terça-feira, 29 de junho de 2010

A Causa do Nosso Atraso Económico

Hoje decidi reflectir um pouco sobre aquela que acho ser uma das principais causas do atraso económico do nosso país: a impossibilidade do empreedorismo.


Actualmente, fala-se muito em empreedorismo. O problema é que, na sociedade portuguesa, o empreendorismo é uma tarefa extremamente dificultada.


Antes demais, vou explicar o que é um verdadeiro empreendedor. Um verdadeiro empreendedor NÃO é o filhinho dum ricalhaço que, usando o dinheiro e as cunhas do pai, vai montar um negócio da treta.


Não, um empreendedor é alguém que, independentemente de ser "rico" ou "pobre", teve uma boa ideia e decidiu colocá-la em prática, criando assim um negócio inovador que tem potencial para crescer, não só em Portugal, mas também no estrangeiro.


Bom, quem conhece bem as características da sociedade portuguesa sabe que, em primeiro lugar, é díficil encontrar pessoas com criatividade. Além disso, as poucas que seriam capazes de ter boas ideias não têm nem dinheiro nem cunhas para criar um empresa ou aplicar essas ideias a empresas já existentes.


É verdade que, em teoria, há formas de financiar a criação de novas empresas, por exemplo as sociedades de capitais de risco; todavia, na prática, o que acontece é que não existem apoios que realmente incentivem as pessoas a se aventurarem. E nenhum jovem quer começar a sua vida activa endividando-se e colocando uma corda à volta do pescoço.


Convém dizer que empreededor não é apenas quem cria novas empresas, é também quem dá novas ideias a empresas que já existem. Ora, mais uma vez, isto é impossível em Portugal. Poderiam-se enviar ideias geniais para empresas portuguesas que ninguém as ouviria.


Isto porque os patrões são, na maioria, velhos labregos que têm apenas a instrução primária e que se safaram não por serem criativos mas por terem uma grande sorte. Ora, como têm medo de pessoas com mais qualificações, eles contratam para os cargos de liderança da empresa os familiares e amigos. Pois, não é só no Estado que há compadrio, nas empresas privadas acontece o mesmo.


E assim, não é aproveitado o potencial dos portugueses, e as ideias que poderiam dar origem a poderosas multinacionais nunca saem do papel. E lá vai Portugal continuando a caminhar para o abismo, com o seu tecido empresarial composto por supermercados (que aumentam o défice da balança comercial e promovem o trabalho precário), construtoras (que vivem dependentes das obras públicas e cujos líderes são os filhotes do patrão) e bancos (que não desejam financiar o empreendedorismo, mas sim apostar naquilo que não tem risco, como a bolsa).

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