Muito se tem reflectido, debatido, discutido e re-discutido sobre os culpados pela situação catastrófica em que o nosso país se encontra. Facilmente se constata que a crise não é a culpada; ela apenas veio amplificar o atraso de Portugal.
O facto é que este atraso é causado por vários factores culturais e estruturais que apenas poderiam ser corrigidos através de um governo especialmente iluminado e competente, coisa que nenhum dos grandes partidos nos oferece. Assim, é normal culparmos os nossos políticos pela situação em que nos encontramos. E, depois, culpamos os imigrantes, os capitalistas, os funcionários públicos...
Contudo, se quisermos ver a face dos verdadeiros culpados, basta olharmo-nos ao espelho. Porque apesar das culpas dos políticos e afins, o facto é que, de 4 em 4 anos, é-nos dada a possibilidade de, sem esforço e sem perigo, mudar o país. No entanto, nós recusamos essa possibilidade, pois são sempre os mesmos que acabam por chegar ao parlamento.
Ainda nem sabemos se vão haver eleições antecipadas ou não, e já é um dado adquirido que o próximo primeiro-ministro chamar-se-á Pedro Passos Coelho. A maioria nem sabe quais os ideias dele. Muitos votarão nele porque tem um bom aspecto físico, outros porque acreditam mesmo que ele vai "mudar" o país - esquecem-se que a aconteceu exactamente a mesma coisa com o Sócrates. E com o Durão. E com o Guterres.
Depois há aqueles que, por preguiça ou por terem desistido, não votam, e ainda os que votam em branco ou nulo. Mas esquecem-se que os votos brnacos, nulos e a abstenção não conta para a distribuição de lugares no parlamento.
Não estou com isto a dizer que partidos extremistas, como o PNR ou o PCTP MRPP, ou sem ideologia, como o MEP ou o MMS, fossem melhor a governar o país. A questão é que, exactamente por esses partidos não serem, aparantemente, melhores do que os que estão no parlamento, uma eventual eleição de alguns dos seus membros para o parlamento faria com que os partidos do poder se vissem obrigados a mudar verdadeiramente de atitude.
Notem que, por muita mudança que o PS ou PSD ofereçam, a realidade é que eles não querem mudar o país, pois, afinal, este é o país que os elege sempre e onde eles fazem o que bem entendem. Não há, portanto, ne necessidade nem interesse mudar este país. Este é o país de sonho do PS e do PSD, pois é o país em que eles estão no topo da pirâmide.
E é por isso que eu peço a quem vota em branco ou nulo e a quem se abstem que faça o favor de votar nos pequenos partidos, para que os partidos do poder - o PS, o PSD, a CDU, o BE e o CDPS-PP - percebam que a sua hegemonia está em risco e que é imperativo inverter a situação.
terça-feira, 6 de julho de 2010
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