segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Dinamizar o Tesouro de Salazar

Recentemente, uma agência estrangeira (a Bloomberg) declarou Salazar o maior investidor que Portugal já teve, devido às famosas reservas de ouro do Banco de Portugal.



Apesar de frequentemente nos esquecermos disto, o facto é que Portugal é um dos países com maiores reservas de ouro relativamente ao valor do PIB. Infelizmente, este ouro não tem sido aproveitado, o que aliás me parece uma grande idiotice por parte dos nossos políticos, tendo em conta a situação de défice crónico que nos aflige desde... enfim, desde sempre.



Claro que não se pode simplesmente vender o ouro todo e gastar o dinheiro. Até porque o regulamento do Banco de Portugal o proíbe, de modo a evitar que aquele ouro que tanto trabalho nos deu a adquirir seja mal gasto pelos incompetentes dos nossos políticos (que é o que normalmente acontece com o dinheiro das privatizações).



Além disso, nunca se poderia vender uma grande quantidade em pouco tempo, pois, pela lei da oferta e da procura, isso levaria a que o valor do ouro descesse, o que evidentemente não nos convém.



Segundo o regulamento do Banco de Portugal, o dinheiro conseguido através da venda de ouro não vai directamente para as mãos rotas dos nossos políticos, mas sim para uma conta. Conta essa que irá, obviamente, gerar juros, e é o valor desses juros que é entregue ao Estado.



A minha proposta para dinamizar o "tesouro" do Salazar seria a seguinte: vendia-se uma parte do ouro (claro que, como referi acima, esta venda não poderia ser realizada toda de uma vez, de forma a não baixar o valor do ouro) e, com os juros da conta mencionada no parágrafo anterior, o Estado iria adquirir acções das empresas mais lucrativas do país - a SONAE, a Jerónimo Martins, o BES, o BCP, o BPI, a Corticeira Amorim, a Teixeira Duarte, a PT, a Galp, a EDP, etc.



O objectivo não seria nacionalizar ou re-nacionalizar estas empresas, nem sequer criar novas "golden shares". O objectivo seria o mesmo que qualquer um dos grandes accionistas destas empresas: ganhar dinheiro.



Desta forma, o Estado iria criar uma nova fonte de receitas (os dividendos destas grandes empresas), o que, tendo em conta a crise que vivemos, seria certamente bastante útil.

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