Muitos de vós acompanham os jogos de futebol, especialmente os da nossa selecção, com grande interesse. Sabem que ganhar jogos não acaba com a nossa crise, mas ter uma boa classificação no mundial seria positivo para a nossa imagem internacional, trazendo glória para Portugal.
Outros acham que o futebol é uma forma de distrair as pessoas das questões que realmente interessam e que, embora ganhar jogos seja bom, isso não nos vai ajudar a desenvolver o país. Pelo contrário, enquanto durar o mundial, os políticos poderão fazer o que quiserem que ninguém se irá importar.
Ambos os pontos de vista, apesar de serem opostos, têm razão. É verdade que o futebol é como os jogos de circo da Antiga Roma, serve para distrair o povo. O Sócrates pode aumentar novamente os impostos que ninguém dará por isso. Assim como ninguém dará pela morte do Saramago até ter acabado o mundial.
Mas é igualmente verdade que o mundial permite a Portugal fazer algo que normalmente não é capaz: vencer, destacar-se pela positiva. Apesar dos jogadores de futebol serem, na maioria, labregos imaturos que recebem um ordenado que não merecem (todos criticam os salários dos políticos e dos gestores públicos, mas ninguém aponta o dedo aos ganhos milionários dos futebolistas) e que estão longe de serem os melhores representantes do nosso país.
Mas voltemos à questão do futebol como forma de distrair as massas. Será isso assim tão negativo? Depois de passarem os últimos anos a ouvir dizer que estamos em crise, que há cada vez mais desemprego, que a criminalidade aumenta, não merecerão os portugueses uma distracção?
Não nos esqueçamos que, se nos últimos dias, os meios de comunicação não falam de outra coisa para além do mundial, no resto do ano eles não falam de outra coisa que não seja a crise, e muitas das notícias pintam uma imagem mais pessimista do que a realidade verdadeiramente é. Assim, é exactamente pelo facto do futebol dar a ilusão de felicidade e glória às pessoas que ele é importante.
Ao menos agora há uma luz ao fundo deste negro túnel, e ainda que essa luz não seja a saída, ela não deixa de nos iluminar.
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário