quarta-feira, 31 de março de 2010

As Urgências de Valença

O povo de Valença está alvoraçado: os sacanas do Ministério da Saúde querem fechar-lhes as urgências! Ignóbeis! Acéfalos! Energúmenos! À primeira vista, parece que, mais uma vez, o governo de José Sócrates está a agir sem consideração nenhuma pelas pessoas... todavia...



O que poucas pessoas sabem é que, há vários meses atrás, o ministério da saúde negociou com Valença o fecho destas urgências. Em vez de terem um médico durante a noite, que atendia apenas uma ou duas pessoa por semana, os utentes de Valença iriam ter um médico a mais durante o dia. Nessa altura, ninguém em Valença contestou o acordo. Parecia estar tudo bem.



Agora, parece que, subitamente, mudaram todos de opinião, e toca de armar um escândalo dos diabos, em que até o Presidente da Câmara participa... aliás, é exactamente a participação do autarca que permite perceber quais as verdadeiras motivações desta contestação toda.



Quando este circo começou, o autarca - que foi eleito pelo PSD nas últimas eleições - disse que, quando a Câmara era do PS, o governo não queria fechar as urgências, mas que agora, como ele é do PSD, já as querem fechar. Este autarca foi eleito há pouco mas mente como se já estivesse no poder há 20 anos: a verdade é que o governo já queria fechar as urgências no tempo em que Valença era PS, e foi aliás nessa altura que o acordo que expliquei acima foi decidido.



Parece que o senhor Presidente da Câmara de Valença quer armar um escândalo para fazer ficar mal o PS. Bom, eu não sou nem pelo PS nem pelo PSD - para mim, é tudo da mesma merda - mas acho que não fica nada bem andar a manipular os cidadãos de Valença desta maneira.



O que também não fica nada bem foi o pedido dos manifestantes à Cruz Vermelha Portugal. Vejam lá que os idiotas queriam que a Cruz Vermelha fosse instalar um hospital de campanha em Valença. Com tanta gente a precisar a sério de cuidados médicos, e queriam estes palermas que a Cruz Vermelha fosse perder tempo e recursos para ajudar na palhaçada!

Depois da Geração Rasca...

A geração do início dos anos 90 ficou conhecida como a Geração Rasca. Já a geração actual será, provavelmente, a Geração Magalhães ou a Geração Morangos com Açúcar. Enquanto que a primeira foi (e ainda é) marcada pelas dificuldades em conseguir um emprego estável, a segunda está a ficar célebre pela sua falta de disciplina e pela sua arrogância.



Eu não morro de amores por Miguel Sousa Tavares, mas tenho que concordar com o raciocínio que ele apresentou no seu programa, na semana passada. Esse raciocínio era algo deste género: os jovens da Geração Morangos com Açúcar tiveram sempre acesso a tudo. Queriam telemóveis? Os pais deram-lhes telemóveis. Queriam um computador? Os pais deram-lhes um computador. Queriam Internet? Os pais deram-lhes Internet. E aí por diante.



Enquanto que os membros da Geração Rasca (e os da minha geração, chamemos-lhe a Geração Dragon Ball) só tiveram acesso a este tipo de coisas numa época posterior da sua vida, os meninos de hoje em dia foram desde cedo mimados pelos pais e nunca tiveram de se esforçar para atingir nenhum objectivo.



Enquanto que, no meu tempo, se eu fizesse alguma asneira levava umas valentes palmadas, já as crianças da actualidade não temem esse tipo de castigos, pois, por um lado, parece que não se deve castigar as criancinhas e, por outro, os pais estão demasiado ocupados com os seus empregos para terem tempo suficiente para acompanharem a educação dos filhos.



A palavra "educação" parece também ter sido mal interpretada pelos pais, que julgam que educar consiste apenas em mimar os filhos ao máximo e se preocupam mais com a qualidade da roupinha dos filhotes do que com o desenvolvimento intelectual e moral das crianças.



O resultado é o que está à vista. As crianças estão habituadas a fazerem o que querem em casa, logo não será na sala de aula que isso irá mudar. E, no fim, os professores é que têm de arcar com as consequências.

Ciganos de Elvas: Pobres e Mal-Agradecidos

Parece que os bombeiros de Elvas foram apagar uma camioneta em chamas e, em vez de serem bem recebidos pelos locais, ainda levaram tareia de alguns membros daquela comunidade.



Agora vamos esclarecer os factos. Em primeiro lugar, os agressores são ciganos. Eu não sou racista, e, quando era estudante, tive alguns colegas de etnia cigana que até eram mais civilizados e melhor comportados que muitos dos alunos "caucasianos".



Contudo, não posso deixar que reparar que algumas comunidades ciganas têm este estranho hábito de receber com um pontapé o que outros recebem com um abraço. Talvez seja algo cultural. Da próxima vez que vir um cigano, vou experimentar cumprimentá-lo com um murro na cara, a ver se ele reage bem.



