Uma das coisas que eu nunca compreendi na política portuguesa é a ideologia política do PSD. Para começar, o partido chama-se Partido Social-Democrata. Ora, "Social-Democrata" é sinónimo de Socialista. Inclusivamente, em muitos países europeus, o partido equivalente ao nosso PS chama-se partido social-democrata.
Assim sendo, se nos guiássemos pelo nome, ficaríamos a pensar que o PSD é um partido de centro-esquerda com ideais praticamente iguais aos do seu eterno rival, o PS - quando, na realidade, o PSD é um partido de centro-direita.
A confusão com o nome vem dos tempos do 25 de Abril e do Sá Carneiro. Nessa altura, os partidos estavam mais voltados para a esquerda do que actualmente - principalmente porque a ditadura recém-derrubada era de direita, e consequentemente, ninguém queria ser conotado com essa área política.
Desses tempos vem também a designação PPD - Partido Popular Democrático. Esta designação também não nos ajuda muito a compreender qual a matriz ideológica do partido, já que o Populismo é algo muito vago, e muitos politólogos nem o consideram uma ideologia "a sério". Todavia, alguns dos mais destacados membros do PPD/PSD (Santana Lopes, Luís Filipe Menezes e Alberto João Jardim) são indubitavelmente populistas.
Foi nos dez anos de governo de Cavaco Silva - tempos em que a União Europeia dizia que Portugal era um "bom aluno" (o que, afinal, não era bem verdade, pois este "bom aluno" usou muitas cábulas) - que o PSD ganhou a imagem que perdura até hoje, a de partido de centro-direita.
Contudo, houve algumas alterações. Se no cavaquismo o PSD era conservador e a favor da intervenção do Estado na Economia, através de grandes obras públicas e do alargamento do Estado-Providência - o que faz com que o partido se enquadrasse na chamada Democracia-Cristã - já hoje em dia, apesar de se manter um partido conservador, é contra as grandes obras e a favor da diminuição do Estado e das privatizações - tornando-o num partido neoliberal, semelhante ao partido Conservador britânico.
Agora, com Pedro Passos Coelho a liderar o partido, poderá haver uma reviravolta interessante. Passos Coelho é liberal, na medida em que é contra a intervenção do Estado e a favor das privatizações; porém, é também liberal na perspectiva moral, isto é, Passos Coelho não teria qualquer problema com a legalização da venda de drogas leves, por exemplo.
Assim, o novo líder "social-democrata" quebra com a tradição de conservadorismo do seu partido. O que dá jeito ao CDS-PP que, às vezes, tinha uma certa dificuldade em se diferenciar do PSD. Agora, não há problema: o CDS é o partido democrata-cristão (conservador) e o PSD é o partido liberal-democrata.
Confesso que estou ansioso por ver como as coisas se vão desenrolar no esquema político nacional. Estou certo que a nova ideologia do PSD irá trazer situações bastante interessantes...
sexta-feira, 9 de abril de 2010
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