domingo, 11 de abril de 2010

Esquerda e Direita

Dá-me a sensação que a maior parte das pessoas não tem a noção correcta das diferenças entre os partidos de Esquerda e os de Direita. Para começar, pensam que os de Esquerda são "bonzinhos" e os de Direita são "maus" - o que não é verdade, pois ambos têm coisas boas e coisas más.


Antes de mais, convém esclarecer que não existe apenas um eixo "Esquerda-Direita". Existe também um eixo "Cima-Baixo". O eixo horizontal, o Esquerda-Direita, diz-nos se determinado partido é Progressista (Esquerda) ou Conservador (Direita). O eixo vertical, o Cima-Baixo, indica se um partido defende um Estado Dirigista (Cima) ou Liberal (Baixo).


Em segundo lugar, cada ideologia tem vantagens e desvantagens. Porém, há dois pontos que as pessoas (e os próprios políticos) se esquecem: em primeiro lugar, que as desvantagens podem ser resolvidas através da criatividade; em segundo, medidas de ideologias opostas podem ser aplicadas com sucesso, desde que, mais uma vez, haja criatividade.


A chave do sucesso de um bom governo é mesmo essa: usar a criatividade para aproveitar o melhor de cada ideologia. Já os países que se limitam a usar as medidas políticas tradicionais (como Portugal) estão condenados ao fracasso, e é fácil de perceber porquê: essas políticas foram pensadas por ingleses, franceses e alemães; ora Portugal não tem as mesmas características da Inglaterra, da França, ou da Alemanha. Já países que usam a criatividade para desenvolverem as suas próprias políticas (como a Holanda, a Suíça, a Dinamarca ou a Irlanda) conseguem alcançar o sucesso.


Mas voltando às diferentes ideologias. Existem cinco tipos de ideologias diferentes: Socialista (Cima, Esquerda), Nacionalista (Cima, Direita), Capitalista (Baixo, Direita), Anarquista (Baixo, Esquerda) e Centrista (Centro). Os nomes que usei são um bocado exagerados, mas creio que ajudam a perceber bem o que cada ideologia representa.


Os partidos de Esquerda, progressistas, têm a vantagem serem abertos a novas realidades, legalizando a venda de drogas leves, o aborto, a prostituição, a eutanásia, os casamentos homossexuais, etc. Contudo, têm a desvantagem de serem incapazes de castigar os criminosos de forma eficaz e, ainda por cima, deixam entrar todo o tipo de imigrantes, e dão demasiados privilégios às minorias.


Os partidos de Direita, conservadores, têm a vantagem de castigar de forma eficaz os criminosos, mantêm as tradições vivas e controlam com rigor a imigração. Todavia, são contra a evolução da sociedade e lambem as botas à Igreja.


Os partidos de Cima, dirigistas, têm a vantagem de regular eficazmente a Economia, e oferecem serviços úteis à população (Saúde, Educação, Segurança Social, etc.), o chamado Estado-Providência. Porém, para sustentar tudo isto é necessário aumentar exponencialmente os impostos, que é a grande desvantagem do dirigismo.


Os partidos de Baixo, liberais, têm a vantagem de terem impostos baixos e pouca burocracia, mas, como é óbvio, não podem prestar os preciosos serviços do Estado-Providência, como a Educação, a Saúde ou a Segurança Social.


Os partidos moderados, que ficam no centro, têm a vantagem de promoverem a estabilidade. Contudo, são incapazes de realizarem mudanças e reformas no país.


Todavia, se reflectirmos um pouco, chegamos à conclusão que é possível aproveitarmos o melhor de cada ideologia: podemos adoptar as leis de Justiça e Imigração da Direita; legalizarmos o que a Esquerda pretende legalizar; ter impostos baixos como é típico dos liberais; e, através de uma forma de receita que seja alternativa aos impostos (por exemplo, a compra de acções das empresas mais lucrativas), oferecer os serviços de Estado-Providência que os dirigistas defendem. E é assim, através da harmonia entre todas as ideologias e do uso da criatividade, que um país pode ir longe.

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