Convém dizer que não é a primeira vez que os ciganos daquela comunidade dão porrada aos bombeiros, sendo que alguns já tiveram de ser hospitalizados. Convém também dizer que a Câmara Municipal de Elvas ofereceu a estes ciganos alojamento e que a maior parte deles vive às custas da Segurança Social.



Agora, um pormenor interessante: como é que a camioneta começou a arder? Não, não foi um acidente. Foi um grupo de jovens, que contactam uns com os outros através de um blog, e que, irritados com o comportamento da comunidade cigana, decidiram vingar-se.



Isto vem confirmar a minha teoria: o "Politicamente Correcto" não evita o racismo, muito pelo contrário. Ao não castigarmos determinados grupos étnicos apenas porque são minorias estamos apenas a fazer com que os membros dos outros grupos se sintam revoltados com a impunidade das ditas minorias.

Natalidade: Quantidade ou Qualidade?

Há anos e anos que se ouve dizer que Portugal precisa de aumentar a sua taxa de natalidade. "Precisamos de mais bébés", diz toda a gente, do trolha ao Presidente da República.



A verdadeira razão para se dizer que é necessário aumentar a natalidade é a seguinte: impedir a Segurança Social de ir à falência. Bom, em primeiro lugar, creio que seria mais fácil se os políticos descobrissem um fonte de receitas alternativa que pudesse reforçar as contas da Segurança Social.



Todavia, façamos de conta que a única forma de salvar as nossas reformas é aumentando a natalidade. Observemos o que tem sido feito para atingir esse objectivo. Basicamente, a única coisa que foi feita foi o abono de família.



Porém, o abono de família não é grande coisa. Não será graças àquela mísera quantia que um casal se sentirá incentivado a ter mais filhos. Mas esperem, há quem tenha mais ajudas e mais apoios... nomeadamente, aqueles "portugueses" que vivem à custa do Rendimento Social de Inserção.



Esses sujeitos recebem apoios mais generosos e certamente se sentirão tentados a ter mais filhos. Contudo, há aqui um erro gravíssimo. Voltemos ao início: qual é a razão pela qual temos de aumentar a natalidade? Salvar a Segurança Social, certo?



Então, vejam bem este disparate: para impedir que a Segurança Social vá à falência, são distribuídos abonos, os mais generosos dos quais vão para as gentes que vivem às custas da Segurança Social, de modo que serão essas famílias que terão mais filhos, filhos esses que, muito provavelmente, vão também eles viver às custas da Segurança Social...



Conclusão: em vez de salvar a Segurança Social, isto ainda vai enterrá-la mais! Senão pensem: as pessoas que trabalham continuam a ter poucos filhos, enquanto que os parasitas, com todos estes apoios e abonos, vão ter mais filhos, que vão também viver à custa da Segurança Social. Ou seja, a proporção de população parasita aumentará, enquanto que a população trabalhadora irá manter-se ou até diminuir. Isto significa que a Segurança Social terá mais despesas e menos receitas!

O Falso "Self-Made Man"

Há uns tempos atrás, esse suposto "self-made man", Belmiro de Azevedo, aproveitou o seu estatuto para mandar mais uns bitaites acéfalos, como aliás já se tornou hábito seu.



Está na hora de alguém desmistificar esta personagem. Para começar, Belmiro não um self-made man. Um self-made man é alguém que nasce numa situação desvantajosas e que, contra todas as probablidades, consegue tornar-se em alguém influente. Isto, como poderão verificar de seguida, é o oposto do que aconteceu com o velho Belmiro.



Belmiro de Azevedo não nasceu pobre. Muito pelo contrário, se tivermos em conta aquilo que era a situação da maior parte da população portuguesa no tempo do Estado Novo. O pai, Manuel de Azevedo, era carpinteiro e agricultor, e a mãe, Adelina Ferreira Mendes, era costureira. Num país onde a maioria trabalhava na horta, os Azevedo eram, no mínimo, da classe média. Média-alta, direi até.



Depois da concluir o ensino primário, o Belmirinho foi estudar para o Porto, onde, por sorte, tinha família. Ah, mesmo nos tempos de hoje, tomaram muitos de nós ter família no Porto, para termos cama, comida e roupinha lavada enquanto estudamos na Universidade.



Gaba-se o velho Belmiro que teve de trabalhar para pagar as propinas, mas pensem nos outros jovens que queriam estudar e que tinham o azar de não terem família no Porto, ou em Lisboa, ou em Coimbra (pois nessa época só essas três cidades tinham Universidade) e que, além das propinas, tinham de pagar alojamento, comida, transportes...



Belmiro cumpriu o serviço militar obrigatório entre 1959 e 1960. Mais uma vez, o velhote teve uma sorte dos diabos: se o tivessem chamado uns anos mais tarde, teria de participar na terrível Guerra do Ultramar. Belmiro tirou o curso de Engenharia Química, mas, como no tempo do Estado Novo Portugal era o atraso de vida que se sabe, e havia poucos licenciados, o jovem engenheiro conseguiu tornar-se gestor da SONAE (fosse Portugal um país mais desenvolvido, nunca um engenheiro poderia ocupar esta função, pois não tinha qualificações para tal).



