Se ninguém faltar à sua palavra, na próxima quarta-feira Sócrates demite-se e o governo cai. As tão esperadas eleições legislativas serão finalmente marcadas. Estas são eleições muito importantes, pois poderão ter influência no rumo que o nosso país terá durante os próximos 10 ou 20 anos.
É certo que o próximo primeiro-ministro será Pedro Passos Coelho. A questão é: terá maioria absoluta? Fará uma coligação com o CDS-PP? Será essa coligação suficiente para ter mais de 50% dos lugares no parlamento? E qual será a distribuição dos lugares na assembleia da república?
As respostas para estas perguntas vão depender do comportamento de três conjuntos de forças: os Partidos do Poder (PSD, PS, CDS, BE, CDU), os Movimentos de Contestação (Geração à Rasca, Sindicatos, Movimentos Cívicos, etc.) e os Partidos Pequenos (MMS, MEP, PNR, PND, MRPP, PPM, etc.).
Que tipo de campanha farão os partidos do poder? Irá a esquerda conseguir aproveitar-se do neoliberalismo descarado do PSD? Irá a direita convencer os portugueses que o neoliberalismo também tem vantagens? Será que o CDS, o BE e a CDU vão rentabilizar a frustração dos portugueses com o rotativismo PS/PSD?
Que farão os movimentos de contestação? Será que os líderes da Geração à Rasca vão pedir aos seus 300 mil seguidores para votarem num determinado partido? Será que vão criar um partido novo?
E os partidos pequenos, vão atrair votos graças ao descontentamento da população com os partidos tradicionais? Será que se vão aliar à Geração à Rasca e a outros movimentos cívicos?
Enquanto que esperamos ansiosamente pelo desenrolar dos acontecimentos, proponho que ouçamos as palavras que José Mário Branco (que serviu de inspiração à personagem dos Homens da Luta do Jel). É incrível como nada mudou em 30 anos...
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domingo, 20 de março de 2011
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