Era uma vez um homem. Mas este não era um homem normal. Ele não gostava de mulheres. Nem de homens. Ele gostava de crianças. Era um pedófilo.
Como todos os pedófilos, o que ele precisava era de uma maneira de passar despercebido. Para começar, ele precisava de ter um estatuto social que permitisse que ele não tivesse de se casar, de modo a que as pessoas julgassem que ele não se casava por esse seu estatuto não o permitir, e não pelo facto de, na verdade, ele não gostar de adultos.
Segundo, ele precisava de uma profissão que lhe desse acesso a crianças. Se possível, que lhe desse a oportunidade de ficar sozinho com crianças. E era importante que fosse uma profissão de alguma autoridade e respeito, para afastar dele quaisquer dúvidas.
E assim, o pedófilo decidiu ser padre. Era a profissão perfeita. Não tinha de se casar, era respeitado, e podia privar com crianças. A Igreja ainda não percebeu que, no mundo contemporâneo, uma profissão que obrigue ao celibato irá atrair pedófilos e afastará os jovens normais.
Pouco a pouco, cada vez menos gente normal irá querer renunciar ao sexo, ao casamento e à oportunidade de contruir uma família. E, à medida que os velhos padres morrem, a Igreja morrerá também, sem gente nova para se regenerar. Contudo, não deixa de ser um final adequado: a Igreja, sempre com uma mentalidade de velho, irá, de facto, morrer de velhice.
terça-feira, 30 de março de 2010
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