O velho Belmiro muito critica o nosso Estado, mas esquece-se que não seria dono da SONAE se não tivesse sido a implantação deste regime. Sem 25 de Abril, o verdadeiro dono da SONAE, Afonso Pinto de Magalhães, não teria fugido de Portugal com medo do comunismo e Belmiro não teria conseguido, de forma pouco transparente, passar a SONAE para seu nome...



Ah, pois é! O velho Belmiro não foi o criador da SONAE. Nem sequer foi ele quem teve a ideia de apostar nos hipermercados, pois Pinto Magalhães tinha já fundado os supermercados Invictus (Porto) e Modelo (Lisboa). Parece que nem o Modelo foi ideia do Belmiro...



Apesar de tudo isto, Belmiro é apresentado como "self-made man". E ele não perde oportunidade para dizer disparates contra o Estado. Eu sempre fui da opinião que só quem paga os seus impostos é que tem direito a mandar bitaites. Será que o velho Belmiro paga os seus impostos? Não. A sede fiscal da SONAE está situada na Holanda, onde se pagam menos impostos...

terça-feira, 30 de março de 2010

O Celibato e a Pedofilia

Era uma vez um homem. Mas este não era um homem normal. Ele não gostava de mulheres. Nem de homens. Ele gostava de crianças. Era um pedófilo.



Como todos os pedófilos, o que ele precisava era de uma maneira de passar despercebido. Para começar, ele precisava de ter um estatuto social que permitisse que ele não tivesse de se casar, de modo a que as pessoas julgassem que ele não se casava por esse seu estatuto não o permitir, e não pelo facto de, na verdade, ele não gostar de adultos.



Segundo, ele precisava de uma profissão que lhe desse acesso a crianças. Se possível, que lhe desse a oportunidade de ficar sozinho com crianças. E era importante que fosse uma profissão de alguma autoridade e respeito, para afastar dele quaisquer dúvidas.



E assim, o pedófilo decidiu ser padre. Era a profissão perfeita. Não tinha de se casar, era respeitado, e podia privar com crianças. A Igreja ainda não percebeu que, no mundo contemporâneo, uma profissão que obrigue ao celibato irá atrair pedófilos e afastará os jovens normais.



Pouco a pouco, cada vez menos gente normal irá querer renunciar ao sexo, ao casamento e à oportunidade de contruir uma família. E, à medida que os velhos padres morrem, a Igreja morrerá também, sem gente nova para se regenerar. Contudo, não deixa de ser um final adequado: a Igreja, sempre com uma mentalidade de velho, irá, de facto, morrer de velhice.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Politicamente Correcto

Antes do 25 de Abril, andavam os nossos avós a lutar em África, porque os africanos queriam livrar-se de Portugal. Queriam a independência, eles. E nós fizemos-lhes a vontade.



Passados estes anos todos, vejam a ironia: os mesmos povos que nessa época renegaram Portugal, combatendo aguerridamente contra nós, andam agora todos de rabo alçado para entrarem no nosso país. E, graças ao "Politicamente Correcto" e aos acordos da CPLP, conseguem.



Pior: esses mesmos africanos, que há uns trinta anos lutavam para não serem portugueses, vivem agora às custas do Estado Português, que nem parasitas da nossa Segurança Social. Devido às nossas leis idiotas, muitos deles conseguem a nacionalidade portuguesa. Como as coisas mudaram em trinta anos.



Eu não sou racista. Mas também não sou estúpido. Estes povos conseguem ter, ao mesmo tempo, as vantagens de serem nações independentes e as regalias de serem cidadãos portugueses. Alguma coisa aqui está errada: ou se é independente, ou se faz parte dum país, agora ter as vantagens de ambas as situações é que não é aceitável! Especialmente quando um português verdadeiro não tem os mesmos apoios sociais a que esta gente tem acesso.

Sócrates: A História Repete-se

Os últimos meses têm sido, a nível político, como que um enorme "déjà vu".
Vejam as semelhanças:



2004: Um governo (o de Santana Lopes), com pouca estabilidade (pois foi criado após a ida de Durão para a UE), luta para combater o terrível défice do país.
É então que, no principal partido da oposição (PS), surge o "salvador" (José Sócrates), bem falante, optimista, e, dizem as senhoras, bonito até.
O presidente da república (Sampaio) é do partido da oposição e tem o poder de dissolver o parlamento.
Para piorar a situação do governo, é descoberta uma tentativa deste para controlar a TVI (afastamento de Marcelo Rebelo de Sousa). O desfecho desta história é o que se sabe.



2010: Um governo (o de José Sócrates), com pouca estabilidade (pois não tem maioria absoluta), luta para combater o terrível défice do país.
É então que, no principal partido da oposição (PSD), surge o "salvador" (Pedro Passos Coelho), bem falante, optimista, e, dizem as senhoras, bonito até.
O presidente da república (Cavaco) é do partido da oposição e tem o poder de dissolver o parlamento.
Para piorar a situação do governo, é descoberta uma tentativa deste para controlar a TVI (afastamento de Manuela Moura Guedes). O desfecho desta história estamos todos ansiosos por ver...