quarta-feira, 31 de março de 2010

Depois da Geração Rasca...

A geração do início dos anos 90 ficou conhecida como a Geração Rasca. Já a geração actual será, provavelmente, a Geração Magalhães ou a Geração Morangos com Açúcar. Enquanto que a primeira foi (e ainda é) marcada pelas dificuldades em conseguir um emprego estável, a segunda está a ficar célebre pela sua falta de disciplina e pela sua arrogância.



Eu não morro de amores por Miguel Sousa Tavares, mas tenho que concordar com o raciocínio que ele apresentou no seu programa, na semana passada. Esse raciocínio era algo deste género: os jovens da Geração Morangos com Açúcar tiveram sempre acesso a tudo. Queriam telemóveis? Os pais deram-lhes telemóveis. Queriam um computador? Os pais deram-lhes um computador. Queriam Internet? Os pais deram-lhes Internet. E aí por diante.



Enquanto que os membros da Geração Rasca (e os da minha geração, chamemos-lhe a Geração Dragon Ball) só tiveram acesso a este tipo de coisas numa época posterior da sua vida, os meninos de hoje em dia foram desde cedo mimados pelos pais e nunca tiveram de se esforçar para atingir nenhum objectivo.



Enquanto que, no meu tempo, se eu fizesse alguma asneira levava umas valentes palmadas, já as crianças da actualidade não temem esse tipo de castigos, pois, por um lado, parece que não se deve castigar as criancinhas e, por outro, os pais estão demasiado ocupados com os seus empregos para terem tempo suficiente para acompanharem a educação dos filhos.



A palavra "educação" parece também ter sido mal interpretada pelos pais, que julgam que educar consiste apenas em mimar os filhos ao máximo e se preocupam mais com a qualidade da roupinha dos filhotes do que com o desenvolvimento intelectual e moral das crianças.



O resultado é o que está à vista. As crianças estão habituadas a fazerem o que querem em casa, logo não será na sala de aula que isso irá mudar. E, no fim, os professores é que têm de arcar com as consequências.

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