Com a história dos submarinos a vir novamente à tona da água, eu sinto, mais uma vez, a necessidade de questionar aquilo que, na minha opinião, é uma das despesas mais inúteis dum Estado como Portugal: as Forças Armadas.
Eu tenho muito respeito pelos militares - não os oficiais que andam há décadas a coçar os testículos e a viver com inúmeros privilégios à nossa custa, mas os jovens que, temendo o desemprego, são obrigados a escolher a vida militar e que tiveram de sobreviver aos desafios da recruta.
Mas a questão é esta: Portugal tem de controlar a sua dívida, e devia de cortar naquilo que não necessita. Curiosamente, os políticos raramente cortam nas Forças Armadas. Fala-se nos funcionários públicos, em privatizações, em impostos, mas cortar nos militares, é raríssimo.
Contudo, enquanto que cortar na Saúde, Educação, Justiça e Segurança Social tem consequências negativas para a vida das pessoas, cortar nas Forças Armadas apenas causaria impactos nos próprios militares. Eles não oferecem nenhum serviço essencial. É suposto eles defenderem o nosso país, sim, mas não me parece que alguém nos queira invadir ou que, em caso de guerra, os nossos militares tivessem capacidade para derrotar o inimigo. E, em caso de atentado terrorista, não seriam os militares que nos poderiam ajudar, mas sim a polícia (a nível da prevenção).
Depois há quem diga que temos de ter boas Forças Armadas, por causa da NATO, pois isso traz prestígio para Portugal.. sim, sim. Nessas missões, numa força de 1000 homens, 500 são americanos, 250 são ingleses, e 2 são portugueses. Traz um prestígio do caraças, não haja dúvida. Felizmente não enviámos ninguém para o Iraque, senão iam ver o prestígio explosivo que teríamos recebido dos islamitas. Se querem aumentar o prestígio de Portugal, promovam missões humanitárias.
Porém, não estou a dizer que despeçam militares; digo simplesmente que, em tempos de défice, não deveriam abrir vagas nas Forças Armadas, nem comprar armamento novo (como os ditos submarinos, adquiridos na mesma época em que Manuela Ferreira Leite, ministra das Finanças, nos mandava apertar o cinto). Os militares deveriam também fazer coisas mais úteis. Por exemplo, devia-se promover a entrada de militares ordinários para a GNR.
Só mais uma coisa: muitos já falaram que se devia diminuir os salários dos políticos e dos gestores públicos... curiosamente, nunca ninguém se lembra dos generais e almirantes...
sábado, 3 de abril de 2010
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