Eu nunca consumi drogas (fossem elas leves ou pesadas), nem pretendo fazê-lo, e, sinceramente, não tenho interesse nenhum em dar-me com gente que cai nesse tipo de tentações.
Isso não impede, todavia, que eu seja um acérrimo defensor da legalização e regulação da venda das chamadas "drogas leves". Não por querer facilitar a vida aos drogados - que continuo a considerar serem uma cambada de fracos facilmente influenciáveis - mas por saber que tal medida traria consequências positivas para Portugal - vantagens que, infelizmente, passam despercebidas para a maioria dos portugueses. Pelas mesmas razões, sou também defensor da regulação da prostituição. E passo a explicar porquê.
Em primeiro lugar, devo relembrar aos mais conservadores que Portugal já tem uma política relativamente liberal nestes dois temas. A prostituição é legal (embora não esteja regulada) e o consumo de drogas é despenalizado (paradoxalmente, a venda não só não está regulada como é proibida). Portugal já começou a caminhar na direcção da liberalização; porém, ficámos parados numa posição que não nos permite usufruir das suas vantagens.
A vantagem principal é o facto de o Estado poder encaixar alguns milhões de euros sem ter de investir nada (o que, com o nosso défice, seria algo muito útil). Ao regular a prostituição e ao legalizar e regular a venda de drogas leves, o Estado iria começar a taxar os rendimentos dos sujeitos que se dedicam a essas áreas. Além disso, a polícia poderia poupar recursos, já que não teria de andar atrás deles.
A segunda vantagem é a possibilidade de regular essas duas actividades. Proibir a venda de drogas leves a menores de 18 anos. Obrigar as prostitutas a fazerem rastreios para garantir que não estão infectadas. Limitar a abertura deste tipo de estabelecimentos a determinadas zonas dentro de determinadas cidades.
A última vantagem - quiçá a mais importante a médio prazo - é o impacto que tais medidas trariam a nível da imagem do país e da competitividade da nossa economia, principalmente no sector do turismo. Sei que, à primeira vista, drogados e/ou tarados sexuais não são exactamente o tipo de turistas que gostaríamos de receber... todavia, na situação de atraso em que nos encontramos, não podemos ser esquisitos. Além disso, Portugal daria nas vistas, e seria visto como uma nação progressista.
Contudo, só poderemos usufruir destas últimas vantagens se pusermos em prática estas medidas antes dos nossos principais concorrentes - em especial, Espanha. É por isso que fico bastante desiludido quando os nossos medíocres políticos dizem que até não se importavam de aplicar estas medidas, mas só depois de Espanha e de outros países o fazerem.
Esse modo de pensar revela falta de inteligência: se aplicarmos estas medidas cedo, temos apenas um rival - a Holanda, que não tem um clima quente como o nosso -, mas, se só o fizermos tarde - depois de Espanha-, iremos ficar em segundo lugar, da mesma forma que o Algarve fica em segundo lugar em relação à costa da Andaluzia, às Canárias e às Baleares. Ou seja, teríamos perdido uma grande oportunidade de tornar Portugal mais competitivo.
sexta-feira, 9 de abril de 2010
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