Como já toda a gente previa, Cavaco foi reeleito à primeira volta. Nada de admirar, tendo em conta que metade dos portugueses se absteve e a outra metade votou nos candidatos apoiados pelos dois idiotas do costume (PS e PSD). Isto apesar de, no dia a dia, toda a gente se queixar dos políticos profissionais... todavia, por razões que desconheço, quando chega o dia das eleições, os portugueses esquecem-se e perdoam os nossos politiqueiros.
Bom, é graças a esta previsibilidade da mentalidade portuguesa que eu posso fazer estes números de futurologia, como aliás já demonstrei numa outra ocasião, previsões essas que vou continuar a desenvolver e que, infelizmente, se revelarão correctas.
Como eu disse em Agosto passado, após a reeleição de Cavaco, o próximo acontecimento político será a queda final de Sócrates. Creio que o presidente da república ainda não pode dissolver o parlamento - só o poderá fazer daqui a seis meses, salvo erro. Mas isso não quer dizer que seja Cavaco a derrubar Sócrates; o próprio Passos Coelho poderá avançar com uma moção de censura... ou então, esperar que os comunas (PCP/PEV) ou que a esquerda caviar (BE).
De qualquer modo, o PSD ainda terá de esperar uns meses até que chegue o momento certo. O momento certo será decidido tendo em conta dois factores: o peso do partido nas sondagens e a situação financeira do país.
É evidente que Passos Coelho quererá que seja Sócrates a pôr em prática as medidas de austeridade, de modo a desgastar a imagem do actual primeiro-ministro e a evitar que tenha de ser o futuro governo PSD a lidar com a situação.
Depois há a questão das sondagens. Curiosamente, e ao contrário do que ocorreu quando Sócrates derrotou Santana Lopes, as últimas sondagens não dão maioria absoluta ao PSD... nem sequer dão maioria absoluta a uma possível coligação PSD+CDS. Porém, Passos Coelho ainda tem muito tempo para tentar ganhar votos, embora também seja verdade que a esquerda terá igualmente tempo para lembrar os ideais neo-liberais do líder "social-democrata".
O certo é que, se as minhas previsões de Agosto se confirmarem, a carreira política de Passos Coelho não será muito longa. Quer seja por liderar um governo minoritário que será será derrubado pela esquerda através duma moção de censura, quer seja por não conseguir ser reeleito após terminar o mandato. É inevitável, tendo em conta aquilo que o PSD pretende fazer: privatizar o Estado Social para controlar de vez o défice. Se falhar, não será reeleito pois não controlou o défice; se tiver sucesso, o povo português irá odiá-lo por ter diminuído os apoios sociais.
Entretanto, chegará 2016, onde Cavaco será substituído - provavelmente, por Marcelo Rebelo de Sousa. Mas isso já é outra história...
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
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