de junho de 2010
Os Cavalheiros do Apocalipse
Desta vez, ao invés de debitar um bitaite acerca da sociedade portuguesa, decidi aproveitar o espírito do Dia de Portugal (ou Dia da Raça) e apresentar alguns portugueses que produzem conteúdos com grande qualidade na Internet.
Os primeiros portugueses de que irei falar são os Cavalheiros do Apocalipse.
Trata-se de um grupo de humoristas amadores que, todavia, conseguem criar sketches de grande qualidade (melhor até do que muitos profissionais que temos na nossa televisão).
O site destes cavalheiros é este:
http://cavalheirosdoapocalipse.blogs.sapo.pt/
Mas aquilo que vos interessará mais são os seus vídeos, disponíveis aqui:
http://www.youtube.com/user/cavalheiros
Um dos últimos vídeos é especialmente do meu agrado, pois critica de forma hilariante o facto de o governo ter aumentado os impostos durante a visita do papa:
Para quem não conhecer este grupo, vejam alguns dos vídeos deles, pois não se arrependerão.
Os primeiros portugueses de que irei falar são os Cavalheiros do Apocalipse.
Trata-se de um grupo de humoristas amadores que, todavia, conseguem criar sketches de grande qualidade (melhor até do que muitos profissionais que temos na nossa televisão).
O site destes cavalheiros é este:
http://cavalheirosdoapocalipse.blogs.sapo.pt/
Mas aquilo que vos interessará mais são os seus vídeos, disponíveis aqui:
http://www.youtube.com/user/cavalheiros
Um dos últimos vídeos é especialmente do meu agrado, pois critica de forma hilariante o facto de o governo ter aumentado os impostos durante a visita do papa:
Para quem não conhecer este grupo, vejam alguns dos vídeos deles, pois não se arrependerão.
quinta-feira, 3 de junho de 2010
O Concurso Eurovisão da Canção
Mais uma vez, Portugal não ganhou o concurso Eurovisão da canção. O que já seria de esperar, dada a música medíocre que a representante portuguesa foi lá cantar.
Portugal tem o record de ser o país a participar há mais tempo sem nunca ganhar. Existem várias causas para isto. Em primeiro lugar, as nossa músicas candidatas são, na maior parte das vezes, muito medíocres.
Se a RTP tivesse alguma coragem e estivesse realmente interessada na vitória, teria enviado uma banda Pop-Rock que fosse inovadora. Lembrem-se que a Turquia ficou em segundo lugar (e, a meu ver, merecia ganhar) graças à banda Manga, uma banda de rock bastante interessante e fora do comum. Não nos esqueçamos também que a Finlândia ganhou há uns anos devido à banda de hard rock Lordi.
Contudo, não basta ter uma música inovadora. Muito importante também são as amizades. Tirando a vitória alemã deste ano, os últimos vencedores da Eurovisão têm sido os nórdicos ou os países de leste.
Isto porque a Noruega dá sempre os 12 pontos à Dinamarca, a Suécia dá sempre 12 pontos à Finlândia, e assim sucessivamente. Mas o pior são os países do antigo bloco soviético, que não resistem em dar um generosa pontuação à mãe Rússia.
É também curioso ver que, apesar de no dia a dia se odiarem profundamente, os povos dos Balcãs esquecem as suas rivalidades e declaram tréguas durante a Eurovisão. A Sérvia vota na Bósnia, a Croácia vota Albânia... e aí por diante. E o pior é que cada ano surge um novo país naquela zona, logo os ex-jugoslavos têm cada vez mais probabilidades de vencer.
Portugal não tem amigalhaços, e tem somente uma ajudazita de França e, às vezes, de Espanha. Assim, torna-se difícil ganhar, especialmente com músicas de pouca qualidade.
Por mim, o representante de Portugal seria uma das novas banda que têm surgido e inovado recentemente no nosso panorama musical, como os Diabo na Cruz, os Azeitonas ou os Pontos Negros. Só não falo nos Deolinda porque parte da piada das suas músicas só pode ser percebida por portugueses.
Ah, e já agora: e se cantassem em inglês, ou, pelo menos, umas partes em português e outras em inglês?
Portugal tem o record de ser o país a participar há mais tempo sem nunca ganhar. Existem várias causas para isto. Em primeiro lugar, as nossa músicas candidatas são, na maior parte das vezes, muito medíocres.
Se a RTP tivesse alguma coragem e estivesse realmente interessada na vitória, teria enviado uma banda Pop-Rock que fosse inovadora. Lembrem-se que a Turquia ficou em segundo lugar (e, a meu ver, merecia ganhar) graças à banda Manga, uma banda de rock bastante interessante e fora do comum. Não nos esqueçamos também que a Finlândia ganhou há uns anos devido à banda de hard rock Lordi.
Contudo, não basta ter uma música inovadora. Muito importante também são as amizades. Tirando a vitória alemã deste ano, os últimos vencedores da Eurovisão têm sido os nórdicos ou os países de leste.
Isto porque a Noruega dá sempre os 12 pontos à Dinamarca, a Suécia dá sempre 12 pontos à Finlândia, e assim sucessivamente. Mas o pior são os países do antigo bloco soviético, que não resistem em dar um generosa pontuação à mãe Rússia.
É também curioso ver que, apesar de no dia a dia se odiarem profundamente, os povos dos Balcãs esquecem as suas rivalidades e declaram tréguas durante a Eurovisão. A Sérvia vota na Bósnia, a Croácia vota Albânia... e aí por diante. E o pior é que cada ano surge um novo país naquela zona, logo os ex-jugoslavos têm cada vez mais probabilidades de vencer.
Portugal não tem amigalhaços, e tem somente uma ajudazita de França e, às vezes, de Espanha. Assim, torna-se difícil ganhar, especialmente com músicas de pouca qualidade.
Por mim, o representante de Portugal seria uma das novas banda que têm surgido e inovado recentemente no nosso panorama musical, como os Diabo na Cruz, os Azeitonas ou os Pontos Negros. Só não falo nos Deolinda porque parte da piada das suas músicas só pode ser percebida por portugueses.
Ah, e já agora: e se cantassem em inglês, ou, pelo menos, umas partes em português e outras em inglês?
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