sexta-feira, 6 de agosto de 2010

O Futuro Próximo de Portugal

Hoje decidi fazer um exercício de futurologia. Vou tentar prever aquilo que irá acontecer em Portugal, a nível político, durante os próximos anos.



Para começar, é óbvio que o vencedor das eleições presidenciais do próximo ano será Cavaco Silva. O único candidato que o poderia derrotar seria Fernando Nobre, que, além de não ser um político "profissional", é o criador da AMI e um cidadão exemplar. Contudo, como os idiotas do PS e do Bloco decidiram apoiar Manuel Alegre, e como os meios de comunicação social prestam mais atenção a Cavaco e Alegre, Nobre não terá a visibilidade necessária para vencer. Entretanto, entre o poeta Alegre e estóico Cavaco, é óbvio que o povo português irá reeleger o actual presidente da república.



Agora vamos à queda de Sócrates. Como é evidente, este governo minoritário estava condenado desde o início. Por um lado, um país em crise precisa de um governo forte; por outro, o nome de Sócrates não pára de se ver envolvido em casos como o Freeport ou o Face Oculta. Com Cavaco reeleito e estando a situação financeira um pouco mais estável, bastará uma moção de censura para fazer cair o governo.



Como é fácil de prever, o novo primeiro-ministro será Passos Coelho. Todavia, o facto de ele se ter mostrado um neoliberal descarado irá impedi-lo de conseguir uma maioria absoluta nas eleições legislativas. Porém, irá conseguir uma votação superior àquela que Sócrates obteve em 2009. Ainda assim, será um governo minoritário - um pouco como os governos do Guterres, que tinham sempre quase maioria absoluta (faltava o quase).



Como o PSD irá roubar votos ao eleitorado do CDS, isso significa que os populares não terão peso suficiente no parlamento para que valha a pena fazer uma coligação com os sociais-democratas. Assim, Passos Coelho irá liderar um governo minoritário, apostando na aparente abertura ao diálogo e sentido de Estado que tem demonstrado desde que chegou à liderança do PSD.



Durante o governo de Passos Coelho, as leis laborais vão ser flexibilizadas. Várias empresas públicas serão privatizadas. Os apoios sociais vão diminuir. Muitos funcionários públicos serão despedidos. Através destas medidas, o défice será controlado. O problema será o aumento da precariedade. Entretanto, Passos Coelho irá começar a privatizar as escolas e os hospitais. E é aí que as coisas se vão complicar para ele.



Com a popularidade do governo em queda e o Estado-Providência ameaçado, a oposição irá unir-se numa moção de censura que vai derrubar Passos Coelho. Nas eleições, o PSD será castigado pelo seu neoliberalismo. Contudo, o povo não terá memória curta e vai lembrar-se que a "alternativa", o PS, também não fez grande coisa da última vez que esteve no poder (além disso, é pouco provável que os socialistas arranjem um líder forte em tão pouco tempo).



O resultado é que o PS vencerá, mas sem maioria absoluta. Ora, para evitar que este governo tenha o mesmo fim que os dois anteriores, o PS vai fazer uma coligação que lhe dará a maioria absoluta no parlamento. E o único partido possível para tal será o Bloco de Esquerda, que terá ganho bastantes votos ao defender o Estado Social contra o neoliberalismo do PSD.



Entretanto, irá acabar o segundo e último mandato presidencial de Cavaco. Os candidatos para novo presidente da república serão Marcelo Rebelo de Sousa e, provavelmente, António Guterres. Será uma eleição disputada; porém, o vencedor será o professor Marcelo.



Enquanto se desenrolam as eleições presidenciais, o governo PS+BE irá fazer o oposto que Passos Coelho fez: vai aumentar as protecções sociais e o dirigismo do Estado. Consequentemente, o défice irá aumentar. Entretanto,o Bloco irá convencer o PS a legalizar a venda de drogas leves (contando também com o apoio da CDU). Questões como a adopção por casais homossexuais, a regulação da prostituição ou a eutanásia serão também discutidas, o que não irá agradar ao novo presidente (Marcelo).



Todavia, as relações entre o PS e o Bloco irão deteriorar-se rapidamente, pelo que a coligação poderá não aguentar até ao fim do mandato. Além disso, o novo presidente - Marcelo - não irá ver com bons olhos os debates lançados pelo BE. Finalmente, a coligação do governo irá mostrar-se incapaz de responder com mão firme à imigração ilegal e à criminalidade ligada aos bairros problemáticos - o que, consequentemente, levará a um crescimento do CDS.

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