Como era de prever, os velhos funcionários públicos não vão abrir mão das suas regalias de boa vontade. Apesar dos cortes salariais apenas atingirem quem recebe mais de 1500 euros por mês (para a maioria dos habitantes do nosso país, este ordenado é um sonho!), o que, tendo em conta a nossa estrutura social, se inclui dentro da classe média-alta - ou até classe alta -, vemos os partidos (até mesmo Cavaco, que é de direita) e, é claro a CGTP e a UGT, a defender que os funcionários públicos serão os grandes sacrificados de 2011.
Ora, certamente há funcionários públicos que vão ter grandes dificuldades, especialmente aqueles que andam a recibos verdes ou têm contratos a prazo. Mas estes não são os trabalhadores que a oposição e os sindicatos defendem. Não, os "trabalhadores" de quem falam o PCP, a CGTP ou até Cavaco são aqueles sortudos que entraram na função pública há décadas, que já estão efectivos, que possuem diversas regalias e privilégios, e que, como já foi referido, recebem mais de 1500 euros por mês. Coitadinhos destes "trabalhadores".
Estes funcionários públicos e estes sindicatos estão-se a marimbar para os verdadeiros trabalhadores, que são aqueles que recebem bem menos de 1500 euros; aqueles que trabalham para o privado, muitas vezes em situações precárias; os trabalhadores independentes ou por conta própria e os empresários individuais, que não têm direitos nenhuns e que são chulados pelo Estado de forma descarada há anos; os desempregados, sejam eles jovens ou velhos; e os que trabalham para a função pública, mas que andam a recibos verdes ou não estão efectivos. Estes sim, são trabalhadores com dificuldades. Mas estes não serão ajudados, nem pela esquerda, nem pela direita.
Enfim, lá vão os "trabalhadores" protegidos pelos sindicatos entulhar os tribunais com providências cautelares, fazer greves e manifestações (ainda por cima agora, que estamos em crise... nada melhor que parar o país por uns dias para aumentar a nossa produtividade!)... e com tanta a gente a querer trabalhar! Será que eles não percebem a sorte que têm? Um bom ordenado, pouca exigência, um emprego estável, um patrão que nunca irá à falência, e ainda vários privilégios...
Estes chicos-espertos que continuem a esticar a corda. Estou a ver que estão todos cheios de vontade que venha cá o FMI, mas se ele vier, tenho a certeza que estes meninos e meninas ainda se vão arrepender. Num cenário desses, se eu fosse primeiro-ministro, aproveitava para anular o estatuto de efectivo da função pública. E depois, quem não quisesse trabalhar, seria despedido, pois há milhares de portugueses que querem um emprego e que fariam certamente um melhor trabalho.
sábado, 15 de janeiro de 2011
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