quarta-feira, 25 de agosto de 2010

O Culpado do Acidente

Toda a gente, em especial o típico português, gosta de arranjar um bode expiatório. Alguém que possa arcar com todas as culpas de uma determinada situação em que, na verdade, várias pessoas e/ou instituições tiveram a sua quota-parte de responsabilidade.



Por exemplo, no caso do terrível acidente que ocorreu há uns dias, os meios de comunicação não hesitaram em dar tempo de antena a "comentadores", profissionais ou amadores, que procuram descobrir quem há-de ser o bode expiatório desta infeliz calamidade.



Não foi preciso esperar muito para que se atirassem as culpas ao Estado, porque "o trajecto da A25 não é suficientemente bom", ou à GNR, porque "se estivesse lá uma patrulha, os condutores teriam tido mais cuidado".



Ou seja, mais uma vez, temos o cenário do "a culpa é dos políticos". Claro que os políticos que temos são de facto descaradamente incompetentes, o que leva a que seja considerado aceitável culpá-los de tudo. Todavia, desta vez, a culpa não foi dos políticos, nem da Estradas de Portugal, nem da GNR.



"A culpa foi do tempo", disseram alguns dos lançadores de bitaites. Mas todos os condutores devem ser capazes de conduzir em condições atmosféricas adversas, como é o caso da chuva ou do nevoeiro. É por isso que os carros têm faróis e limpa-pára-brisas, e é por isso que o código da estrada proíbe ultrapassagens quando não há visibilidade e aconselha a circular com moderação nestas situações.



Portanto, a culpa não foi do Estado, nem do tempo. Foi dos condutores que, apesar do nevoeiro e chuva cerrados, circulavam sem os faróis ligados e a ultrapassar em grande velocidade os carros de quem teve a sensatez de andar mais devagar. Ou dos curiosos que, após o primeiro acidente, e apesar de já haver gente a socorrer as vítimas, decidiram parar o carro para ver a desgraça, formando assim um engarrafamento que levou ao segundo acidente. E isto que estou aqui a escrever não é um bitaite, mas um relato de um condutor que circulava na A25 naquela altura e que, graças à sua prudência, não foi atingido pelo acidente.



É verdade que a maior parte dos condutores que, infelizmente, foram vítimas desta tragédia, estavam a respeitar as regras e a conduzir de forma sensata. Contudo, se há alguma lição que podemos tirar deste triste acontecimento é o seguinte: os portugueses têm de aprender a conduzir de forma civilizada. Esta é a mensagem que deve ser passada, e não o típico "a culpa foi do Estado" que, embora muitas vezes seja aplicável, desta vez é uma desculpa sem fundamento.



Os meus pêsames aos familiares das vítimas e espero que os condutores portugueses comecem a abrir os olhos e deixem de pensar que estas tragédias só acontecem aos outros. De relembrar que já houve outras acidentes e outras mortes nas estradas portuguesas neste ano para além das desta calamidade.

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