Se os políticos não alterarem, durante a próxima década, o tipo de medidas que aplicam no nosso país, temo que Portugal regresse ao nível de instabilidade economócia e social que caracterizou os anos 70 e início dos anos 80... com a grave diferença que, naquela época, safámo-nos quando entrámos na CEE, solução que agora não está disponível.
O facto é que Portugal é, economicamente falando, insustentável. Em primeiro lugar, endividamo-nos cada vez mais e com juros progressivamente mais elevados. Isto significa que, para pagarmos o que devemos, a nossa economia teria de crescer bastante, coisa que, com as políticas defendidas pelo PS e pelo PSD, não irá acontecer. Pelo contrário, a economia portuguesa irá continuar a regredir. Ou seja, o FMI virá visitar-nos, e não será uma só vez, serão várias.
A nível demográfico, a coisa também não é muito animadora. As políticas de natalidade apenas dão apoios significativos àqueles que vivem dependentes da Segurança Social (por exemplo, o pessoal do rendimento mínimo). Ou seja, multiplicam-se os parasitas e não quem é produtivo para a sociedade. Por outro lado, a população envelhece, reforma-se... e os idosos duram cada vez mais - antigamente morria-se aos 80, agora é aos 100. Mais vinte anos de reforma que o Estado tem de pagar.
O pior é que, como a economia é atrasada, os jovens qualificados emigram (e não voltam), e os que não se vão embora ganham pouco e trabalham em empresas que não contribuem em nada para o desenvolvimento do país - centros comerciais, super e hipermercados, call centers dos bancos e das empresas de telecomunicações, construção civil. Assim, a Segurança Social irá ter um défice cada vez maior, enquanto que a economia não só estagna, como também irá regredir progressivamente.
Já muitas vezes apontei um caminho para resolver estes problemas: um maior investimento estatal para a criação de novas empresas que contribuam para o saldo positivo da nossa balança comercial, bem como uma maior divulgação dos mecanismos de financiamento e até incentivos para o empreendedorismo por parte de jovens qualificados das classes baixa e média (e até para outras pessoas que tenham ideias inovadoras). Era nisto que o deus Cavaco e que o porreiro Guterres haviam de ter gasto os fundos da CEE.
É certo que para o Estado financiar a criação de novas empresas, participando como sócio (o que, mais tarde, traria retornos financeiros directos para o Estado quando as empresas começassem a ter lucro), é necessário que haja dinheiro. Pois bem, bastava cancelar o TGV, privatizar parcialmente empresas como os CP ou a TAP, regular e taxar a prostituição e a venda de drogas leves, criar um imposto sobre grandes empresas que não produzam bens transaccionáveis, cortar a mama à malta do rendimento mínimo, estabelecer um salário máximo na função pública, controlar eficazmente os gastos das câmaras e dos institutos públicos, diminuir gastos com as Forças Armadas e com o Ministério da Cultura, fazer com que condenados estrangeiros cumpram a pena no país de origem, etc.
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário